sábado, janeiro 24, 2009

visita ao absurdo




Sento-me no porão de minhas dúvidas
Observo a parede, a borra do café
Aonde vou se os passos não mais sorriem
Abraço-me e enlaço as mãos.
Os pombos me salvam.
-Bom dia, irmã!
-Vais ao salão?
-Fará as unhas?
-Pintará os cabelos?
Não. Nem passarei um lápis nos olhos.
Hoje me quero crua e nua.
Rasgando canhotos bancários.
Hoje mergulharei no asfalto da Avenida e doarei sangue e órgãos.
Aniquilarei saudades dos tempos dos risos fáceis.
Que rolem todas as lágrimas no quase encontro.
Serei doida de rua.
Dona do mundo.
Dama da vida.
Derramarei todos os frascos de perfume.
E nas essências misturadas, rogo um desmaio.
Hoje me quero vulnerável.
Nem prestarei contas a Deus.
Não ouvi um canto de bem-te-vi.
Gente bem que podia ser passarinho.
Adiarei consultas.
Não baterei ponto.
Nenhum canto nem acalanto.
Hoje eu quero o quarto mais escuro.
Quero o risco e o absurdo.
Pularei todos os muros.
Quebrarei paredes.
Que as portas de abram.
Senão as arrombo.

Alyne Costa

4 comentários:

pianistaboxeador21 disse...

Muito bom!

ronaldo braga disse...

pianista boxeador a alyne costa tem um blog o link ta ai ao lado em confira

Luciano Fraga disse...

Já conhecia este poema da Alyne,excelente.Isto aí arrombar fronteiras,superar limites, grande abraço.

Braga e Poesia disse...

pois é luciano, a poesia de alyne
nos leva para um lugar desconhecido.