sábado, janeiro 10, 2009

hoje a noite é de luciano fraga e da poesia

LANÇAMENTO DO LIVRO DE PÓESIA VAGA LUMEM DE LUCIANO FRAGA EM CRUZ DAS ALMAS BA
RUA MATA PEREIRA NA ESCOLA MORANGUNHO.
ABAIXO A APRESENTAÇÃO DO POETA ESCRITA POR RONALDO BRAGa










Há, na poesia de Luciano Fraga, uma atmosfera, redesenhando o real, redefinindo novas fronteiras, e apresentando ao mundo um outro mundo. As palavras, na escrita de Luciano Fraga, como um martelo, bate nas feridas envergonhadas, sangrando dores, espantando medos e afirmando à vida, a condição única de aprendiz,

“Qual a natureza da tinta
que pinta
o absoluto”

e termina enfrentando verdades, relendo mitos:

“na loucura
na sorte
da puta madalena
que disseca o dilema
entre o bem
e o imoral
desta vida choldra
aninhada no abscesso
de um invulgar lodaçal”.

Luciano Fraga pode ser chamado de um poeta denso, um poeta que não aceita o pronto, antes que cria as suas próprias regras, um poeta que dialoga com o sofrimento, tendo o corpo como o lugar do seu registro como o lugar de sua superação, tendo o corpo como o lugar do aprendizado, como o lugar da história,

“Nada sei a não ser
que engravidou da dor
numa madrugada surrada
em que tocava jazz
diante de um espelho refrator”

Um poeta que acima de tudo ignora o lugar comum, buscando na complexidade encontrar o simples, mas nunca o simplório.

“Certas vontades,
nos são enxertadas
na forma de gânglios,
ao dissabor
do meu tronco libertino...”

É na vida incomum do seu povo que Luciano encontra a sua inspiração, e ele um critico feroz desses costumes nada populares, em seus versos, dialoga com a possibilidade de uma nova organização humana, gritando desejos sufocados, ouvindo suspiros escondidos,

“Jamais creio em mulheres
que deixam de trazer
consigo em sua natureza
um resíduo depravado
de crepúsculo
um exíguo sinal de
precipício”

denunciando competências perdidas, e aumentando os tremores das sofridas carnes, nos gestuais da miséria.

“Meus desejos subalternos
deságuam no aborto
de um corpo estranho
sorrindo de mim”

ou:

“Onde a infâmia dos morcegos dança,
o tempo urge,
o vento uiva
contra as paginas
da endecha.”

Ou ainda, sabendo o que realmente quer, ele afirma:

“Era uma noite disfarçada
de dia
que queria invadir
o meu coração”

Mas não há em Luciano o choro dos derrotados, nem o consolo dos fracos, há sim a coragem dos fortes, a delicadeza dos serenos, e a certeza de que a poesia não fala da e nem traduz a vida mesquinha do social,

“Cidade funesta,
com cara de santa,
deploro tuas gorduras
e a galhardia no cartão postal”,

antes, a poesia é a afirmação do paradoxo, a clareza de outros cantos nos cantos da amesquinhada vida de boi dos humanos. Na literatura de Fraga, poesia é a vertigem dos sonhos.
O eu, na poesia de Fraga, aparece não como um herói ou um pobre apaixonado, mas como um forte que toma decisões e sem medo afirma,

“Pronta para o abate,
minha alma sofreu
uma fratura exposta”

deixando claro a sua posição diante das poses e mentiras sociais, que infiltradas nas artes, vem combalindo a força do poético, pois é também pelo belo, e pela vida que o poeta grita, sussurra:

“Não escrevo poesia para final de telenovela”

e numa indicação plena de conforto e de quem está na vida vivendo e aprendendo, ele declara:

“antes,
quero execrar minhas mazelas
e expor as costelas ao machado do açougueiro...
eu não preciso de platéias”

É, pois de bom grado, saber da determinação do poeta no sentido da publicação da sua poesia, uma vez que pobre estamos de boas poesias, e que versos belos ou não, nem sempre culmina em poemas, como dizia Torquato Neto, “um poeta não se faz de versos...”

“ O que você faz com suas mãos?
lava
as vestes sujas dos sacristãos?”

Apresento neste livro, não um simples poeta, mas um homem, comprometido até os dentes com a vida e lutando sem desesperos, por tudo o que acredita, não mostrando caminhos, mas andando sem olhar para trás.
Obrigado Luciano Fraga pela sua poesia.



Ronaldo braga

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