sexta-feira, janeiro 30, 2009

Repouso



Bem, é indefinível a estatura do gigante; seus ombros
vituperam mais um golpe.

Nos punhos inquietantes a esplendorosa maquiagem da
guerra.

Pernas que imitam uma foice e tudo atravessado
compõem o massacre da pesada máquina de destruição.

O comprimento da mortalha não cessa... Mortuário de
miasmas e fantasmas expressa o tangente e a
atmosfera.

A noite, não se ascende.

O que morre, não tenta.

A sorte, não combina.

Os mosquitos importunam.

As cores, não fabricam.

É tudo certo quanto o que se sente pelo o que não se
pode deixar de sentir.

Cavam-se fundo até onde os olhos soluçam.

É tão penetrante quanto um gozo de quem o produz e se
conduz na mesma competência que o glorifica.

A alma compreende a dor mais calculada formulada no
princípio de sua mais ampla textura; é ferida que não se
transfigura!

Ronquidão que castiga!

Silêncio que tortura!

E mesmo metendo-me nisso, só peço que me deixem
aqui!

Pois é na sombra de um pé cansado que espero
repousar!


Abrahão Lincoln (ator e poeta baiano)

12 comentários:

Diego Pinheiro: disse...

"Pois é na sombra de um pé cansado que espero
repousar!"
Grande Abrahão... Estava esperando uma poesia sua, aqui, e digo que está é fenomenal!

Parabéns

Braga e Poesia disse...

pois é diego o rapaz é bom.

paradoXos disse...

é sempre agradável ler manifestos desta qualidade literária!!

abraço fraterno!

Braga e Poesia disse...

paradoxos eu tambem acho.

pianistaboxeador21 disse...

Muito bom! Muito legal mesmo!

Abraço,

Daniel

pianistaboxeador21 disse...

Muito bom! Muito legal mesmo!

Abraço,

Daniel

pianistaboxeador21 disse...

Muito bom! Muito legal mesmo!

Abraço,

Daniel

Adriana disse...

Bacanérrimo! Adorei.

ronaldo braga disse...

daniel , adriana, o cara é jovem, mas tem uma dor antropologica.

marcela isis disse...

Amei o texto de Abrahão, excelente!

Na verdade postei aqui como comentário, mas era p ser um e-mail p R. Braga, mas não achei o e-mail, então, com a devida licença, lá vai:

Ronaldo, q bom q gostou. Pode sim, sinta-se à vontade para usar qq texto ou imagem ( meu blog é absolutamente creative commons rsrrs). Se eu puder escolher, gostaria q fosse meu favorito, Tempus fugit, o primeiro q postei neste blog.
=D

Abraços, alma atéia se envaidece…

www.ruminescencia.wordpress.com

Braga e Poesia disse...

marcela já postei o seu texto e muito obrigado pela visita, vou linkar seu blog no meu.
e o Abrahão é um grande poeta.

Luciano Fraga disse...

Braga, antes dos relógios existirem,existiam apenas as horas, daí surgiu a pressa e os tempos de fuga,grandioso poema, abraço.