segunda-feira, fevereiro 02, 2009

direita cultural Por Linaldo Guedes

Assino embaixo na tese de Carlos Aranha, que esta semana, em sua coluna, condenou o posicionamento do cantor Xangai. O artista baiano teria dito, em entrevista, que seu público é melhor que o de Alceu Valença e de outros talentos. Também, pra variar, Xangai voltou a tecer duras críticas ao rock´n´roll.

Fico imaginando o porquê de tanto radicalismo anacrônico em pleno século XXI. Como Aranha, sou admirador da música de Xangai. Canções como “Nóis é jeca mais é jóia”, “Vou de tutano” , “Ai que saudade de São João” e outras tocam direto em meu imaginário musical. Mas também tenho uma admiração profunda pela obra de artistas como Alceu Valença. Como gosto dos dois, fico sem entender muita coisa depois da fala de Xangai. Fica a dúvida: no momento em que coloco o CD de Alceu Valença para tocar, não tenho a menor inteligência. No instante seguinte, troco de CD e coloco Xangai para tocar. Aí me torno um ungido dos deuses, um cara realmente inteligente e com noção do que tem valor e não tem valor na cena musical brasileira. Desculpa, Xangai, mas isso é ridículo!

Até respeito o posicionamento dele em relação ao rock´n´roll. Embora também veja nisso uma crítica superada à esta altura do campeonato globalizado. O rock produziu grandes artistas e está na formação musical de talentos como Caetano Veloso, Raul Seixas, Rita Lee e Gilberto Gil, entre outros do nosso cancioneiro popular. É um estilo musical como qualquer outro, que deve ser avaliado pela sua qualidade e importância dentro do contexto cultural e não pelo velho discurso de que é um produto americano e como tal deve ser rejeitado à todo custo. Ora, quem tem que ser rejeitado é Bush e outros políticos responsáveis pelo imperialismo exagerado dos Estados Unidos. Nunca os artistas. Já imaginou, eu deixar de gostar da bela poesia de Walt Whitman apenas porque o autor dela nasceu nos Estados Unidos da América?

Esta semana, li no blogue do poeta Lau Siqueira que um jovem punk da banda Desgraça Sonora disse que toparia dividir um palco com um embolador. Arrematou Lau: “Então, em breve poderemos ter por aí um show tipo “Caximbinho e Desgraça Sonora, in concert”. É só querer!”.

Pois é, basta querer para se respeitar diferenças e estilos culturais. O que vale é o talento, aqui e em qualquer parte do mundo. Esse reacionarismo de Xangai tem a cara da Direita. E apesar das mensaladas da esquerda, não dá para ter saudades do pensamento da Direita.






Linaldo Guedes é jornalista e editor do Correio das Artes da Paraíba. e-mail: linaldoguedes@uol.com.br

Aqui do blog bragas e poesia assinamos tambem embaixo, e acho o programa de xangai chato e pseudo intelectual, com uma forma de enganção de uma pretensa cultura sertaneja.
sou nordestino e acredito que primeiro devemos valorizar a variedade de pensamento e de expressão artistica, o resto é manipulação e falsas defesas do que é chamado de cultura nordestina.

ronaldo braga

8 comentários:

Luciano Fraga disse...

Sou fã da música e poesia do Xangai, mas pisou literalmente na bola,abraço.

Marcia Barbieri disse...

Concordo plenamente com você, sou contra qualquer tipo de radicalismo e tb acho que esse tipo de atitude não é condizente com a a arte.

beijos ternos

Cafundó disse...

Xangai é legal, mas Alceu tb é muito bom, a coisa mais parece uma dor de cotovelo, sabe-se-porque.
Beijos, RÔ.

Cafundó disse...

Opa, era sabe-se-l-a-o-porquê.

Adriana disse...

Sempre houve e sempre haverá desacordos entre artistas que disputam um mesmo espaço. Essa questão também de ser contra o rock por ser importado do Tio Sam é algo tão reacionário e inconcebível, que não dá pra discutir.
Gostei de seu texto, de seus argumentos. Concordo plenamente. Abraço.

Braga e Poesia disse...

adriana, cafundó, marcia e luciano tem gente que quer se promover de qualquer forma, mesmo quando não precisa.
abraços
e o reacionárismo cega qualquer um. inclusive artista.

pianistaboxeador21 disse...

Tb assino embaixo. Esse negócio de fronteiras entre gêneros artísticos está pra lá de superado.

Abraço

Braga e Poesia disse...

pianista boxeador 21 é isso ai. sem fronteiras de generos, o negocio:
vc gosta ou não, mas nada de querer se achar o melhor.