sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Conversando com o fraga

fraga a escrita tem sempre um ponto mais adiante e esse ponto é a marca ou diferença de cada um que escreve, alguns querem agradar, por que querem serem agradados, outros querem serem visto como diferentes, outros apenas escrevem buscando outros mundos, outras realidades e ai eu vejo você.
O texto o livro, QUE EU ESCREVI, tem esse ponto de questionar, de conversar com as pessoas sobre essa coisa de publicar, nada é inocente e quem se engana se engana por que quer enganar, é como aquele cara que compra um carro por mil reais achando que o carro é bom e achando que ta roubando o vendedor, depois descobre que foi roubado e então quer dar queixa e na verdade deveria ser preso o comprador, quis roubar e foi roubado. você falou sobre isso, daqueles que se quebram, se enganam com a publicação de um livro, e eu tenho certeza da sua certeza do publicar, você fez isso por que lhe agrada e não por outra razão, aliás tem outras razões sim e eu diria que as outras estão no campo da politica ideologica, da luta politica, e não do campo das vaidades, você marcou território. como o cachorro que urina, você disse:

- ainda estamos vivos e ainda queremos dizer que estamos vivos.

- pra mim o texto "o livro" fala de tudo isso;
- pra mim a publicação de seu livro fala de tudo isso.

e depois de publicado o seu livro, ficou uma certeza:

você bateu forte em quem deveria apanhar com a qualidade do seu livro.
ele (seu livro) grita em seu silencio:

- mediocres, mediocres

é a marca da humanidade lutar e saber que a vitoria é apenas a propria luta.
por que tanto a luta quanto a vitória são apenas ilusões. mas você busca a sua própria ilusão, eu busco a minha própria ilusão e é esta a falta na vida:

- as pessoas em busca de suas próprias ilusões, quando isso não acontece começam as concretudes que são ilusões enganadoras porque são amenidades e são impostas.

e eu acredito que nossa literatura vem dizer:

- a vida é ilusão, crie a sua.

de uma forma ou de outra ainda estamos passando moral pras pessoas, por que ainda sentimos assim e na verdade não escrevemos para escritores, escrevemos no lugar e para os não escritores, escrevemos pra quem não nos ler, o resto é pura bobagem. as pessoas leem a sua ou a minha poesia, ou a de marcia, ou de daniel e diz:

- gostei

e elas querem que a gente goste da poesia delas, mais nada além, mas somente o analfabeto como eu e você e outros conhecidos e desconhecidos analfabetos se transformam com o que ler, por que não buscamos platéias e sim buscamos mundos, somos analfabetos por que desconhecemos esses mundos.
Mas os analfabetos totais esses que eu chamo de bois, correm de nossa literatura porque a respeitam e a temem, eles sabem que queremos que eles percam a esperança e eles temem, eles não acreditam na ilusão, eles precisam de certezas e certezas eles encontram em sorrisos, em promessas e acima de tudo em um outro tipo de ilusão:

- as religiosas.


abraços

ronaldo braga

esse texto eu ofereço para:

GRACIELA MALAGRIDA
LUCIANO FRAGA
MARCIA BARBIERI
DANIEL LOPES
GIORDANO O VOVÔ
LINALDO GUEDES
E TODOS OS ESCRITORES que se sabem analfabetos

12 comentários:

Marcia Barbieri disse...

Acordei,li o seu texto e pensei,ainda bem que tenho amigos!!!!

beijos sempre ternos

ronaldo braga disse...

MARCIA A TUA ESCRITA ME ESTIMULA

Diego Pinheiro: disse...

Escrever!
Escrever é um ato para si, em uma eterna busca de quem leia!
Defendo isso, pois em verdade é o que qualquer escritor, arremedo ou "escritor que se sabe analfabeto" sabe, mesmo que intrínseco.
É bem verdade que ainda, aqueles que escrevem, passam moralidades, e talvez não fosse diferente. Acho que escrever é passar algo, seja idéia chula ou não, seja moralidade falsa ou não, em síntese, coisa muito sbjetiva de quem escreve.
No fundo, os escritores, os arremedos, e muito principalmente,escritores que se sabem analfabetos, sabem que não terão seus nomes em um "outdoor", painel de uma livraria ou qualquer tipo de renome capitalista.
No final de tudo teremos uma certa imortalidade ofuscada.

Abraços Ronaldo

Adriana disse...

Texto porreta, cara, você disse tudo. Não sei onde me enquadro, mas certamente em algum desse lugares que citou. Não importa, importa que li, elaborei e gostei.

grace disse...

"a vida é ilusão, crie a sua"

gostei
gosteii
gosteiii

beijos Ronaldo!

grace disse...

"a vida é ilusão, crie a sua"

gostei
gosteii
gosteiii

beijos Ronaldo!

Reinaldo Sousa disse...

Ronaldo,

Eu gostei do texto, embora como Adriana, eu não sei também onde me encaixo. Não tenho essa trajetória toda no mundo da escrita, mas de uma coisa eu sei, sou um analfabeto total, mas as cercas do curral já não fazem parte de minha vida a muito tempo.

Grande abraço, Ronaldo!

pianistaboxeador21 disse...

Porra, Ronaldo. Só posso dizer que fico muito feliz de ter sido citado no corpo do texto e na dedicatória, velho. Obrigado mesmo. Concordo contigo: "é a marca da humanidade lutar e saber que a vitoria é apenas a propria luta."
POde parecer inútil o nosso trabalho, mas essa é a nossa condição. Somos escritores, embora não tenhamos editora, muitos leitores, fama, e etc... etc... etc... Tudo isso é muito perigoso.
E tem mais, escrever é a nossa condição. Não se pode exigir da rosa que ela seja cravo, ou que solte o perfume dos jasmins, ser rosa é a condição da rosa. Ser escritor é a condição do escritor. Por que Vincent Van Gogh pintava? Por que era a condição dele e porque há uma guerra. Isso já é política, como vc disse, mas não podemos deixar esses caras achar que venceram e que nem sequer lutamos. Tb estamos aqui. E se a maioria das pessoas são bois, quero escrever com e para os boiadeiros.
Seguinte, mudando de pato pra marreco. Manda o teu endereço que eu gostaria de te mandar meu livro.

Abração,

Daniel

pianistaboxeador21 disse...

Porra, Ronaldo. Só posso dizer que fico muito feliz de ter sido citado no corpo do texto e na dedicatória, velho. Obrigado mesmo. Concordo contigo: "é a marca da humanidade lutar e saber que a vitoria é apenas a propria luta."
POde parecer inútil o nosso trabalho, mas essa é a nossa condição. Somos escritores, embora não tenhamos editora, muitos leitores, fama, e etc... etc... etc... Tudo isso é muito perigoso.
E tem mais, escrever é a nossa condição. Não se pode exigir da rosa que ela seja cravo, ou que solte o perfume dos jasmins, ser rosa é a condição da rosa. Ser escritor é a condição do escritor. Por que Vincent Van Gogh pintava? Por que era a condição dele e porque há uma guerra. Isso já é política, como vc disse, mas não podemos deixar esses caras achar que venceram e que nem sequer lutamos. Tb estamos aqui. E se a maioria das pessoas são bois, quero escrever com e para os boiadeiros.
Seguinte, mudando de pato pra marreco. Manda o teu endereço que eu gostaria de te mandar meu livro.

Abração,

Daniel

Luciano Fraga disse...

Braga, grato por este bate papo franco e sadio.Nós somos uns boçais mesmo, pousando de intelectuais, precisamos colocar os pés no chão par reconhecimento do nosso analfabetismo, parabéns pelas colocações.Todos os citados merecem a homenagem, trilham pelos caminhos que também passamos, Daniel foi perfeito no comentário,abraço.

Anônimo disse...

Ronaldo:
agradeço a lembrança e espero continuar atirando com meu velho Bacamarte cheio de pregos e cocô de rato...nessa sociedade facista!
Salve, Salve, Alceu Valença menestrel do verdadeiro carnaval!!!
Giordano Diniz

Braga e Poesia disse...

diego no fundo do fundo escrevemos para esconder, não sei bem o que. mas escondemos muito do nosso imenso vazio.
adriana é nesse encontro que a escrita se realiza.
grace seus textos me iluminam.
reinaldo vc é uma pessoa incrivel e eu acredito muito em vc
Daniel o escritor realiza um ato e isso é uma fatalidade o ato de escrever
luciano fraga o baba continua na escrita e eu sempre fui um defensor que arriscava atacar hoje eu ataco e não arrisco defender
giordano ser fascista me parece uma fatalidade humana, agora trabalhar esse fascismo e supera-lo isso é para poucos.