sábado, janeiro 17, 2009

BOMBAS DE FALSAS POESIAS AMEAÇAM O MUNDO

A noite engolia tudo e a poeira batia impiedosamente em meu rosto, eu esperava encolhido, e sabia que a qualquer momento seria atacado por aquele cachorro de raça ruim, eu sabia e esperava com calma a hora certa de matar aquele cachorro mau , entortecido por luas opiadas, aquele cachorro enlouquecido e peçonhento a deixar rastro de excrementos e poemas enganadores.
A noite ainda cresceria mais e eu estudava aquele mundo estranho, onde cachorros latiam palavras e jardins cortavam poemas perversos nos animais estúpidos com guitarras choronas e alegres. Era um mundo de madrugadas latejantes e de luas que queimavam amores e pariam sorrisos postiços, era um mundo onde a sinceridade era punida, a individualidade crime e castigada com a mordida do cachorro de raça ruim, que contaminava a todos com sua cara de tolo e de satisfação.
Eu sabia que não teria chance no amanhecer, por que todos os outros animais menores estariam ali a me caçarem, olhei ao redor tentando na escuridão sentir algum movimento e para a minha surpresa paginas e paginas voavam na noite escura e desgarradas das paginas poesias me ameaçavam, eram poesias sem nenhum nexo além do sentido da morte, da minha morte, e eu sorrindo me preparei para o pior, as poesias foram crescendo e caiam em mim como bombas de fósforos israelistas e eu lembrei das crianças palestinas assassinadas pelos filhos de deus, e me prometi não perder a serenidade pois a batalha apenas começava.
As poesias sem nexo caiam perto de mim fazendo buracos no solo de mais de dez metros de fundura, a qualquer momento eu voaria pelos ares, aquelas poesias tinham o apoio oficial: do governo, da academia e prefeituras e com elas todas essas casas onde se tomam chá e onde todos se auto-proclamam poetas, toda aquela gente de raça ruim estava ali dando apoios e ajudando nos lançamentos daquelas poesias da morte.
Eu não tinha escolha, era esperar e morrer. De vez em quando eu recebia um papel onde eu assinaria e confirmaria a validade das famigeradas casas de cultura, das prefeituras e dos governos e assim eu seria salvo, e, ainda poderia ser considerado um artista. Eu rasgava aquela medonha mensagem anti-vida e nada respondia.
Por um momento eu acreditei ouvir vozes ao longe e essas vozes foram crescendo e eu pude verificar que a lua agora era prateada e que poesias belas eram ouvidas e que aquelas paginas desgarradas e suas poesias de morte fugiam assustadas e eram elas que agora estavam escondidas e encolhidas, me levantei e pude ver poemas complexos que falavam da vida sem dó, mas sem prisão, sem dogma, sem certo e nem errado apenas as sensações que inflamavam tudo e o mundo continuou turvo, os falsos vermelhos de longe irradiavam ódios impotentes e o cachorro de raça ruim latia um latido inútil e desesperadamente cínico.
Eu ao lado dos poetas loucos e donos de seus narizes tive força pra ficar em pé e escrever estas palavras e o sol veio beijar os meus lábios.

Ronaldo braga

OFEREÇO A TODOS AQUELES QUE LUTAM FORA DAS ESFERAS DO PODER, DE QUALQUER PODER.

12 comentários:

Antonio Mattos Cardoso disse...

a poesia virou mercadoria e tem muito babaca, muito animais menores que se grudam em falsos cachorros maus para serem.

Luciano Fraga disse...

Braga, com tranquilidade, afirmo o seguinte:por mais que a gente se esconda e fuja, o sol sempre estará ali à nossa disposição com sua luz, o sol não escolhe e não esconde ninguém com uma peneira, se alguém não aceita o seu calor, a culpa não é do sol...Ainda bem que não ficamos cegos
com o seu clarão, abraço.

Anônimo disse...

isso parece um recado.
pra quem
assuma.

Adriana disse...

Dá o que pensar...estranhamente belo o seu texto.

pianistaboxeador21 disse...

Eu ao lado dos poetas loucos e donos de seus narizes tive força pra ficar em pé e escrever estas palavras e o sol veio beijar os meus lábios.

Porra, Braga, às vezes dói certo ostracismo e a impressão de que não se é lido e nem divulgado e muito menos comentado. Acontece que agora tb me tornei um escritor exigente. Pra mim bastam os poucos e bons leitores que tenho encontrado pelo caminho. Estamos lado a lado e do mesmo lado nas trincheiras.

Te linkei no pianista,

Abraço,

Daniel

pianistaboxeador21 disse...

Uma mensagem para o anõnimo aí de cima. A literatura é feita de metáforas. Ninguém tem que assumir nada. Pra quem servir a carapuça, que se farte. A história não é jornalismo e nem nada assim.

Daniel

Marcia Barbieri disse...

Adorei o texto e me senti homenageada, tb sou feliz por estar fora das esferas do poder e da podridão que elas encerram e da banalização da arte.
O meu velho e sincero parabéns pra vc.


beijos sempre ternos

Braga e Poesia disse...

antonio carlos cardoso obrigado pela visita e realmente a poesia virou mercadoria barata.

Braga e Poesia disse...

luciano fraga. pianista boxeador e marcia barbieri a vida tem dessas coisas e vamos em busca de pelo menos saber o que estamos fazendo

Braga e Poesia disse...

adriana seja bem vinda ao blog e que bom que vc achou estranhamente belo, venha sempre.

Maria Branco disse...

Roni,

Fantástico!!! O uso das metáforas não poderiam ser mais pertinentes. Você conseguiu transmitir a sensação de medo e impotência, ultrapassando barreiras e ampliando o horror para todas as instâncias do poder. Reforço a minha admiração, gosto quando você adota esta linha, fugindo o processo de pura e simples negação, você cresce enquanto escritor, fica mais maduro e passa mais sentimento.

beijos, sou sua fã.

Maria

Braga e Poesia disse...

surpreso com a sua presença surpreso e feliz, mas na verdade eu que sou seu fã. bjos