quinta-feira, dezembro 31, 2009

Chavela Vargas - Que Te Vaya Bonito

os doces barbaros

em 2010 teremos que ter alto astral, e como a arte brasileira vamos derrotar todo o baixo astral que se esconder por entre todos os sucessos.
o blog bragas e poesia deseja a todos muita garra pra luta que vai ser com certeza encarniçada em 2010


TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.


Álvaro de Campos, 15-1-1928

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Entrevista com o editor e escritor FRODO OLIVEIRA
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resenha de caim por luis estrela de matos
bram stoker e o pesadelo do sexo vitoriano por chico lopes
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o caminho de santiago, a utopia é possível por michelle glória
a segunda queda de lúcifer por ademir luiz

miniconto de thiago lins


+ COLUNAS SOBRE MEIO-AMBIENTE, FICÇÃO, POLÍTICA, CINEMA, COMPORTAMENTO.

sábado, dezembro 26, 2009

Vingança e logo em a beleza dos meus pesadelos

A chuva tinha castigado a cidade o dia todo. O feito refletia nas plantas e passaros em suas inquietudes acalentadoras. Era belo observar a chuva cair e ver a noite rapidamente dominar a tarde numa penumbra cinematografica. Tudo era belo e um silencio moroso e preguiçoso embalava e confudia sonhos e lembranças.
O som do cair das aguas namorava minhas metas e era ouvido por leguas nas arvores que quietas dançavam, em um vai e vem sonolento com os ventos, no imenso salão da noite.
Eu embebecido adormecia como um privilegiado ser naquele cenario deslumbrante.
Era extamente 17 horas e 20 minutos quando uma voz veio da rua, uma voz que trazia consigo a revolta e a dor. Joaquim gritava o meu nome e me acordava daquuela realidade que mesmo continuando, e a chuva e toda a sua beleza ali bem firme na minha frente, a voz de joaquim tinha o poder de me alienar de qualquer coisa que não fosse opressão assassinato e corrupção.
Joaquim agora andava às turras com o partido do atual governo que para ele tinha traido o povo, e depois de fazer um discurso contra a esquerda e a direita, Joaquim me deu um texto dizendo que ele acabAra de escrever e se foi tão bruscamente como tinha chegado.
Eu olhei o papel totalmente machucado, senti a chuva caindo, abri um vinho e percebi que agora a chuva se tornara uma tempestade a castigar mentes e plantas. Acariciei o vinho tinto seco, enchi uma taça e depois de um gole comecei a ler o texto de joaquim o homem que queria mudar o mundo mas não acreditava mais nos trabalhadores:


"- Justiça, justiça grita a dor impotente do povo.
O Brasil TEM DESDE A INVASÃO DOS BARBAROS de lisboa, ouvido este grito.
Sempre o filho, a mãe, a esposa, a namorada gritam a dor na morte do ente querido. Na morte transfigurada no assassinato a mando de fazendeiros, patrões e outros ricos.
-Justiça grita a dor nos olhos fundo da noite longa e angustiante.
Justiça, pedem as flores podadas nos controles dos sem sorrisos.
Ainda hoje no Pará e outras paragens, as balas fazem as curvas certeiras nas caras dos que sendo povo não aceitam as pragas vindas dos senhores.
Justiça uma palavra rôta, sem validade no mundo de homens e mulheres.
Ainda veremos por muito tempo enterros de jovens guerreiros nas balas do mando, ainda veremos até que o povo saia dos partidos, pense em sua propria estrada e descubra nas garras das lutas a saida da guerra.
Só temos morte e morte para os que não escolhem o caminho da luta, morte para os que apenas querem o trabalho, morte decretada pelo governo na morte de celso daniel, morte calada na midia, morte em silencio dos ministros, morte na mentira dos comunistas.
Vamos saber um dia da verdade não contada, das dores guardadas sob nenhuma chave, apenas as dores guardam outras dores.
Os homens donos da terra querem a morte no solo que escapa de seu controle.
Somente um povo sem governo, sem deus, sem patrão e sem senhor, pode conquistar a liberdade e o proprio controle de suas vidas. Um povo de volta ao somente aceito gosto de viver.
Chega de morte inutil e sem nexo.
Vamos mudar o ritmo macabro do terror. Devemos como os bastados inglórios, vingarmos nossas dores. Vingança é o que precisamos. Seremos vingativos ou então cadaveres educados?
A escolha é sua."
(Joaquim Silva Lerembec)
É o joaquim estava atento a tudo:
filmes novos, massacres reais, tudo servia de conteudo para o Joaquim espelir suas raivas e impotencias.



ronaldo braga santana

domingo, dezembro 20, 2009

http://diversos-afins.blogspot.com

Caro leitor,


O que há de especial tem o poder de nos atrair. Seguindo o rumo peculiar da arte, eis a nossa Trigésima Nona Leva. Em vertentes múltiplas, encontramos muito de nós mesmos:


- nos registros sensíveis da fotógrafa Jackie Brito

- através dos versos inspiradores dos poetas Noélia Estrela, Geraldo Lavigne, Pedro Du Bois, Victor de Oliveira Mateus e Líria Porto

- na profundidade das ideias do escritor Romério Rômulo

- cruzando as percepções cinéfilas de Larissa Mendes

- pelas esquinas complexas dos escritos de Cláudia Villela de Andrade, Dheyne de Souza e André de Leones


http://diversos-afins.blogspot.com



Seja bem-vindo às novas leituras!



Fabrício Brandão & Leila Andrade – LEVEIROS

sexta-feira, dezembro 18, 2009

gemidos



Um profundo e curto gemido e nada mais.
O terror era sustentado no silencio de cada olhar incredulo, E aquele insano gemido ecoava desesperadamente nas nossas caras. Eu tentava ouvir monica montone que longe cantava.
Como fantasmas nos sentimos transparentes e abatidos. Era ainda tarde naquela noite que se apresentava em cores belas e cheias, todos os olhares presos no norte, recebiam sons inimagináveis.
O gemido engatinhava nos meus desesperos e espantava o ar quente dos meus olhos, enquanto a monica montone entova sedução em secos cantos.
Sons, noites, monica, risadas, mulheres nuas correndo, tiros e gritos e
no preciso instante de uma cortante risada, eu lutava desesperadamente em varias frentes e simultaneamente. Quem se importava? que se dane, eu continuava a ouvir monica.
O mundo caminhava para o seu insustentavel momento. As pessoas decoraram a cartilha universal, e repetem sempre:
- Somos todos irmãos e uma unica raça.
Era o momento certo de eu cair fora, depois do afago a facada, geralmente no peito, é simbolico e mata mais.
A cartilha já foi soletrada em noites a fio e felizes todos ecoam as novidades.
E aquele imundo gemido difamava uma realidade onde a felicidade dava as ordens. Maldito invejoso gemido.
E o gemido agora caçado aprendia a sofrer nos intervalos e soprava sua dor nas dobras das noites que sempre destruía os meus irritantes nervos.
Monica ainda longe, salvava o meu dia.


ronaldo braga

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Após conquistar as platéias de São Paulo e Rio de Janeiro com seu talento e carisma, .Mônica Montone. começa a conquistar as rádios cariocas.



Participou do programa Oi novo som, da rádio OI FM e estará na próxima quinta-feira, 10 de dezembro, na rádio MPB FM no programa Faro, às 22h.



Além disso, nesse mês de dezembro sua música começa a tocar na rádio TRANSAMÉRICA FM do Rio de Janeiro.



Na rádio ESTAÇÃO 104,1 FM, sua música Cidade dos sonhos têm recebido muitos pedidos diariamente no programa Expresso Brasil .



Se você também curte o trabalho da .Mônica Montone., fique ligado!



As rádios também podem ser ouvidas pela Internet, basta acessar



http://www.mpbfm.com.br/



http://www.transanet.com.br/rjpop/



http://www.estacao104fm.com.br/



Maiores informações, no novo site de .Mônica Montone.:



www.monicamontone.com



Abraços,



. assessoria fina flor .
www.monicamontone.com

terça-feira, dezembro 08, 2009

cine caos em cachoeira

Atenção reconcavo em cachoeira do dia 10 até 0 dia 12 de dezembro acontecerá apresentação de filmes com a presença já garantida de rita vieira a grande atriz e diretora de cinema, falando sobre seu filme CLEMENCIA.
Ainda CONTAREMOS COM FILMES DE NELSON MAGALHÃES FILHO, COM OS FILMES alice e melodias de agosto.
O filme clemencia tem o luciano fraga como autor do argumento e rita vieira além da direção assina o roteiro.
Melodias de agosto tem o nelson magalhães filho na direção e o pablo asssina o roteiro.
alice tem direção de nelson magalhães filho e tambem o pablo assina o roteiro.
O cine caos uma invenção dos alunos da ufrb.
Aliás falando em ufrb, é preciso que a comunidade tome providencias pois tem um frances que pensa que é o dono da ufrb.
E a ufrb é do povo brasileiro é fruto do suor dos trabalhadores do brasil.
FORA DA UFRB FRANCES FASCISTA, E OS SEUS PUTOS.

ronaldo braga

domingo, dezembro 06, 2009

MARIO BORTOLLOTO. RESISTA!

O dramaturgo Mario Bortolotto, de 47 anos, continua internado em estado grave, mas estável, na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa de Misericórdia, no Centro de São Paulo.


Ele foi imprudente, ensina a cartilha de sobrevivencia dos tempos atuais, pois cada um que cuide de si.Esta maxima é o resultado do individualismo pratico em que a sociedade inventa uma forma de se viver como se não houvesse o outro que na verdade sou eu tambem.Mario Bortolloto, ao assistir uma menima sendo machucada por homens assaltantes não teve duvidas, reclamou mesmo estando ameaçado por armas de fogo.
Era um assalto e resultou em tentiva de assassinato.
Porque Mario teve essa ação?
Primeiro Mario Bortolloto é um homen e não um covarde disfaçado de homem, segundo a ação de Mario se deve ao seu modo de ver a vida, sabe que aqui vivemos numa areia movediça e o que vale nem sempre é sobreviver a qualquer custo mas antes viver como se quer, e Mario fez o que achou que devia.
A morte sempre virá e não se sabe a hora, por isso não devemos nos imaginar a obedecer cartilha de sobrevivenvia que deve ter sido escrito por um babaca covarde e religioso. Viver é antes assumir tudo que tem de perigo e de fascinante na vida.
Mario vai sobreviver? Aqui esperamos com toda força. Mas mario já está no coração e mente dos brasileiros que acompanham a sua brilhante carreira de teatro. sem dinheiro mas com muito talento, compentencia e ousadia.
A vida é um encontro e este encontro pode ser um grande desencontro.
Mario espero voltar a ler o seu bloig e estou ainda a espera de ler os seus textos teatrais.

ronaldo braga

terça-feira, dezembro 01, 2009

fuga e dor escrava por nuno gonçalves

arte na rua, um lance de dados:


na última sexta-feira, a tranqüila rotina de são félix foi alterada pelos atores do ponto de cultura. escravos, feitores e barões ressuscitaram dos escombros do passado e tomaram de assalto a rua. a presença e empolgação do público contrariavam a repetida ladainha de que o povo não gosta de arte. A rebeldia dos escravos, o humanismo da senhora, o desprezo do feitor, a arrogância do barão e a indiferença absoluta do jumento, convenceram e provocaram ecos: reações contraditórias e confusão de sentimentos. Em alguns momentos a imagem de magno, recitando castro alves, saltava da memória e sobrevoava o cenário onde ronaldo braga bradava seus anti-sermões. Em outros momentos imaginava os capitães do mato abandonando o centro da rua e confundindo nossas estreitas realidades, tratando a todos nós que estávamos ali, como escravos ou qualquer outro personagem do mundo colonial; transformando todos em atores e nossas vidas, ainda que por um breve instante de sonho, num teatro de representações poéticas. Faltou pouco, algum lance inesperado de ousadia por parte dos atores ou do público ou algumas latinhas de cerveja a mais na minha razão. Não sou nenhum especialista em teatro, apenas alguém que gosta quando um lance de dados é jogado ao acaso. E gostei da experiência que vivi na última sexta nas ruas de são félix, esperamos outras. Abraço e até outra vez.


Nuno Gonçalves
(mestre em história e professor da ufrb)

domingo, novembro 29, 2009

Fuga e Dor Escrava, peça de Magno do Rosário

No dia 27 de novembro às 20 horas na rua em frente a prefeitura de São Felix, aconteceu a peça teatral FUGA E DOR ESCRAVA, texto de Magno do Rosário, com direção do próprio magno e com a minha colaboração.
Um texto muito bom e que marca sem restrição a dinâmica da vida humana, mostrando a contradição humana, pois nem todos os brancos apoiavam a escravidão e além de mais nos revelando tambem a participação de negros ajudando os senhores na manuntenção da escravidão. É o paradoxo humano, cada um com suas invisibilidades e com os seus "habitus" construindo sonhos e derrubando pesadelos, pois nem sempre o homem, mesmo quando pobre e explorados, deseja o mesmo que os outros pobres e explorados. Muitos oprimidos sonham em serem opressores e isso pode nada ter com a vingança, antes sim com o proprio destino sonhado por cada homem aqui nesta vida tão rica e tão pobre.
A peça com uma duração de uma hora e 22 minutos teve a participação de um publico imenso e com uma ativa intervenção na peça com seus sorrisos suas indignações.
Os atores do grupo expressão, e que tem o ponto de cultura expressão como base,
precisam que se organizem mais em termos de reponsabilidades e de buscarem a independencia, pois as prefeituras do interior da bahia nada fazem pelo teatro e tudo é feito com muita raiva e muito desgaste.
O resultado da peça foi otimo em termos de encenação e de recepção no ato do acontecer teatral.
Mas no que tange a continuidade do projeto esperamos que cidades como cachoeira, maragojipe e outras levem a peça pois é uma peça que aumenta a autoestima do povo brasileiro.

ronaldo braga

terça-feira, novembro 10, 2009

sobre comentarios anonimos e ofensivos

bom alguns amigos criaram censura em seus blogs por que babacas ficam entrando e fazendo comentarios anonimos, eu acho um erro, se esses comentarios fossem positivos esses amigos meus não se importariam.
eu penso diferente e se tem imbencil pra perder tempo e ficar escrevendo merdas, eu não vou virar fascista e censurar, censura nunca, sou contra a censura e fale mal de mim a vontade o leitor que decida. jamais a reação vai fincar raizes em minha vida.liberdade até pra me esculhambar.liberdade até pra escrever merdas como esse anonimo ai escreve. ele deve ser do pt, ou do arco de alinça que va do pv a sarney.


ronaldo braga

domingo, novembro 08, 2009

sobre a une e os estudantes

há muito o pcdob transformou a une em uma entidade fascista e pelega, quando eu entrei na faculdade de teatro em 1979 eu lutei contra os fascistas vermelhos e ao lado de outros estudantes expulsamos esses bandidos da residencia um, e fizemos muitas lutas contra esses caras, hoje a une é totalmente vendida ao bandido lula e faz parte da corja que luta contra o brasil, a une hoje luta contra o aumentos dos aposentados, , vai as ruas apoiar a corrupção e é contra qualquer cpi que revele a truculencia e roubos do chefe da quadrilha.
Qundo se é reacionário joven imagine o que se será na meia idade.
a une é uma mentira.
um bando de estudantes profissionais que existem somente para fazer politicagem e apoiar roubo.

sábado, novembro 07, 2009

anselmo duarte O CINEMA



A VIDA NA TELA
ETERNA,
BRINCA COM A DOR DA PERDA
A FORÇA DOS TONS
EM PRETO E BRANCO ME ESCANDALIZA
O FILME
PRODUTO
INDUSTRIA
APENAS FERE MEU CORAÇÃO
E LAGRIMAS E SORRISOS SE MISTURAM EM FICÇÃO
ANSELMO POR TRÁS
ENQUADRA DECIDE
E PARA SEMPRE
ANSELMO
DUARTE.

NO PEITO ARTE
NOS OLHOS UM FUTURO FORA DE QUADRO
MOILDURA MEUS ENTRAVES
E DISSIPA MEU MEDO.
ANSELMO DUARTE A ARTE NÃO VEM POR ACASO MAS SE VINGA AO ACASO.

segunda-feira, novembro 02, 2009

a bela escrita de alyne costa

A Menininha do Vestido Vermelho


Na infância olhamos o mundo com inocência e sonho. O medo é mais medo, a dor é mais dor, o riso é um riso que não quer parar mais e o doce é mais gostoso que colorido.


São nossas primeiras reações perante o mundo que nos parece desmesuradamente grante. O Japão é tão longe e tá embaixo do nosso pé.


A emoção se acumula, ainda que momentânea no peito. Um abafo cresce aliado à uma plena sensação de impotência que faz com que coloquemos a solução nas mãos do adulto mais próximo: e aquele adulto vira um super-herói que não pode falhar.


Lembro-me que aos 5 anos fiz uma viagem com meu pai ao interior. De ônibus, eu e ele. Próximo às nossas poltronas havia outro pai que também viajava com sua filhinha. Ela também de 5 a 6 anos, cabelinho claro, liso e com laço, vestidinho vermelho e sapatinho com meias brancas. Era a versão humanizada da boneca que eu queria ter.


Chegamos a uma cidade qualquer e seu pai desceu. Ela dormia... Eu não, acompanhava cada movimento de face da minha boneca em forma de gente. Meu pai lia algo e de vez em quando tentava me fazer dormir. Mas o ônibus saiu da cidade e o pai da menininha não voltara. Fiquei muda, apavorada e solidária com a garota que, dormindo, nem dera por falta do seu paizinho. Um sufoco enorme tomou meu peito.


Aquilo podia estar ocorrendo comigo. Ficar só, sem conhecer ninguém. E se o pai dela havia a deixado de propósito? Não consegui falar nada, nem comunicar a meu pai, certas coisas que as crianças não entendiam, os adultos achavam perfeitamente normal. Enquanto isso ela dormia, nem sonhava com o risco do abandono. E meu coração apavorado perguntava o que ela faria ao acordar.


Foram dez minutos de agonia, até que o ônibus parou e o pai dela entrou atormentado. Havia por meio de um táxi alcançado a condução já na estrada. Colocou no colo a criança que ainda dormia. Era o herói da garotinha. Ninguém notara a ausência daquele homem. Só eu sofrera aquela angústia muda, chorei temendo o destino daquela menina.


Meu pai também era um herói, mas só percebeu o fato quando o homem readentrou o veículo. Acabei dormindo e não vi a menininha de vestidinho vermelho e laço nos cabelos descer do ônibus em sua cidade destino. Mas ela permanece viva na minha lembrança de infância, idêntica à boneca que eu mais sonhava e que deveria ter mais ou menos a minha idade. Fazia tudo que gente de verdade fazia.


O sono da garota na ausência do pai parecia um zêlo de anjo guardião. E eu permaneci acordada durante aquele episódio, preenchido de medos e suposições tão típicas do imaginário infantil. Permaneci acordada e obtive a minha primeira lição de solidariedade.



Alyne Costa

a poesia da chilena Piera Pallavicini

En tardes como ésta
El sol y la luna se confunden

El mar mira el cielo
y cree que es un espejo

En noches como ésta
Las estrellas brillan rojas
Y el viento es cálido y blando

En una mañana así
Como ésta
El cielo ya está negro
Los pájaros duermen
Y se hace madrugada

En momentos como éste
En que el mundo está al revés
No importa el día o mes
No importa ni siquiera que no estés

Mi mundo y yo,
brincamos de alegría entre los resortes de las nubes
Esperando amanecer con la luna
Y que salga el sol al anochecer

Piera Pallavicini

segunda-feira, outubro 19, 2009

OS HOMENS DE BEM DO BRASIL

a esquerda



a direita




ESTES VIDEOS EU JÁ POSTEI AQUI NESTE BLOG MAS ACHO OPORTUNO REPUBLICA-LOS DEPOIS QUE O LULA RESOLVEU INICIAR OS COMICIOS ELEITORAIS COM O DINHEIRO DO CONTRIBUINTE E ANTES DO PRAZO LEGAL.

domingo, outubro 18, 2009

a poesia de nelson magalhães filho

“Nascemos com certo fogo e devemos viver com ele, alimentá-lo, produzir e estar agradecidos”
(Patti Smith)

matança de porcos
sem nenhuma dúvida presságios
o desalento de um regresso (gelo não
existá nenhum) brecha de sol
dissipa a fumaça preta do animal imolado no
fundo do quarto (centelhas pavorosas
incrustadas nos ossos consequentemente revelaram
luares nocivos).

matança no limbo
o simples gotejar sangrento
no paraíso pecaminoso
na noite das nínfeas
numa cerimônia inefável,
congestionados os lábios feridos mediante
o grito animal.

vou te presentear creme de cerejas,
dissertação a respeito da frutífera-
experiência-de-alucinação
estabelecida assim
a maçã premonitória.

Nelson Magalhães Filho

nelson magalhães filho, um poeta com cores fortes e escrita leve, um artista plastico, de mundos inabitaveis, mas onde será que fica este mundo inabitavel? claro que fica aqui mesmo, nós fazemos esse mundo ser intolerante e nelson nos mostra, nos adverte e ao mesmo tempo nos embebeda com suas cores e suas criações literaria e plastica.
ronaldo braga

TRIGÉSIMA SÉTIMA LEVA DA REVISTA CULTURAL DIVERSOS AFINS

Caro leitor,





O tempo, senhor de um tudo, acalenta bem mais do que mistérios. Reserva-nos valoroso sabor das descobertas. Apostando nisso, a Revista Diversos Afins inspira mais um sopro de novidades:



- percorrendo a estética intervencionista do artista plástico e fotógrafo Kilian Glasner



- em meio à linguagem contundente das linhas cinéfilas de Celso Serpa



- nas experiências inusitadas presentes nas prosas de Nydia Bonetti, Bruna Mitrano e Larissa Mendes



- pelas profundidades dos versos de Aleph Davis, Fao Carreira, Nilson Galvão, Wilton Cardoso e Marcos Pasche



- através das vias sonoras dos discos de Otto e Filipe Catto





Outros caminhos e palavras aportam aqui:



http://diversos-afins.blogspot.com





Saudações culturais,





Fabrício Brandão & Leila Andrade – LEVEIROS

segunda-feira, outubro 05, 2009

o chapéu

O chapéu, ali no prego,
sorria e as luzes semi-apagadas nas velas gastas, recolhiam sombras.
A noite era esperança naqueles corações rudes,com suas rezas e cantos a espantarem sonos e repetirem ameaças nas mentes jovens e claudicantes.
No salão meninas seminuas esperavam danças e meu estômago entornava um quase vomito covarde.
A foto descentrada focava o chapéu na noite triste de amores melancólicos e partos rápidos, onde meninos por crescer choravam tempos por vir.
O chapéu solitário somente pensava o impossível, pois chapéu na sua imutabilidade pensam como os homens perdidos nos desdobramentos dos seus fracassos e não sabia chorar e nem por onde.
A sanfona atacava um legitimo forró antigo.
A madrugada foscava olhares brutos nas bundas largadas e era guerra surda a soletrar corpos em uma batalha derradeira. Olhares, desvios, risos, tiros a casa era vigor em cada morte e a certeza de prazeres nos corpos espalhados ignoravam os preços fixados.

ronaldo braga

domingo, outubro 04, 2009

gracias a la vida de violeta parra






saudades de mercedes sosa

poema da duvida

eu busco a palavra certa
para saturar a minha dor,
e busco
na dor certa
o mundo de um poema.

o meu poema
em verso torto
chora toda certeza

e
soletra a mentira
em garrafais gestos de carinhos.

ronaldo braga




ronaldo braga 4 outu 2009

segunda-feira, setembro 21, 2009

o povo é filho da puta( fala de sonia personagem da peça inocencia)

Eu não sei nada de mim. Eu sei que faço. Quando penso em mim eu sinto vazios, vazios imensos. Eu sou oca por dentro. Mas no ódio eu encontro prazer e matar é a minha unica saida.
Eu sou filha de gente rica e podre que transformam os filhos em doenças. Eu odiava a forma que os meus pais tratavam os pobres.
Aos 12 anos percebi o mundo e sua crueldade e comecei a roubar meus pais e distribuir para os mais pobres.
Mas aos 15 anos descobri que os pobres tambem não prestavam, eramn covardes.
Aos 18 quando entrei na faculdade comecei a envenenar comida e distribuir entre os miseraveis: Mulheres, crianças, velhos, rapazes. Matei muita gente envenenada.
Até que meus pais descobriram e disseram que iam chamar a policia não tive duvidas, matei os meus pais e 4 amigos deles.
Hoje eu, se sair vou matar professores, operários, medicos, porque é esse povo que mantém o mundo imundo. Eles gostam tanto de maldade que se fazem mal. Se matam em vida, são corpos sem almas. O povo é covarde.
Mas a gente nunca sabe de nada e eu sou apenas sentimentos, a minha pele é a minha maior profundidade, fico excitada sempre que me sinto livre. Eu sou deus quando elimino sorrisos babacas.
Saiba os covardes são sempre alegres, gosto de pessoas zangadas, sofredoras. É a minha praia.


ronaldo braga

segunda-feira, setembro 14, 2009

O QUE É O TEATRO BASE?

http://3.bp.blogspot.com/_9hamhaXalz8/SqnSQKtbVSI/AAAAAAAAAGA/_zFVZZn0tEk/s320/Gaiola_Ensaio+(96).jpg

A base é o que possibilita a sustentação, o que fundamenta algo. A partir da base buscamos o apoio, a partir dela o que se é pensado é desenvolvido, ou seja, sem a base tudo desmorona, fragmenta, se perde. O que seria a base para nós, atores, diretores e dramaturgos? O que seria a base do nosso campo, no fazer teatral?

Na música a base de uma melodia é sua nota tônica, sem ela a melodia seria totalmente desafinada. Sem a base - uma boa fundição - uma casa não se sustenta. Qual é a espinha do teatro? O que faz dele ser teatro e não outra coisa? “A personagem!” a resposta poderia ser muito bem esta, mas o que falar do que os críticos chamam de ‘pós-dramático’, as vanguardas? Bem, sendo assim a base do teatro não é a personagem, e nem poderia ser. Isso nos faz remeter aos primórdios da nossa arte, onde de fato não existiam personagens e sim homens. Seria o homem a base do teatro? Bem, usaremos então a nomenclatura correta. A base do teatro não seria outra se não o ator. Ora, mas o ator não é homem, ser humano? Logicamente que sim, mas um homem com outras funções, poderia se dizer. O homem, puro e só é outra base: A base da sociedade.

Talvez equivocadamente nos informaram que a base da sociedade é a família, bem, nada como um termo social para “nomenclaturar” uma subunidade de outro, moralmente e eticamente falando. Mas é de convir que muito se deixou passar em relação a este microcosmo que é o homem. A partir daí saímos da questão mais sociológica do que é ser - humano e desaguamos na antropologia.

Então chegamos em duas bases: O ator, como base do teatro e o homem, como base da sociedade.

Gaiola_Ensaio (20)

Diego Pinheiro, operário do Teatro Base

Foto de Eveline Ferraz (atriz, produtora e assistente de direção, além de grande amiga e artista... meu outro braço nesse projeto). Na imagem, da esquerda pra direita, Luana Matos, Francisco Vilares e Pedro Albuquerque, respectivamente Biscoito Doce, Lágrima de Carneiro e Brilho nos Olhos. Não só amigos e irmãos do fazer do teatral, mas grandes atores

segunda-feira, agosto 31, 2009

marina,pv, pt e cadê a VERGONHA NA CARA?

Triste Brasil, o de hoje. Se suas mazelas são as mesmas, desde a chegada dos assassinos cristãos em 1500, hoje nos encontramos com uma turba de politicos de dar inveja aos maiores mentirosos de plantão, senão vejamos:
- Todo mundo sabe que a Marina da Silva saiu do pt, para ser candidata pelo pv, pv que aliás pertence a todo governo que o aceite, apoia Serra, apoia o lula, apoia o aecio neves e por ai vai, o gabeira disse que o governo lula é frouxo, é frouxo o suficiente para aceitar juca enganador baiano no ministerio que recebe menos verba que as viagens do lula pelo mundo, é o valor que a esquerda empresta a cultura;
- A marina não disse nada ao povo brasileiro sobre o assassinato do prefeito de santo andré, Celso daniel;
- A marina nada disse dos mensaleiros;
- A marina nada disse sobre a onda de assassinatos de trabalhadores negros ou desempregados, pelos aliados do lula como vem acontecendo entre outros estados, na bahia e no rio de janeiro;
- A marina é agora aliada de sarney o filho;
- A marina sai do governo e vai para uma legenda de aluguel e que é mais mercadoria que o PR e que aPOIA O GOVERNO QUE ELA PARTICIPAVA, OU SEJA SAI SEM SAIR, OU SEJA DE NOVO, SAI SOMENTE PARA SER CANDiDaTA;
- a MARINA EM NENHUM MOMENTO denunciou o desvio do pt rumo ao neoliberalismo, e nem denunciou quando o pt tornou-se mais neo liberal que o seu irmão amante o psdb;
- A marina nunca soube de nada? ou soube e se calou?
A marina candidata mente quando afirma que ainda não é candidata, ela só trocou de pARTIDO, PARA SER CANDITADA.
O Brasil sabe que este é o memento mais delicadoo de sua história, o pt e outros partidos vivem uma festa de bandidos, trocando tudo pelo poder, trocando tudo para continuar matando, roubando, mentindo e continuar impune.
O Brasil de hoje merece uma reflexão:
Votar em quem? qual o bandido é menos bandido?
Eu ACREDITO QUE O POVO DEVERIA EXAMINAR A LEI ELEITORAL E ficar sabendo o que acontece se o povo votar nulo.
Se a maioria votar nulo é necessário outra eleição sem os candidatos que participaram da primeira anulada e assim o povo tem que fazer, votar nulo até encontrar realmente uma saida que deve ser o fortalecimento das bases populares sem as lideranças partidarias. Fora os lideres partidarios eles são o caminho para o fascismo para o afastamento do povo nas decisões. todo partido deseja unicamenbte o poder e é em potencial um covil de bandidos.
No brasil partido é o lugar secreto de todos as afrontas ao povo e sua soberania.
A mARINA QUE SE DIZ boazinha já começa mentindo.É candidata e nega.
Essa é a politica boa do brasil: mentir.
O pv, pcdob pt e outras merdas dessa natureza vem enganando o povo oferencedo o paraizo e entegando esmola, assassinatos desmatamentos, incentivo a emissão de co2 na atmosfera, com uma unica preocupação:
- Roubar o povo brasileiro. Nada mais e nada menos que roubar o povo brasileiro e cada um tem um belo discurso para defender o seu posicionamento.
apoiar sarney ou sarney divulga os roubos do lula, essa é a questão do pt e sarney.
ronaldo braga

segunda-feira, agosto 24, 2009

Tons - Zinaldo Velame e Ian Ferreira

(uma parceria de luciano fraga e zinaldo velame)

domingo, agosto 23, 2009

Eu não me pertenço,
assim,
acredito na existência de três
faces da necessidade
transformadora:
a do Poeta,
a da Poesia e
a do homem que sou,
soa
e escuta...
Onde os abutres transitam com botas
eu passeio descalço à cata de poesia.

luciano fraga

O poeta luciano fraga precisa do grande publico não por ele, e sim pelos leitores. Numa epoca onde a mentira é a verdade dos que vestem a camisa do poder e a poesia de luciano coloca a beleza da vida sem fronteiras e sem cinismo.

maíra rato

Depois da morte, a poesia. Depois da poesia, a consciência:


“- as letras digitadas traduzem a frieza dessa madrugada enfumaçada / Chá e maconha despertam os resquícios poéticos, perdidos dentro de mim mesma / Depois da morte, a poesia / Depois da poesia, a consciência / Mastigo como um chiclete as palavras, apenas para satisfazer o meu vício de mascar a língua, para saborear os fonemas que um dia você recitou”. (Maíra Castanheiro M. de Moraes)


Ele tinha muitos filhos, livros e sonhos, que já não mais cabia nos seus bolsos e neste mundo. Não tinha mãos suficientes para segurar os tantos filhos. Conhecera o mundo muito depressa: através das palavras; dos olhos; da boca; dos ouvidos; do nariz e das finas e curtas pernas que perambularam pela estrada a fora neste país.

A sua necessidade era universal. O seu ritmo era emotivo. A sua palavra era a sua verdade – sua própria história. Fez de suas necessidades uma luta, deu ritmo às palavras, letra por letra (une) versalizou emoções.

Era constituído de verbo - duro de roer, de carne vermelha e sangue, de ossos descalcificados e músculos de expressões rígidas. Os olhos pequenos eram transparentes de sentimentos. O rosto marcado de rugas e cicatrizes adquiridas ao longo do tempo: dos amores; das angústias; das alegrias; das fomes e das loucuras. Da boca nervosa e inquieta saía uma voz grave e firme e palavras agudas. Gritava as dores de dentes e as dores do mundo.

A vida vivida é um elemento de suporte para a construção do argumento. Foi com a palavra que se tornou pai, poeta e professor. Foi com a palavra que conseguiu seu pão do dia-a-dia, seu prazer, seu ódio e seu amor. Difícil saber se era comandado pela palavra ou se a comandava. A linha que os separa é muito tênue. É uma relação dialética. Uma vida inteira dedicada à construção da própria. A sua busca era pela essência, as palavras eram instrumentos.

Com fé rezou e acendeu vela para o Fluminense e entes queridos. Com fé recitou nas praças, nos bares, becos, favelas e academias. Com fé casou-se. Com fé peregrinou pela BR com dor e poesia. Com fé em Santo Antônio casou-se de novo. Com fé vendia livros, nunca seus sonhos e verdades. Com fé tentou salvar seus livros e documentos amarelados, amassados e sujos, vítimas das goteiras de chuvas. Porém, não teve muito sucesso. Escorregou no telhado há muito molhado e caiu como o anjo que caiu do céu, bateu a cabeça e morreu.

Nem todos os punks, nem todos os beats, nem todos os marginais sobreviveram sustentando as mesmas vestes. Alguns mudaram de roupas, tomaram banho. Outros ficaram nus. Restaram poucos que se sustentaram sob as mesmas vestes e Zeca de Magalhães foi um deles. Em sua contradição e trajetória se (re) construía. Fez seus próprios livros, mesmo depois de ter dois publicados pelo Selo de Letras da Bahia, o “O nome do vento” (1998) e “A oeste do meu coração” (2004), não deixou de publicar seus livros feitos por ele mesmo, xerocados e vendidos de mão em mão. Ajudou ainda a publicar livros de muitos outros tantos poetas marginalizados no mundo da literatura. Porém, não fazia por caridade ou generosidade, mas por responsabilidade e filosofia.

Sempre andava depressa. Almoçava pão com mortadela e coca-cola, às vezes um sanduíche de pernil no comércio. Tomava um cafezinho na Praça da Piedade, muitas vezes a fiado. Fumava um cigarro Hollywood enquanto andava pelo centro histórico da cidade carregando livros, falando com todos sobre tudo, muito alto, gritando, gesticulando e sempre rápido. Competia com todos os transeuntes, sem os mesmos saberem, para ser o primeiro a entrar ou sair do elevador Lacerda, do bonde do plano inclinado, do ônibus, para atravessar a rua... A rotina era um jogo, matemático e lógico.

Tinha graduação na Praça da Cinelândia, mestrado na Praça da Piedade e doutorado na Praça da Sé. Faz agora pós-doutorado na ‘Praça do Céu da Poesia’. Para quem o conheceu sabe que Zeca, ou Kzé, ou Zequinha, foi para cada um e é para cada um, um. Uma lembrança, uma saudade, uma memória. Aqui expresso uma memória, desabafo uma saudade, re-construo para mim mesma um pai e um poeta. Uma história e um herói.

É com lágrimas nos olhos, com muita emoção, saudade, que tento exprimir minha maior verdade e sentimento: a poesia da qual eu nasci e cresci. É 4 de agosto de 2009 e o leão não está aqui para o felicitarmos. Sua matéria transmutou-se em palavras e nelas está vivo. Não tenho uma vela para acender... Acenderei um beck em sua homenagem: parabéns! Palmas ao poeta!



Maíra Castanheiro M. de Moraes

4 de agosto de 2009

Sítio Cidade das Estrelas – Muritiba/BA.

domingo, agosto 02, 2009

vote nulo

E agora lula
todo mundo já sabe
que quando você chamava sarney de ladrão tava era combatendo a concorrencia.


José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?



Carlos Drumond de Andrade

O Drumond só não sabia
que o sarney o lula tinha.


ronaldo braga.
votar nulo é sinal de inteligencia.

sábado, agosto 01, 2009

o pensador estetico nelson magalhães filho faz aniversario

Este texto é revelador neste artista, além de suas preocupações tecnicas, nelson tem a preocupação do estudo da realidade humana, a estetica norteia os passos criativos deste gigante artista.
parabens poeta das letras e das formas.
O blog bragas e poesias tem a satisfação tanto de o conhece-lo, como fazer parte do grupo que tem a sorte de com ele trocar ideias.



Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

sábado, julho 04, 2009

a poesia

cada poeta tem suas invisibilidades a cobrar de si um caminho, o seu interior grita de dentro uma estrada, mas acima de tudo qualquer poesia tem que ter beleza e antes de ensinar ou impor valores precisa encantar, precisa ser um canto.
E que esse canto nos traga o nosso canto, aquele canto intimo, um lugar de nossas lembranças.
A poesia é pois antes de mais nada beleza, vida, tesão e o lugar do encontro das almas na terra.

ronaldo braga

comentario POSTADO por ronaldo no blog universo virtual,depois de ler a poesia de Graciela Malagrida.

quinta-feira, julho 02, 2009









Essas fotos são da peça "a menina que nunca viu gente"
peça para crianças, adaptada da peça pluft o fantasminha, de maria clara machado.
A menina que nunca viu gente estréia no inicio de agosto 2009, na cidade de Santo Antonio de Jesus, no Educar com arte, um projeto finaciado pela petrobras
A primeira foto são de:
Adriele, Cris e Caroline.
A segunda é de Caroline.
E a terceira aparece no destaque Caroline.

Gostaria de destacar a qualidade dessas jovens atrizes e em especial a menina de apenas 11 anos e que é no palco uma atriz madura e posso dizer completa.
em breve mais fotos por aqui.

ronaldo braga

sexta-feira, junho 26, 2009

luciano fraga, nelson magalhães filho e ronaldo braga

Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho


GUERRA DAS ALMAS


No princípio era apenas

o homem.

E do sopro

fez-se uma espada,

com a boca de cor

e um juízo

de barro...


Luciano Fraga

SÃO JOÃO E O DINHEIRO DA PETRO


A espada cresce na noite e o meu cerebro examina como um louco os lados desta tão mal e bem dita festa. O licor estremece os timidos, os fracos, e os faz rir um riso solto besta e babaca nas fumaças dos dolares da petrobras: financiamento a curto prazo, enriquecendo bolsos cruzalmenses ou não.
Eu estou em pé diante da fogueira e já não ouço a famosa frase:
- São João passou por ai.
Cansado de tanta euforia invertida, de tanta falsa seriedade de doutores e doutoras sociais, eu simplesmente arranco mais um pedaço do meu nariz e o arremesso contra todos os muros e canto a derrota do povo mais uma vez em silabas garrafais.
São João: a derrota ou a vitoria cantada e sentida em licores, fogos e incendios mentais.
O caos re-instalado em minha mente-casa se rebela e pede uma organização urgente e linear. Eu sou um homen sorridente e sem dentes a cantar a vitoria do meu inimigo em sorrisos colgates. Eu sou a besta alegre a me vestir de vermelho e chorar os mortos alheios, eu sou a falsidade a declarar morta a mentira e a dizer em alto tom:
- O brasil é feliz e cresce a todo vapor. Afinal que me importa a pessima educação, a saude publica, e os miseraveis a receber a esmola mensal do governo federal, é são joão e eu vou soltar espadas, tomar licor e dizer viva a corrupção, viva a direita que me apoia e nem me importa a que preço, e viva o povo boi que me diz: eu quero o terceiro.
É são joão em Cruz das Almas e as espadas ferem os corações ladinos, ASSUSTAM bois e espantam moças pra lá de donzelas.
É são joão e a alegria é o dinheiro da petrobras.

ronaldo braga

sexta-feira, junho 12, 2009

Seus vestidos vermelhos não molham mais o meu coração.

Usar as minhas botas velhas? Você?
Eu não estou surpreso pela linha de raciocínio que você se me entrega, eu sei que sempre foi assim em suas intermináveis conversas, tudo começava com uma calça ou mesmo uma camisa e até uma meia, e aquele cueca era típica de homens menores ou você descobria de repente que aquela minha bermuda predileta não era roupa de uma pessoa de bem e que as mentes vazias, não possuem uma classe pra se vestir, e depois de soltar todos os seus fracassos em minhas roupas, a senhora continuava a falar, falar e falar.
A senhora nunca mudou, toda sua festa resume-se em anunciar ao mundo, a descoberta da existência de um lado escuro em mim, como você me dizia, antes de recusar o almoço.
Mas na verdade depois dessas aparências, a real intenção surge em seu horizonte: viver pra me difamar.
Mas como diz o seu texto, as minhas botas velhas, desnudam, não um andarilho, antes, um corredor, uma pessoa que buscou o tempo todo fugir das desilusões dos cosmopolitas do terceiro mundo e que não teve medo de silenciar diante da pequenez dos que se acharam gigantes.
Sim é bom você reconhecer, eu vivi esse tempo todo embrutecido pelo caldo vicioso de suas veias e ainda cuidando de suas banalidades, e mesmo sabendo de seu estado doentio, eu tudo fiz pra lhe manter digna, ignorando conselhos até mesmo de sua família.
Outra vez surpreso, não sei a que chama você se refere.
Na verdade, a senhora nunca teve paciência com nada além dos elogios à sua beleza ou aos seus belos vestidos e acessórios, você sempre foi fútil, exatamente isso: superficial.
Racional?
Você?
Delirando como sempre, toda vez que você faz alguma feitiçaria você se autodenomina de racional, e de amante. Saiba que seu amor impossível é realmente totalmente impossível, uma vez que amor em sua pessoa é um engodo, ou uma brincadeira de terror, só a senhora é que não sabe disso e continua a cantar o amor como tempestade, e depois cansada, deprava o mundo com suas lamentações reativas.
As nossas conversas sempre foram as ultimas e não há nada nelas que mereça ser recordada.
È, eu sei de sua mania por símbolos, eu já lhe informei que novos encontros se tornaram improváveis, não por seu vestido vermelho, ou mesmo pelos seus sapatos azuis, não, mas sim pelas fechaduras de sobrepor dos pobres, com seus cuidados para entrarem em suas casas e não ferirem o ombro. Você sabe que sou sentimental e que a presença de um pobre me faz chorar e lembrar, até hoje não sei por que, das fechaduras de sobrepor.
Você pensa que eu me importo com suas bebedeiras ou danças ou orgias, o meu pequeno mundinho conhece a verdade dos seus sonhos, toda a sua fantasia se reduz em me destruir, em repetir sua canção de morte por toda a minha beleza, que você não limitou em diminuir, e agora pretende fazer crer que nunca houve.
Eu sempre soube da sua busca incansável ao meu outro lado e dos seus rompantes como esse de me perguntar se é repetitiva? A sua musica sempre foi de uma nota só.
Eu estou no único lugar pra onde você nunca olha: dentro de você, e seu vestido vermelho apenas é a sua esperança de me afastar pra sempre, de me fazer ir, sair de você e finalmente você poder me encontrar lá dentro de sua guerra suja, indolor, inocente e silenciosa.
Há dias que acordo e vejo sua sombra encardindo meu sorriso e sei então de suas dobras e espero o vir a ser de suas dores, com a certeza dos cortes resistentes das minhas memórias.
Nada espero senão encontrar-te em tua ausência.
Sem mais deste que não mais te ama.

Hoje reli esta carta, que eu não tive coragem de enviar ao correio.
A carta que é endereçada a uma mulher que há muito tempo azucrina o meu coração, não sei como hoje a li em uma revista especializada em amores fracassados e para a minha surpresa ela ta assinada por nada mais e nada menos que a própria azucrinadora da minha vida. Essa senhora que eu respeito, mas pelo visto não se respeita, não sei como teve acesso a minhas coisas e eu desconfio muito da minha secretaria e vou demiti-la. Eu a escrevi e não a enviei.
Qual a intenção dessa senhora em publicar a minha carta não enviada, por que ela não publicou a carta que ela me enviou, onde entre outras perolas ta lá escrito:
- Você vai me encontrar de vestido vermelho, e completamente sensual, coisa que você nunca aprovou em mim, seu medo de me perder te faz ser assim: Tolo e ultrapassado, a minha beleza tornou-se um tormento para um homem menor como você.
Ela escreve isto entre outras tantas mentiras, pois eu sempre a incentivei a se embelezar, uma vez que ela se vestia, foste em festa ou em casa, com roupas que a deixava velha. Ela altera tudo. O que diz, depois fui eu quem disse, é só interessar que o meu discurso passa a ser o dela e o dela o meu.
Ela deveria se não fosse uma doente, postar o texto dela, e revelar para os amigos e para o mundo quem ela é de verdade; Uma camuflada. Lembro com terror de muitas noites passadas. Quando ao lado de nossos amigos ela sempre era amorosa comigo, me beijava e deixava no ar uma certeza de uma longa noite de amor e sexo, mas bastava estarmos a sós pra ela dizer:
- É melhor não acreditar em nada do que eu disse, eu falo essas coisas por que eu gosto de você e quero que todos pensem que você é um homem de verdade e não essa coisa pobre e podre que na verdade o senhor é.
Ela dizia isso e se trancava em um silencio mortal e nada do que eu dissesse abalava ela deste mundo silencioso. Agora ela me surpreende publicando uma carta que eu escrevi pra ela e não a enviei.
O que mais me impressiona é que ela ainda me cobra como se fossemos marido e mulher. Mesmo estando separados por mais de dez anos, todo dia ela me liga e me cobra coisas, me dar ordens e fala como se ainda estivesse dormindo comigo. Ela é completamente maluca.
Relendo esta carta que eu não enviei, resolvi que hoje vou mandar flores e chocolate pra ela e um cartão dizendo assim:
- Meu amor, eu estou com saudades de teus agrados.
Os senhores pensam que eu estou louco, pois saibam que ela odeia flores e mais ainda chocolate e muito mais ainda cartão no meio de arranjo romântico de flores.
O único prazer dela é me aporrinhar.

ronaldo braga

a poesia de alyne costa

Terra Mater


Entre hortências e pés de café
Sonho virar parteira
E as raízes que sugam o néctar do solo me sussurram segredos antigos
Que no coração da natureza tanto faz bicho ou gente
Flor ou semente
Beija-flores rodopiam
E entre um ou outro ninho de passarinho
Um vaga lume percorre a noite sozinho
Sinto cheiro de vida
E uma brisa leve acalanta qualquer receio
Aprendo manha de serpente
E a mata ganha forma de gente
Já nada mais sou que parte deste ciclo da vida
Vida campesina possível e real
E a mão do poeta colhe as hortaliças viçosas
A mão da poeta prepara um café
E tudo passa a ter um sentido que a mente não compreende
Porque nem tudo é passível de compreensão
Basta os sinais lidos pelo coração
Que atravessa a mata e escala as montanhas
Que rocha, bicho, água, flores e ervas dão a lição
Terra Mater, mãe da vida
Da flora e fauna, da gente oprimida.
Mãe de acalanto profundo.
De respeito à natureza e ao mundo.




Alyne Costa

domingo, junho 07, 2009

Ausências

Procuro e não identifico a sua presença no filme, sei que é você, mas a voz lenta faz com que seja efetivado o descolamento entre a imagem e o som, a lembrança do seu rosto ou o tom da sua voz me parece tão distante que não consigo alcançar...

Eu sabia que esta imagem ia ser decisiva para a sua partida, era voce indo e eu sentindo uma ausência absurda, um vazio tão grande que não cabia em mim....

Era a sua irreverência expressa na lentidão das articulações do primeiro minuto da cena do filme...

A Ausência em que voce expressa o sentimento da ausência, é vista de forma muito absurda porque você não tinha a referência da Presença...

Sei que é humanamente impossível sentir a falta de algo que nunca se teve, chega a ser um exercício do sobrenatural, onde a relatividade passa para um segundo plano e voce assume o primeiro plano de cena.

Você quer saber da credibilidade e eu instigo a veracidade, acho mesmo que você não é um monstro, acho que voce não pode ser um monstro, ainda mais, um monstro produzido em laboratório.

Você até pode ser um monstro, mas do tipo que se formou sozinho, não motivado pelas ausências, mas sim, pelas presenças dos seus fantasmas mal resolvidos... dos fantasmas que você não conseguiu delinear, não conseguiu fotografar e agora tenta me assombrar nesta noite infame!

Não irei me deixar levar pelas suas loucuras, a sua ausência de juízo sempre me importunou... eu que sempre tive a lucidez suficiente para nós dois...

Você foi minando a minha confiança em você, depois foi minando a minha confiança em mim e, finalmente, tenta me apresentar um monstro como fiel parceiro para as noites insones...

Eu não me identifiquei com o Frankie, porque não lhe vi nele, porque não conheço equipe de cientistas que fosse capaz de produzir algo tão absurdo, algo tão latente em mim, algo tão distante de você...

Eu não vou voltar para a sua casa, enquanto ele estiver por lá, eu vou estar ausente durante todo o período da exibição da ausência, e vou estar presente quando voce me presentear com o seu presente isolado do futuro, sem sombras de passado.

Só peço que me entenda, pois se não lhe reconheço, não posso pedir perdão, seria o mesmo que rezar sem a fé necessária, sem as crenças, sem as velas, sem a luz, sem a fala, sem você.

Estarei ausente por um longo período, portanto, procure me manter viva em suas lembranças mais remotas, de forma que no dia seguinte, você possa me reconhecer no primeiro olhar e no último beijo.

Esta é a sua única chance de recuperar a maternidade perdida, inexistente, inócua, incolor e inodora, porque, uma vez que voce não mais bebe, de que adiantaria rolar um mar de lágrimas?

Procurarei, ao acaso, me manter mais próxima durante a minha ausência, assim você terá ao menos a mim, quando sair desse transe.

Eu ainda vou ter que lhe reconhecer, portanto, não demore muito para ir embora, assim corre o grande risco de que eu finalmente decida fugir com voce.


MARIA BRANCO

domingo, maio 31, 2009

ela chupava com avidez e amadorismo

A fila e o silencio marcava um ritmo macabro àquela cena. O que será que tem ali? Todos na fila eram homens acima de 40 anos e tinham na mão um pequeno pote de sorvete, vários sabores. Caminhei então, até o inicio daquele aglomerado de homens taciturnos e então eu a vi, ela era uma menina de dois anos e segurada pelo pai, chupava avidamente o sorvete que cada um daqueles homens colocavam em seus pênis. Parei e fiquei a observar a cena e admirado estrangulei toda ontologia, e o meu ser era agora uma besta a observar uma profissional. Profissional? E percebi que não somente era o sorvete que ela chupava, com uma avidez e sem técnica, ela satisfazia cada um, e seus olhos revirados em latejantes espirros consumiam lagrimas em espôrros constantes, enquanto seu pai, sorridente, recebia quatro reais de mãos caladas e tremulas, que saiam parecendo de um inferno, com olhos tristes e atentos a vomitarem sorrisos em passados inumanos. Eu em um andar cambaleante gritei raivas impotentes numa insatisfação contraditória. Aqueles homens sorriam sangue e eu vomitava humanidade em meu cerebro combalido, eles gozavam e sorriam e ainda pediam descontos ao pai.
Fiz um rápido estudo da situação e resolvi ir embora, eu não seria um bom cliente, primeiro: gosto de conversar e me embriagar com as minhas parceiras; e depois um enojado sentimento assassino contorcia todo o meu corpo. Cansado e perdido em axiomas moralistas, caminhei e ao lado da casa, outras meninas maiores ofertavam bundas e resmungavam sofrimentos e despiam odores em flagrantes desesperos. Mais adiante um bar recebia os transeuntes e marcavam os pontos.
Ali de frente pra vida, eu lembrei de minha filha, e um vazio inexorável preencheu meus mundos. A vida era a vida, e pronto, não há salvadores e nem salvações. O mundo um imenso laboratório, e os descartáveis podiam sorrir dores em esperas macabras e buscarem na morte, uma possível recompensa. Saí dali a engoli guerras, e ruminar merda nos amores do mundo, que ainda me permitia surpresas e pesos. Desistências povoavam a minha cabeça e era um copo o que eu queria.
Entrei no primeiro bar ou o que parecia ser um. Bar da Creuza. E uma sorridente e baixa mulher me atendeu. Tomei alguns conhaques e uma cerveja e pude observar o macho da Creuza, um cara de bunda de viado recusado, teimava em afirmar que estava sendo traído - ele dizia - Você fede a cigarro, sua cama fede a cigarro e eu sinto cheiro de homem na cama – ela respondia - Não meu bem, eu não já lhe disse, um amigo meu fez um filme aqui e usou a minha cama – ele insistia – Filme? Eu sei qual filme - ela dizia – Não – ele dizia – Sim - e então ele zangado saiu com passos pesados e cara de fuinha. A Crêuza era feia, mas o cara era realmente o seu par perfeito.
Sai dali para mais um vomito e um bom sono de um sobrante bêbado solitário. O mundo cada vez menor me pedia silencio ou morte, eu não era um heroi era apenas um bebado moralista e cheio de verdades prontas. ADORMECI CANSADO E SABEDOR QUE NUMA TARDE FRIA MENINAS AINDA EM FRALDAS DAVA DURO PRA SUSTENTAR A FAMILIA. Eu tava ficando velho.

Ronaldo braga

terça-feira, maio 26, 2009

CRIANÇAS DE OITENTA- EU TE AMO (roberto carlos)




Os meus amigos Igor e amenom mascellane, estão jogando duro neste grupo musical, crianças de oitenta.
curta e vá ver o espetaculo deles breve em casas de espetaculos do brasil a fora.

quarta-feira, maio 20, 2009

poesia

A arte na bahia fervilha, poetas como luciano fraga, alyne costa,nuno gonçalves e joão morais lançaram seus livros do ano passado pra cá.
São poetas que labutam uma poesia impaciente, descompromissada e antes de mais nada potentes, cantando a vida em suas dores profundas.
São palavras irradiadas e contaminadas que marcam os caminhos a ferro e fogo no calor do existir, que clamam,que nomeiam, que decidem, que desnudam, que transtornam e potencializam o desejo.
São homens e mulheres enrascados no viver, acalorados nos perfumes florais e andantes de trilhas proprias. São magicos. São decididos e escrevem versos belos e crueis.
Viva a literatura de :
alyne costa, que lançou no ano passado o livro de poemas
"29 fragmentos";
luciano fraga, lançou em 2009, o livro
VAGA LUMES;
nuno gonçalves,Lançou recentemente
"CARTA DE NAVEGAÇÃO"
joão morais filho, acaba de lançar
"Em Nome dos Raios"
e poetas sucesso nas vendas dos livros.

ronaldo braga

domingo, maio 10, 2009

a poesia de graciela malagrida


1-2-3 ¡abracadabra!




1

Ocasiono luz
pronunciando una palabra
y en la pausa
pasan mil ángeles
en puntas de pie
.
.
.

2

Detrás del río
más ancho del mundo
detrás de la idea
inmensurable
no hay patas de cabra
ni nada que temer
.
.
.

3

sola está
la intención
en la atmósfera
del verso

sólo tu
te ves
como te ves
en el espejo

sólo yo
puedo transformarte
en príncipe azul
a la luz
de una
sola
palabra.

graciela malagrida



1
aconteço luz
pronunciando uma palavra
e em minha pausa
passam mil anjos
nas pontas dos pés



.
.
.

2
por trás do rio
mais longe do mundo
por trás da ideia
impenetravel
não há patas de cabra
nem nada que temer

.
.
.

3
só resta a
intenção
na atmosfera do verso


somente tu
te ver
como te olhas
no espelho


somente eu
posso transformarte
em príncipe azul
na luz
de uma palavra


poema de graciela malagrida e tradução
de
ronaldo braga

sábado, maio 09, 2009

CAMINHO

Pode me cortar em lâminas, já não sangro
As antigas dores agora saltam em jorros
Desdobram-se
Multiplicam
E em meu peito já não habitam
Rodopiam pelo externo
E brota em meu caminho um jardim repleto
Flores, cores, canções...
Pode me amarrar de corda, já não movo
Assisto a um desfile de cascatas com águas rubras
Os meus sonhos saltam os precipícios do que não ultrapasso
E se há dúvida, me abraço
Faceira, mineira, feiticeira
O começo sou eu
O fim sou eu
Mas importa, o meio, o ínterim, o caminho.
Que ninguém faz sozinho.
Vamos de mãos dadas e vidas doadas.



Alyne Costa

NELSON MAGALHÃES FILHO E MONICA MONTONE

não percam a peça cachorro rabugento morto em noite chuvosa.
toda segunda no mês de maio na escola de teatro.
IMPERDIVEL.












No dia 08/05 reestréia a peça "Apocalipse Segundo Domingos de Oliveira". Depois de apresentações de sucesso no Teatro Laura Alvim, em Ipanema, o espetáculo ganha curta temporada no Teatro dos 4, no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro.



A peça vem com nova roupagem: o texto continua o mesmo, mas a direção agora é de Marcia Zanelatto. O protagonista Deus está sendo interpretado por Gregório Duvivier (de Z.É - Zenas Emprovisadas), e outras modificações foram feitas no elenco.


Apesar das mudanças, a Fina Flor Mônica Montone continua a brilhar como Magnólia. "É uma nova experiência. Apesar de ser a mesma peça, muita coisa foi mudada, e o processo de reconstrução de Magnólia está sendo bem interessante", conta a artista.


"Apocalipse Segundo Domingos de Oliveira" restréia dia 07/05 para convidados e estará aberta ao público no dia 08/05, sempre de quinta à domingo, até o final de maio - curtíssima temporada.



Quin a sáb 21:30h / Domingo 20h

Preços: Quin R$ 30,00 sex e dom R$ 60,00 sáb R$ 70,00



Esperamos você lá,


Abraços,

. assessoria fina flor .
www.monicamontone.net

segunda-feira, maio 04, 2009

MUSICA E LITERATURA

Llorona - Eugenia León (Voz)




BOMBAS DE FALSAS POESIAS AMEAÇAM O MUNDO
este texto já foi publicado aqui neste blog, eu o estou re- publicando com a intenção de oferecer ele a lavanderia casa de cultura da ciudad de las sombras e a todos os pretensos artistas que legetimam a corrupção e a manuntenção dessa situação.
acorda cruz das almas.



(Ronaldo Braga)



A noite engolia tudo e a poeira batia impiedosamente em meu rosto, eu esperava encolhido, e sabia que a qualquer momento seria atacado por aquele cachorro de raça ruim, eu sabia e esperava com calma a hora certa de matar aquele cachorro mau, entorpecido por luas opiadas, aquele cachorro enlouquecido e peçonhento a deixar rastro de excrementos e poemas enganadores.



A noite ainda cresceria mais e eu estudava aquele mundo estranho, onde cachorros latiam palavras e jardins cortavam poemas perversos nos animais estúpidos com guitarras choronas e alegres. Era um mundo de madrugadas latejantes e de luas que queimavam amores e pariam sorrisos postiços, era um mundo onde a sinceridade era punida, a individualidade crime e castigada com a mordida do cachorro de raça ruim, que contaminava a todos com sua cara de tolo e de satisfação.



Eu sabia que não teria chance no amanhecer, porque todos os outros animais menores estariam ali a me caçarem, olhei ao redor tentando na escuridão sentir algum movimento e para a minha surpresa páginas e páginas voavam na noite escura e desgarradas das páginas poesias me ameaçavam, eram poesias sem nenhum nexo além do sentido da morte, da minha morte, e eu sorrindo me preparei para o pior, as poesias foram crescendo e caíam em mim como bombas de fósforos israelitas e eu lembrei das crianças palestinas assassinadas pelos filhos de deus, e me prometi não perder a serenidade pois a batalha apenas começava.



As poesias sem nexo caíam perto de mim fazendo buracos no solo de mais de dez metros de fundura, a qualquer momento eu voaria pelos ares, aquelas poesias tinham o apoio oficial: do governo, da academia e prefeituras e com elas todas essas casas onde se toma chá e onde todos se auto-proclamam poetas, toda aquela gente de raça ruim estava ali dando apoios e ajudando nos lançamentos daquelas poesias da morte.



Eu não tinha escolha, era esperar e morrer. De vez em quando eu recebia um papel onde eu assinaria e confirmaria a validade das famigeradas casas de cultura, das prefeituras e dos governos e assim eu seria salvo, e ainda poderia ser considerado um artista. Eu rasgava aquela medonha mensagem anti-vida e nada respondia.



Por um momento eu acreditei ouvir vozes ao longe e essas vozes foram crescendo e eu pude verificar que a lua agora era prateada e que poesias belas eram ouvidas e que aquelas páginas desgarradas e suas poesias de morte fugiam assustadas e eram elas que agora estavam escondidas e encolhidas, me levantei e pude ver poemas complexos que falavam da vida sem dó, mas sem prisão, sem dogma, sem certo e nem errado apenas as sensações que inflamavam tudo e o mundo continuou turvo, os falsos vermelhos de longe irradiavam ódios impotentes e o cachorro de raça ruim latia um latido inútil e desesperadamente cínico.



Eu ao lado dos poetas loucos e donos de seus narizes tive força pra ficar em pé e escrever estas palavras.
E o sol veio beijar os meus lábios.


ronaldo braga

segunda-feira, abril 27, 2009

medo

TENHO UMA SENSAÇÃO, que nem sei se posso chamar de sensação, mas me parece a melhor forma de designar o que estou sentindo. Desde ontem que um frio estranho percorre o meu corpo e depois vem logo um esquentamento que parece que tudo vai explodir dentro de mim.
O mundo tem estado pesado, uma atmosfera agressiva apavora passaros e ventos, e essa sensação estranha agoniza fatos antes relevantes e até mesmo de importancia capital, ao redor olhares curiosos meditam fotos e deslizam memorias numa suposta operação de salvaguarda.
Andar tem se tornado uma tormenta, nas ruas o medo é tolamente engraçado e as pessoas dão gritinhos histericos quando os olhares se encontram, além da latente ordem do dia, os ombros caidos denunciam a humilhante derrota popular, o povo aos poucos toma con/ciencia de sua nenhuma importancia, e fundamentalmente de sua covardia e cabisbaixo ensaia um sorriso de deus sabe o que faz, e lamenta o dia pesado e cansativo.
A sensação de inutilidade passeia pelo meu corpo enquanto que o frio e o calor intenso se revezam, são exatamente 15 horas de uma tarde poeirenta, de ventos e chuvas fortes, e eu sei dos vulgos do norte e dos sermões papais, os jornais noticiam o encontro de um corpo de uma menina em um saco num congelador de uma igreja envangelica, desligo os jornais e a chuva em minha frente é noticia ruim de um encontro perdido.

terça-feira, abril 21, 2009

http://www.amalgama.blog.br/04/2009/frida-kahlo-maravilhosa-e-visceral/






Frida Kahlo, maravilhosa e visceral

por Daniel de Souza * -


“Que maravilha!” Consta nos diários de Cristóvão Colombo esta frase para descrever os primeiros contatos do navegador genovês com o novo mundo. Séculos mais tarde, o escritor cubano Alejo Carpentier (1904-1980) aplicou o conceito de maravilhoso à realidade do continente americano e à Arte produzida nele.

Para Carpentier, o mágico, o absurdo, ou, se preferirem, o surreal em nosso continente é parte integrante do cotidiano e de nossa realidade. Em nós, diferentemente do que ocorre com os europeus, consciente e subconsciente se fundem num só, num todo, não há uma divisão. Fatos históricos e fenômenos naturais comprovam a magia e a maravilha do continente, basta-nos observar as linhas de Nazca, ou a arquitetura maia, ou ainda o Titicaca, lago navegável mais alto do mundo e berço da civilização inca.

A mestiçagem também é um componente a mais para nos tornar um povo, de certa maneira, mais propenso, mais ligado à magia e ao “absurdo”. Basta ver a nossa religiosidade, misto de religiões africanas, européias e indígenas. O vodu haitiano, o candomblé baiano são testemunhos do quão arraigado está em nossa carne o ilógico, (ilógico aqui quer dizer aquilo que não obedece a uma lógica cartesiana) e o quão arraigado está em nós o onírico, o imaginado.

É neste sentido que o “maravilhosa” do título vem adjetivar Frida Kahlo (1904-1954), pintora “surrealista” mexicana. Diferentemente do que ocorre com os pintores surrealistas europeus, mais notadamente o expoente Salvador Dali, que têm uma grande influência e uma tremenda assimilação das teorias freudianas, em Frida o surrealismo parece ser algo intrínseco, quase que naïf, como se, para ela, aquela fosse a única maneira possível de se expressar e de pintar.

Em Frida o ilógico é a única lógica. Suas metáforas parecem brotar tanto do centro de sua Terra – observar os quadros Eu, o Diego e o senhor Xólotl (1949), Flor da vida (1943), e O Sol e a vida (1947) – quanto de dentro dela mesma – observar as telas O veado ferido (1946), Árvore da esperança (1946), A coluna partida (1944; ao lado), esta última uma das telas mais fortes de todos os tempos.

Para explicar o outro adjetivo, visceral – que vem de vísceras, e quer coisa mais subjetiva do que as próprias vísceras? – teremos que dar uma pincelada em alguns dados biográficos da artista.

Frida Kahlo teve uma vida recheada de dor (é possível criar sem sofrer?). Filha de um pai epiléptico e de uma mãe extremamente religiosa, Frida, aos seis anos, teve poliomielite, o que a deixou com uma perna mais fina que a outra e com o pé esquerdo atrofiado, além de lhe render o apelido de “perna de pau” na escola. Aos dezoito anos, a pintora sofreu um acidente de automóvel, que lhe esmagou a coluna vertebral e lhe deixou impossibilitada de ter filhos. Tudo isso, mais as dúvidas quanto à própria sexualidade e mais a questão da identidade são temas constantes em sua obra.

Para mim, que sou um romântico declarado, a grande Arte é movida muito mais pela paixão que pela razão, e… Frida faz isso. Sua Arte é tão íntima, tão pessoal, tão “ego” que se torna universal, humana, “self”. Suas telas são todas metáforas de fatos, opiniões, sentimentos e situações pessoais. Frida Kahlo nos seduz pelo coração e não pelo intelecto. É mais ou menos o que Vincent Van Gogh também procurava fazer.

Outro aspecto importante a seu respeito, e que não poderia ser deixado à margem, é a questão da arte feminina. Frida é uma das primeiras pintoras a abordar de fato questões relacionadas ao universo das mulheres, como a maternidade, ou a impossibilidade da maternidade, por exemplo (ver as telas Nascimento (1932), A cama voadora (1932) ou ainda a questão da violência contra a mulher, que a pintora retrata tão bem na tela Uns quantos golpes (1935; ao lado).

Toda a obra da pintora é fascinante, mas todo artista tem aquelas obras que de fato são fora do comum, realmente impressionantes e que nos deixam boquiabertos. No caso da mexicana, as duas obras de tirar o fôlego são a já citada A coluna partida e As duas Fridas (1939). Esta, pintada pouco depois do divórcio da pintora com o também pintor Diego Rivera, é um auto-retrato composto por duas personalidades diferentes. No trabalho, Frida trata das emoções envolvidas na separação. A parte de si que era respeitada por Diego Rivera é a Frida mexicana, com trajes pré-colombianos e com uma pequena fotografia nas mãos, enquanto a outra Frida, não tão respeitada assim, leva um vestido branco mais europeu. Os corações das duas mulheres estão expostos e são ligados, um ao outro, apenas por uma artéria e a parte européia de Frida corre o perigo de se esvair em sangue até a morte, uma vez que uma das veias de seu coração, embora meio que obstruída, ainda sangra, manchando de vermelho o belo vestido branco.

É difícil pra mim, quando estudo, ou apenas aprecio a obra de Frida Kahlo, não estabelecer um paralelo com a canção “Beatriz”, do Chico Buarque, principalmente na voz de Milton Nascimento. Se repararmos nas expressões faciais da maioria das telas da artista, perceberemos uma certa imparcialidade de sentimentos, como uma atriz que se despe de si mesma para melhor se enxergar. Olhando somente para seu rosto, fico imaginando, “Será que ela é triste / Será que é o contrário / Será que é pintura… / E se eu pudesse entrar na sua vida…”

Então me deparo com o quadro A Máscara (1945), que inverte o principio da máscara, onde encontramos a verdadeira Frida, nua e desesperada. E eu posso entrar na vida dela, mesmo com vinte quatro anos separando sua morte do meu nascimento. Hoje escrevi essas linhas só pra dizer a ela que a amo e a entendo. É pouco, eu sei, mas “Se um dia ela despencar do céu / e se os pagantes exigirem bis / e se um arcanjo passar o chapéu…” quero estar por aqui e ter mãos carinhosas e palavras doces na língua pra dizer a ela.

Beijos, Frida.


* Daniel de Souza Lopes é formado pela UNESP e participou do curso de mestrado em Teoria Literária da USP. É professor de Literatura e Língua Portuguesa e Espanhola do Colégio Objetivo e da Rede Pública Estadual. Lançou recentemente seu primeiro romance, É preciso ter um caos dentro de si para criar uma estrela que dança, pela Editora Os Viralata. Blogue: pianistaboxeador21.blogspot.com.

segunda-feira, abril 20, 2009

a poesia de graciela malagrida



Remake de mis días líquidos
por graciela malagrida

"Entre agua y luces
ocurren los milagros
porque Dios
también es líquidoelemento
y fina hebra
encendida."
G.M.


1

Para que una palabra como "agua"
apague cierta sed
es menester que el Espíritu
la posea

Para que la ambición queme
verdaderamente
debemos estar duros y secos
como viejos maderos

Para que el fuego nos consuma
en cualquiera de sus formas
quizás, sólo haga falta
dudar.


2

Te bebo
en breves sorbos
para disfrutar
la suave
y extensa sensación
de llenura
sobre
llanura.

Te sorbo
ruidosamente
para llamar la atención
de los que sufren
por no haber abierto
aún
el corazón.

Te veo
en el vapor del barco
y en el río
que al recibirte
se soflama
.
.
.
y cuando se miran las nubes
en mi cara
soy el agua y la palabra
o la fusión perfecta
por tu inflexión, dotada de hermosura
que cíclicamente
vuelve a tí.

segunda-feira, abril 13, 2009

Texto extraído da peça teatral FUCSIA, de ronaldo braga e nelson magalhães filho

Betty Blue OST "Le Petit Nicolas"



Seus olhos são meus olhos do passado, você é triste.
Eu sou um morto e você procura justificativas, mas irei falar, atento a você.
Eu lamento não ter matado mais pessoas, eu lamento por todos os vivos estarem vivos, eu sofro em cada felicidade alheia. Claro que foram vários os momentos em que fiquei excitado. A felicidade para mim sempre foi poder observar ao longe o enterro da minha vítima. Eu com um binóculo observava atentamente rosto por rosto, seio por seio, bunda por bunda. A expressão de tristeza é surpreendente quando verdadeira, não tem uma máscara determinada, o indivíduo pode ficar dando risinhos curtos e contidos repetidas vezes, ou ficar olhando para lugar nenhum. Houve enterro que eu me zanguei e fui embora, a família sofria artificialmente. Injustos. Eu lhes dei um morto, uma chance única de expressar algo de verdadeiro em si, a dor, a raiva e a sede de vingança. Injustos, não reconheceram no meu trabalho tanto a importância da vida para eles, como pela qualidade na execução do serviço. Nada a reclamar, só chorar, e eles choram e não me convencem. Lamento não tê-los matado ali mesmo no cemitério. A bem da verdade matei alguns depois. Lamento não ter matado aqueles caçadores quando na manhã do ultimo domingo saindo das brumas os encontrei desesperadamente abatidos e nos olhos dos cães a tristeza latia em dor. Mereciam morrer...eu estou morto e vi em você a morte.
Sofro pelos anjos dissidentes com seus passos tristes e choro lágrimas celestiais nos jogos obscenos das janelas e das madrugadas. Eu sofro nos olhos visionários dos anjos partidos e as dores como os ventos são anjos bestiais que me beijam com sangue e aço.
Eu já escolhi quem morre.

ronaldo braga e nelson magalhães filho

sábado, março 21, 2009

Te adoro, poeta. por graciela malagrida

para mis amigos poetas de todos los puntos del planeta
para Fatima y Til, para Anjan, Ronaldo, Gabriela, Jorge, Iris, Julio, Sergio, Moni, Carmen y Youssef.

Y me dije:
-¡a escribir!-
Y encendí la máquina de versos
Y bajé una estrella del cerezo
Y exhalé un panambí
Así como así
De la nada.

Y te dije:
-… … …
me inspiraste-
O pensé que te lo dije
Ni bien se puso el sol
A dormir
A mi lado.

Y susurraste:
Te adoro, poeta
.
.
.
Te escuché
Te escuché.

O Caminho do Sol de nuno gonçalves e Metrô linha 743 raul seixas







Eu queria escrever sem saudades e usar ao invés de tinta o sal arcaico dos mares. Eu queria saber em qual dia exato se desfez em minhas mãos a carta sagrada – roteiro e guia – de minha viagem impossível às terras de pasárgada. Eu queria ser arrebatado por um instante – efêmero que fosse – para o mais distante: o lado de fora do tempo. Ao menos hoje não fosse domingo, não fizesse sol e tanta gente na praia ou ao meu lado uma mulher louca e tresloucada vestida com o silêncio da noite passada me fizesse num único e solitário gesto a companhia de estrela naufragada. Não sei quem sou nem o que quero – desconheço a força rude que me move. Não sei de onde venho nem para onde vou – apenas pressinto o cio dos ventos que se aproximam. Parir deve ser como sentir cantares de velhas partidas. Vi mais uma vez as jangadas e as carroças estranhas: incendiadas pelo fogo castanho de uma memória sombria e parda. Revi a luz negra do asfalto irradiando a madrugada inacabada de nossos sonhos perdidos. Quiçá ser pirata isso seja: navegar, navegar, navegar. Viver de saquear a história mais longa – grávida dos acontecimentos que poderiam ter sidos e não foram, feroz e felina com olhos de pasto incendiado. Seguirei palmilhando as intempéries dos dias vindouros – animal que marcha sobre o solo pedregoso. Ao menos não estivesse nesta fortaleza sitiada ou soubesse dançar qual as algas os ritmos lunares. Não usaria mais as letras e sim as sensações da pele. Não usaria mais frases parágrafos nem mesmo travessões e sim os movimentos mais lúcidos de um corpo que se recusa a definhar. Gostaria de me encerrar na caverna dos maiores – tocar o medo e a tristeza dos longos dedos de uma pianista em lágrimas. Não posso, nada posso. Sou corsário: imperfeito, inapto, partido. Antes de tornar-me porto abandonado pelos barcos, sigo. Testamento de uma outra vida – esta mais enigmática e indecifrável pois ausente de aconteceres. Preenchida por um uivo insensato – vibração cega de um nervo exposto. Havendo divindades vivas – serão elas também corsárias após o findar do impulso amoroso. Quedaremos tristes na praia ou nas margens ébrias dos rios e alucinadamente buscaremos nosso reencontrar. Eis a voracidade desta estória mais longa. Eis a força que sustenta a nossa dor. O caminho maldito do sol em todo o seu esplendor.


Nuno Gonçalves

segunda-feira, março 16, 2009

AGORA EU ME SENTIA UM SER HUMANO

Era bem pesada a carga naquele dia, como em todos os dias. A minha cabeça inchada e dolorida exigia mais uma cerveja pra voltar ao normal. Merda eu não poderia nem pensar em um trago antes do almoço, mais uma vez eu acordara tarde e vomitara mais do que o normal. O trabalho sobre a mesa acumulara, mas essa tarde seria como todas as tardes, assim que eu tomar uns tragos eu iria atualizar todo o meu serviço. Uma olhada ao redor e eu pude notar todos ali no escritório a murmurarem entre dentes e de um jeito como só os covardes fazem, com uma maestria e uma falsa valentia que me forçava a rir e então uma pontada violenta sacudia a minha cabeça.
O meu olhar percorria toda aquela papelada inútil e um clamor de raiva fazia a dor de cabeça aumentar até o impensável. Duas horas depois a conversa ainda era sobre mim e dona Z uma gorda que não sabia nem mesmo o que era amar dizia pra dona G uma magra azeda que sorria sempre por qualquer motivo, mais falava mal de todo mundo. No momento que eu pude ouvir era assim o diálogo das cobras esquecidas:
Dona Z - minha filha, como esse homem ainda trabalha aqui? Ele não faz nada até o almoço. E só trabalha um pouco pela tarde. Todos os dias ele vem com uma cara de bicho. Também bebe sem parar.
Dona G – bebida só! Minha querida ele deve ser um grande drogado. E as farras com mulheres! Não sei como ainda tem mulher que se dá ao desfrute de ir pra cama com um tipo desses.
A conversa era sempre a mesma. Quando não eram elas, era o senhor T. Um desprezível impotente e mesquinho, que estava sempre contando vantagens sexuais. Todo dia, ele contra o meu gosto, vinha até minha mesa, e me dizia com uma cara deslavada e mentirosa.
- Senhor P. essa noite foi maravilhosa, maravilhosa - e repetia a palavra maravilhosa, umas quatro vezes e completava:
- Foram duas gatas. 20 anos a mais velha, e foi por toda a noite. Estou cansado senhor P. cansado, mas disposto, e hoje vou produzir muito. - Ele dizia produzir muito e olhava para os papeis em cima da minha mesa e perguntava.
- Senhor P. o senhor tem problemas com as mulheres? - Ele perguntava e saía rapidamente e eu sabia que ele ia direto falar com o chefe, falar mal de mim.
A hora do almoço era o meu alivio, eu tomava uma cachaça e bebia duas cervejas bem geladas, e comia uma comida fria e descansava por 40 minutos e então voltava ao trabalho e todos podia então saber por que é que eu ainda trabalhava ali. Além de resolver assuntos do chefe, que os imbecis jamais resolveriam, eu dava duro. E sempre pela tarde, eu estava de novo atualizado. E então eu olhava pra dona Z e dona G e dizia.
- Aí, vamos dormir juntos hoje? Nós três. Aproveitem que hoje eu estou comento qualquer desgraça.
Elas sorriam como só os covardes sabem fazer e respondiam juntas
- Senhor P. não diga isso, nós somos duas senhoras de respeito. - E ficavam lá doidas que eu insistisse no convite, e aí eu saía vitorioso e tranquilamente ia para o meu santuário, o bar Taetro.
O bar Taetro era do amigo Z, poeta e pintor e outras coisas.
O poeta Z. me vendia fiado e não ficava muito preocupado. Z. queria mesmo era uma boa conversa e ler meus textos, eu também arriscava uma luta desigual com o papel e a caneta.
Com o Z, eu passei a conhecer poetas e escritores mortos e vivos e gastar algum com livros. Eu compensava bebendo fiado e de graça no Taetro. No passado o bar apresentara peças teatrais, mais um agrônomo que se auto - intitula artista e que diz ser o dono do espaço onde fica o taetro criou problemas com a prefeitura que é a dona mesmo do prédio e Z desistiu. Agora só leituras de textos poéticos que aconteciam logo após o fechamento do bar. Eu era sempre convidado, e não perdia uma única leitura e então eu chegava cada dia mais tarde no trabalho. E aí o Z dizia
- P largue aquilo e venha ser meu sócio, tem comida, bebida, poesia e teatro e você dorme aqui mesmo e tem um lugar pra você vomitar a vontade. Eu respondia sorrindo
– Qualquer dia desses Z., mas, e sua mulher? - Z me olhava bem, me media e respondia.
- Se você passar do limite eu te mato. E depois dava uma gargalhada. Eu sabia que o Z. falava a verdade. O Z era legal, mas era homem de verdade, não tava pra brincadeira sem sentido e o sentido era o Z quem determinava.
Bebi mais uma, fui ao banheiro, vomitei tudo o que pude e voltei e me escorei no balcão e comecei a observar o Z. trabalhar. Tomei mais algumas, e depois já com o bar fechado, li alguns poemas novos e agarrei a Lídia e fui pra casa, pra mais uma foda nesse mundo benevolente, poético e apaixonado por mim. Amanhã seria mais um dia de cão.
Acordei assustado, de novo eu sonhava a mesma coisa, sonhava ser um poeta bêbado, e aquele sonho me deixava o dia todo azedo, ainda deitado olhei para o lado e o livro O Cobrador de Rubem Fonseca me olhava, como um pedinte, e então eu pude racionar, toda vez que aquele assunto voltava, eu tinha esse maldito sonho, olho o relógio e vejo cravado cinco e trinta da manhã. Olho para o outro lado e em cima de uma velha cadeira, além de muita roupa suja um litro pela metade de vodka. Não tenho duvidas, bebo de uma vez uma boa golada e depois de tossir sinto a vida se restabelecendo e passo a matutar minha vida.
O conto o cobrador me impressionara e estava a impor em mim uma atitude, por mais de vinte vezes acontecera sempre de eu falhar no momento da ação, eu repassava os atos em suas minúcias tentando encontrar uma razão para tal desfecho, cada vez eu acreditava que era em mim que tava o problema, eu parecia sempre não pronto, e isso me deixava encolerizado e significava alguma coisa quebrada em casa. Olhei a casa numa geral e quebrei o filtro de barro, a água jorrava e eu sorria e me acalmava.
Agora nessa manhã de abril, depois de ler pela décima vez o cobrador, eu rabiscava com um lápis preto as diferenças entre eu e o cobrador, e além de todas que eu enumerava a mais importante era que ele progredira e eu fracassara. A ultima vez depois de amarrar a senhora e já prestes a lhe decapitar eu começara a vomitar e fui obrigado a solta-la e ela saiu correndo e agradecendo a deus, maldita deveria agradecer ao meu vomito ou a mim ou a não sei lá o que?
Fui ao banheiro e já eram 11 horas quando eu repensei os meus objetivos e pude notar que eu não pretendia mudar o mundo, como queria o cobrador e sua Ana, eu queria matar por algo que eu desconhecia, algo bem grande que me tomava todo e me fazia ver a estética verdadeira do ser chamado de humano. Eu percebia claramente que agora era preciso identificar esse algo e domá-lo, só assim eu poderia eliminar esses vômitos.
Ao meio dia durante o almoço planejei a minha ação e a razão pela qual eu a realizaria. O senhor Vivaldo o leiteiro seria a minha primeira vitima, ele sempre dizia ao meu pai que eu era um caso perdido e achava que o melhor para mim seria trabalhar e não estudar, eu era burro garantia o leiteiro, - eu ouvia ele falando com meu pai e agora sabia qual tinha sido o meu erro eu tentara matar mulheres, a imagem da minha mãezinha não, não e não, eu não poderia zangar a minha mãezinha. Não mataria mulheres, seria seu Vivaldo, EU PRECISAVA ELIMINAR TODOS AQUELES QUE SIGNIFICAVAM IRRITAÇÃO SÓ COM A LEMBRANÇA E SEU Vivaldo era aquele que dizia ao meu pai com aquela boca nojenta:
- Seu augusto o P não presta pra nada –
Agora eu tinha um objetivo e teria que fazer bem feito afinal aquela seria a minha primeira grande lição na vida, e para fazer bem feito teria que ser com muita dor, eu queria sentir o sofrimento e olhar a cara do miserável.
Almocei e me vesti bem, escolhi uma faca, enrolei em um pano verde e a guardei no bolso do paletó. E saí em busca do meu destino.
Eu conhecia bem seu Vivaldo, com sessenta anos se gabava de ser forte e de ter boa saúde. Entrei na sua casa pelos fundos às 14 horas e sabia que ele estaria dormindo na rede, furtivamente cheguei até ele e enfiei com força a faca em sua barriga, a retirei carinhosamente e ao seu ouvido bem baixinho e comovido lhe disse:
- Seu Vivaldo o senhor foi o escolhido, aproveite e desfrute desse momento que será o seu ultimo.
Ele me olhava inicialmente com ódio e surpresa, depois a dor o tomou por inteiro, eu cortei os seus dedos, vazei um dos seus olhos e calmamente perguntei:
- o senhor quer escolher alguma parte para eu cortar –
Ele já não mais gritava e então tive uma idéia, fazer uma sopa de seus dedos, acendi o fogo preparei a sopa e enquanto a tomava resolvi que era hora de ir embora, então sem pressa segurei a sua cabeça e cortei a garganta, e pude me embelezar com o movimento nervoso, enquanto o sangue escorria e fugia daquele velho e forte corpo, tomei o cuidado pra não me sujar e sair então da mesma forma que entrara, pelos fundos.
Eu agora me sentia um ser humano.

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