sábado, março 21, 2009

Te adoro, poeta. por graciela malagrida

para mis amigos poetas de todos los puntos del planeta
para Fatima y Til, para Anjan, Ronaldo, Gabriela, Jorge, Iris, Julio, Sergio, Moni, Carmen y Youssef.

Y me dije:
-¡a escribir!-
Y encendí la máquina de versos
Y bajé una estrella del cerezo
Y exhalé un panambí
Así como así
De la nada.

Y te dije:
-… … …
me inspiraste-
O pensé que te lo dije
Ni bien se puso el sol
A dormir
A mi lado.

Y susurraste:
Te adoro, poeta
.
.
.
Te escuché
Te escuché.

O Caminho do Sol de nuno gonçalves e Metrô linha 743 raul seixas







Eu queria escrever sem saudades e usar ao invés de tinta o sal arcaico dos mares. Eu queria saber em qual dia exato se desfez em minhas mãos a carta sagrada – roteiro e guia – de minha viagem impossível às terras de pasárgada. Eu queria ser arrebatado por um instante – efêmero que fosse – para o mais distante: o lado de fora do tempo. Ao menos hoje não fosse domingo, não fizesse sol e tanta gente na praia ou ao meu lado uma mulher louca e tresloucada vestida com o silêncio da noite passada me fizesse num único e solitário gesto a companhia de estrela naufragada. Não sei quem sou nem o que quero – desconheço a força rude que me move. Não sei de onde venho nem para onde vou – apenas pressinto o cio dos ventos que se aproximam. Parir deve ser como sentir cantares de velhas partidas. Vi mais uma vez as jangadas e as carroças estranhas: incendiadas pelo fogo castanho de uma memória sombria e parda. Revi a luz negra do asfalto irradiando a madrugada inacabada de nossos sonhos perdidos. Quiçá ser pirata isso seja: navegar, navegar, navegar. Viver de saquear a história mais longa – grávida dos acontecimentos que poderiam ter sidos e não foram, feroz e felina com olhos de pasto incendiado. Seguirei palmilhando as intempéries dos dias vindouros – animal que marcha sobre o solo pedregoso. Ao menos não estivesse nesta fortaleza sitiada ou soubesse dançar qual as algas os ritmos lunares. Não usaria mais as letras e sim as sensações da pele. Não usaria mais frases parágrafos nem mesmo travessões e sim os movimentos mais lúcidos de um corpo que se recusa a definhar. Gostaria de me encerrar na caverna dos maiores – tocar o medo e a tristeza dos longos dedos de uma pianista em lágrimas. Não posso, nada posso. Sou corsário: imperfeito, inapto, partido. Antes de tornar-me porto abandonado pelos barcos, sigo. Testamento de uma outra vida – esta mais enigmática e indecifrável pois ausente de aconteceres. Preenchida por um uivo insensato – vibração cega de um nervo exposto. Havendo divindades vivas – serão elas também corsárias após o findar do impulso amoroso. Quedaremos tristes na praia ou nas margens ébrias dos rios e alucinadamente buscaremos nosso reencontrar. Eis a voracidade desta estória mais longa. Eis a força que sustenta a nossa dor. O caminho maldito do sol em todo o seu esplendor.


Nuno Gonçalves

segunda-feira, março 16, 2009

AGORA EU ME SENTIA UM SER HUMANO

Era bem pesada a carga naquele dia, como em todos os dias. A minha cabeça inchada e dolorida exigia mais uma cerveja pra voltar ao normal. Merda eu não poderia nem pensar em um trago antes do almoço, mais uma vez eu acordara tarde e vomitara mais do que o normal. O trabalho sobre a mesa acumulara, mas essa tarde seria como todas as tardes, assim que eu tomar uns tragos eu iria atualizar todo o meu serviço. Uma olhada ao redor e eu pude notar todos ali no escritório a murmurarem entre dentes e de um jeito como só os covardes fazem, com uma maestria e uma falsa valentia que me forçava a rir e então uma pontada violenta sacudia a minha cabeça.
O meu olhar percorria toda aquela papelada inútil e um clamor de raiva fazia a dor de cabeça aumentar até o impensável. Duas horas depois a conversa ainda era sobre mim e dona Z uma gorda que não sabia nem mesmo o que era amar dizia pra dona G uma magra azeda que sorria sempre por qualquer motivo, mais falava mal de todo mundo. No momento que eu pude ouvir era assim o diálogo das cobras esquecidas:
Dona Z - minha filha, como esse homem ainda trabalha aqui? Ele não faz nada até o almoço. E só trabalha um pouco pela tarde. Todos os dias ele vem com uma cara de bicho. Também bebe sem parar.
Dona G – bebida só! Minha querida ele deve ser um grande drogado. E as farras com mulheres! Não sei como ainda tem mulher que se dá ao desfrute de ir pra cama com um tipo desses.
A conversa era sempre a mesma. Quando não eram elas, era o senhor T. Um desprezível impotente e mesquinho, que estava sempre contando vantagens sexuais. Todo dia, ele contra o meu gosto, vinha até minha mesa, e me dizia com uma cara deslavada e mentirosa.
- Senhor P. essa noite foi maravilhosa, maravilhosa - e repetia a palavra maravilhosa, umas quatro vezes e completava:
- Foram duas gatas. 20 anos a mais velha, e foi por toda a noite. Estou cansado senhor P. cansado, mas disposto, e hoje vou produzir muito. - Ele dizia produzir muito e olhava para os papeis em cima da minha mesa e perguntava.
- Senhor P. o senhor tem problemas com as mulheres? - Ele perguntava e saía rapidamente e eu sabia que ele ia direto falar com o chefe, falar mal de mim.
A hora do almoço era o meu alivio, eu tomava uma cachaça e bebia duas cervejas bem geladas, e comia uma comida fria e descansava por 40 minutos e então voltava ao trabalho e todos podia então saber por que é que eu ainda trabalhava ali. Além de resolver assuntos do chefe, que os imbecis jamais resolveriam, eu dava duro. E sempre pela tarde, eu estava de novo atualizado. E então eu olhava pra dona Z e dona G e dizia.
- Aí, vamos dormir juntos hoje? Nós três. Aproveitem que hoje eu estou comento qualquer desgraça.
Elas sorriam como só os covardes sabem fazer e respondiam juntas
- Senhor P. não diga isso, nós somos duas senhoras de respeito. - E ficavam lá doidas que eu insistisse no convite, e aí eu saía vitorioso e tranquilamente ia para o meu santuário, o bar Taetro.
O bar Taetro era do amigo Z, poeta e pintor e outras coisas.
O poeta Z. me vendia fiado e não ficava muito preocupado. Z. queria mesmo era uma boa conversa e ler meus textos, eu também arriscava uma luta desigual com o papel e a caneta.
Com o Z, eu passei a conhecer poetas e escritores mortos e vivos e gastar algum com livros. Eu compensava bebendo fiado e de graça no Taetro. No passado o bar apresentara peças teatrais, mais um agrônomo que se auto - intitula artista e que diz ser o dono do espaço onde fica o taetro criou problemas com a prefeitura que é a dona mesmo do prédio e Z desistiu. Agora só leituras de textos poéticos que aconteciam logo após o fechamento do bar. Eu era sempre convidado, e não perdia uma única leitura e então eu chegava cada dia mais tarde no trabalho. E aí o Z dizia
- P largue aquilo e venha ser meu sócio, tem comida, bebida, poesia e teatro e você dorme aqui mesmo e tem um lugar pra você vomitar a vontade. Eu respondia sorrindo
– Qualquer dia desses Z., mas, e sua mulher? - Z me olhava bem, me media e respondia.
- Se você passar do limite eu te mato. E depois dava uma gargalhada. Eu sabia que o Z. falava a verdade. O Z era legal, mas era homem de verdade, não tava pra brincadeira sem sentido e o sentido era o Z quem determinava.
Bebi mais uma, fui ao banheiro, vomitei tudo o que pude e voltei e me escorei no balcão e comecei a observar o Z. trabalhar. Tomei mais algumas, e depois já com o bar fechado, li alguns poemas novos e agarrei a Lídia e fui pra casa, pra mais uma foda nesse mundo benevolente, poético e apaixonado por mim. Amanhã seria mais um dia de cão.
Acordei assustado, de novo eu sonhava a mesma coisa, sonhava ser um poeta bêbado, e aquele sonho me deixava o dia todo azedo, ainda deitado olhei para o lado e o livro O Cobrador de Rubem Fonseca me olhava, como um pedinte, e então eu pude racionar, toda vez que aquele assunto voltava, eu tinha esse maldito sonho, olho o relógio e vejo cravado cinco e trinta da manhã. Olho para o outro lado e em cima de uma velha cadeira, além de muita roupa suja um litro pela metade de vodka. Não tenho duvidas, bebo de uma vez uma boa golada e depois de tossir sinto a vida se restabelecendo e passo a matutar minha vida.
O conto o cobrador me impressionara e estava a impor em mim uma atitude, por mais de vinte vezes acontecera sempre de eu falhar no momento da ação, eu repassava os atos em suas minúcias tentando encontrar uma razão para tal desfecho, cada vez eu acreditava que era em mim que tava o problema, eu parecia sempre não pronto, e isso me deixava encolerizado e significava alguma coisa quebrada em casa. Olhei a casa numa geral e quebrei o filtro de barro, a água jorrava e eu sorria e me acalmava.
Agora nessa manhã de abril, depois de ler pela décima vez o cobrador, eu rabiscava com um lápis preto as diferenças entre eu e o cobrador, e além de todas que eu enumerava a mais importante era que ele progredira e eu fracassara. A ultima vez depois de amarrar a senhora e já prestes a lhe decapitar eu começara a vomitar e fui obrigado a solta-la e ela saiu correndo e agradecendo a deus, maldita deveria agradecer ao meu vomito ou a mim ou a não sei lá o que?
Fui ao banheiro e já eram 11 horas quando eu repensei os meus objetivos e pude notar que eu não pretendia mudar o mundo, como queria o cobrador e sua Ana, eu queria matar por algo que eu desconhecia, algo bem grande que me tomava todo e me fazia ver a estética verdadeira do ser chamado de humano. Eu percebia claramente que agora era preciso identificar esse algo e domá-lo, só assim eu poderia eliminar esses vômitos.
Ao meio dia durante o almoço planejei a minha ação e a razão pela qual eu a realizaria. O senhor Vivaldo o leiteiro seria a minha primeira vitima, ele sempre dizia ao meu pai que eu era um caso perdido e achava que o melhor para mim seria trabalhar e não estudar, eu era burro garantia o leiteiro, - eu ouvia ele falando com meu pai e agora sabia qual tinha sido o meu erro eu tentara matar mulheres, a imagem da minha mãezinha não, não e não, eu não poderia zangar a minha mãezinha. Não mataria mulheres, seria seu Vivaldo, EU PRECISAVA ELIMINAR TODOS AQUELES QUE SIGNIFICAVAM IRRITAÇÃO SÓ COM A LEMBRANÇA E SEU Vivaldo era aquele que dizia ao meu pai com aquela boca nojenta:
- Seu augusto o P não presta pra nada –
Agora eu tinha um objetivo e teria que fazer bem feito afinal aquela seria a minha primeira grande lição na vida, e para fazer bem feito teria que ser com muita dor, eu queria sentir o sofrimento e olhar a cara do miserável.
Almocei e me vesti bem, escolhi uma faca, enrolei em um pano verde e a guardei no bolso do paletó. E saí em busca do meu destino.
Eu conhecia bem seu Vivaldo, com sessenta anos se gabava de ser forte e de ter boa saúde. Entrei na sua casa pelos fundos às 14 horas e sabia que ele estaria dormindo na rede, furtivamente cheguei até ele e enfiei com força a faca em sua barriga, a retirei carinhosamente e ao seu ouvido bem baixinho e comovido lhe disse:
- Seu Vivaldo o senhor foi o escolhido, aproveite e desfrute desse momento que será o seu ultimo.
Ele me olhava inicialmente com ódio e surpresa, depois a dor o tomou por inteiro, eu cortei os seus dedos, vazei um dos seus olhos e calmamente perguntei:
- o senhor quer escolher alguma parte para eu cortar –
Ele já não mais gritava e então tive uma idéia, fazer uma sopa de seus dedos, acendi o fogo preparei a sopa e enquanto a tomava resolvi que era hora de ir embora, então sem pressa segurei a sua cabeça e cortei a garganta, e pude me embelezar com o movimento nervoso, enquanto o sangue escorria e fugia daquele velho e forte corpo, tomei o cuidado pra não me sujar e sair então da mesma forma que entrara, pelos fundos.
Eu agora me sentia um ser humano.

ronaldo braga

Enc: Lançamento do Curta-Metragem Clemência

dia 20 de marços 18 horas
espaço Unibanco de cinema Glauber Rocha






compareçam e atençao não será entrada franca
será
10.00 inteira
e
5.00 meia.
o cartaz anuncia entrada franca. mas foi não é verdade.

terça-feira, março 10, 2009

o amar





Mino sonha Daniela, e é um sonho distante, triste e ela o olha como se ou ele ou ela estivesse morto.
Mino sonha Daniela e em seus sonhos os sorrisos são ocos e os beijos frios.
Mino sonha Daniela e cada vez que sonha mais ela parece uma figura dos seus sonhos, a realidade estava sumindo, o cotidiano se confundia e ele não sabia se estava influenciado pelo sonho ou estava ficando louco, uma coisa Mino tinha certeza, ele não queria e nem imaginava como viver sem ela.
Foi uma dependência que ele nem mesmo sabe como começou, só que agora as coisas estavam de uma forma tal que ele simplesmente entrava em total desordem interna quando, por exemplo, na fila do caixa de um supermercado, ela resolve buscar um produto e demora um pouco além do esperado: todas as coisas e pessoas ganham cores e contornos diferentes e o pior, são contornos sempre aterrorizantes e aí quando parece que a coisa toda vai explodir, ela chega e tudo então volta ao normal:
O circo ao seu cotidiano.
Mino sonha pesadelos de nervos soltos pelos seios de Daniela e os nervos risonhos são na verdade fotos cortadas de Mino.
Mino acorda em total desarmonia, acorda e percebe que tudo ta acabando, acabando, não como em um sonho mas como em um pesadelo.
Mino dorme como um assassino cristão e acorda como um cruel ateu, a matéria começa a se dissipar em seus olhos e tudo é azul e cinza na sua cabeça.
Mino acorda e naquela manhã, com um sentimento estranho a lhe morder as entranhas, ele sente que Daniela está sutilmente diferente, e com medo vasculha todas as possibilidades de ter feito algo nocivo ao relacionamento.
Será ele a razão da tristeza dela?
Mino busca com agrados e carinhos manter sua Dani feliz, mas sempre passa do ponto, sempre seus mimos são em demasia e Daniela se sente sufocada e o acusa de não deixar espaço para ela viver.
Os últimos dias para Mino foram terríveis, dúvidas martelavam seu cérebro, dores constantemente na cabeça e a cada ato dele, feito com todo esmero para agradar, acabara sempre com ela zangada e o acusando.
Hoje acordara mais assustado que nos outros dias, mas ao levantar e sair do quarto encontra Daniela nua e como ela estava linda e parecia que ia voar, ela, na sua frente, distante sem nada ouvir ou ver.
Mino, quieto se aproxima e como um estranho a observa:
Mino pensa que ela o ama e ele era que tava vendo coisas.
Daniela fria e distante sabia da derrota, ele não era incomum e também assim como os outros, tinha medo de planos, de conquistas.
Daniela sabe do vazio do seu amor e sabe exatamente que ele não é o homem que ela deseja.
Mino: agora ela percebia, é apenas mais um homem na sua vida, até quem sabe aparecer um outro.
Daniela levemente sorrindo, pensa que sempre existe a esperança em um novo começo, quem sabe o próximo não seja o homem com quem vá construir um futuro, com objetivo e objetivos. Daniela percebe a chegada de Mino e o olha com carinho.
Mino a abraça e a beija e ela o beija e diz que o ama e que ele é o homem de sua vida.
E naquela manhã cinza e azul enquanto fazem amor ela o obriga a dizer que a ama, mais de uma dezena de vezes.
Mino dorme feliz e com o corpo disposto acorda com muita fome e jovialidade.
Daniela o ama muito mais que ele a ela. E com esse pensamento fixo, Mino pode sonhar um futuro onde os sorrisos ocos e os beijos frios sejam materias dos seus sonhos.

ronaldo braga

domingo, março 08, 2009

segunda-feira, março 02, 2009

a escrita de matheus vianna

cancer


cortantes inquietudes que iluminam o oco.
na platéia o ser ecoa súplicas enquanto outros caminham fora do teatro.
caminham em busca de mundos, de outros planetas, de outras galáxias
impulsionados pelos bytes da grande rede, blogueiam palavras de vento em popa.

alguns diriam:
- Coitado. Sozinho... Nesse teatro escuro...

reflexões do que dizer, para quem falar, de que forma?
o mais certo talvez seja de fato, qual a minha ilusão?

seguindo a caminhada no tabuleiro, em uma casa indefinida
palavras enviadas por complexos seres
me alavancam para a luta pela quebra da curva da tal interrogação.

tiro meus sapatos brancos, abandono o cavalo negro e bato em retirada.
me retiro para o sem limites, para o sem paredes, para o sem tempo.


para o vácuo.


e inicio a contrução do minha ilusão.

olhos brilhantes simulam falsos seres.
teatros secretos encobertos por caos nas almas esvaziadas.
resultado: câncer.



Dedico esse farrapo reflexivo ao amigo Braga.
Obrigado por ser.

Matheus Vianna
MvChiev