sexta-feira, novembro 28, 2008

sorriso de aluguel

como em um possesso jogo desesperado
almas sofridas desfilam
poses
em um interminavel carnaval de derrotados.

E os poetas da paz
beijam os anjos em noites de lua preta
e
assassinam a vida em seus belos versos corrompidos.

É um tempo de mentiras,
de vidas interditas,
e de poetas que soluçam sorrisos de aluguel
e insistem
nos fluxos invernosos que extrapolam os verões e
calam os beijos.

E é um tempo de verdades,
pois sei,
no olhar dos amantes a palavra recorta o murmurar
e desafia o cantar surdo
numa canção aos corações soturnos e delicados.


ronaldo braga

segunda-feira, novembro 24, 2008

terça-feira, novembro 18, 2008

Mercedes Sosa - Gracias a La Vida (Violeta Parra)



pra mim uma musica que ficará marcada na minha vida

domingo, novembro 16, 2008

PENSAMENTO DO DIA

"QUEM SÓ QUER PAZ E NÃO QUER GUERRA É UM FALSO E SÓ CRIA DESAVENÇAS POR ONDE ANDA.
QUERER GUERRA OU PAZ NÃO DETERMINA O ACONTECER DA GUERRA E OU DA PAZ."
Ronaldo Braga

Mosaico de Rancores: capítulo 16

Lá fora o sol secava as poças da última chuva. As tempestades passam, a calmaria chega, tarde, mas chega, no entanto, não são capazes de apagar os buracos deixados no asfalto. Um piche negro esconde meus olhos. Desviemos. Eu sorrio ainda, naquela foto de anos atrás, ao redor dos olhos, as rugas miravam minha tristeza. Olhos parados, sem expressão, olhos de pouco ver. Eles flertavam com a morte. Ela chega devagar, furtando um dia de cada vez, como esses amores brutais de subúrbio, os quais terminam manchando o chão e as páginas dos jornais. Aos domingos ela parece chegar manca, tenho a vaga impressão que não há mortos nem ternos de domingo. Filmes mudos atravessam minha retina. Ele me fita nesses instantes, nesses segundos singulares nos quais a vida se liquifaz entre nossos dedos. Negativos suspensos por toda a casa. A morte descansando sob nossos varais. Roupas sujas. Há sempre meias sujas escondidas no fundo de algum armário, no abismo covarde de algum baú. Os carros passam e a fumaça fica. Minhas narinas estão atravancadas. Não sei se é alergia ou desespero. Ou medo de inspirar todo o lodaçal que atravessa minha rua. Formas geométricas se avolumam na minha cabeça. A menor distância entre dois pontos é a reta. Rios verdes correm avessos a minha vontade. Queria que os ratos e as flores jamais se encontrassem.

Marcia Barbieri

terça-feira, novembro 11, 2008

Janis Joplin - kosmic Blues




toronto canadá 1970

Friedrich Nietzsche

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o. "




Friedrich Nietzsche

sábado, novembro 08, 2008

raul seixas trem das sete

FASSBINDER NO ICBA. IMPERDIVEL




O Goethe-Institut Salvador-Bahia convida para a mostra de filmes:
Clássicos do Cinema Alemão – Parte 2
RAINER WERNER FASSBINDER

Período: 4/11 a 9/12/2008 (sempre às terças)
Local: Cine-Teatro do Goethe-Institut - Av. Sete de Setembro, 1809, Corredor da Vitória, Salvador-BA
Horário: 20:00
Informações: www.goethe.de/bahia

a escrita de diego pinheiro

OS OLHOS DA VERDADE

Falávamos de coisas muito corriqueiras, não nos engrandecia em nada conversar o que estávamos conversando, mas conversávamos. Uma vez ou outra as pessoas se permitiam um momento de felicidade eufórica.
Naquele dia eu tinha algo pra fazer e resolvi ficar compenetrado, é claro, da minha forma, tentando dissimular descaso e isso me fez andar um pouco mais a frente do grupo. O mesmo parou. Tinham encontrado um amigo, parece que era um amigo de uma das pessoas, tive noção do atraso e voltei.
Conversaram, se despediram, e foi aí que ela veio... Olhos marejados, sendo que um deles parecia estar “catarateado”, descabelada e é claro vestia-se muito mal. Era uma senhora, pelo menos aos nossos olhos, talvez as necessidades que passava a fizessem bem mais velha. Ela pediu dinheiro. Pediu lamentando como se esperasse que não conseguisse nada... Acho que fui até maldoso ao dizer-lhe que veria se eu tinha alguma coisa, quando eu não tinha. Um dos nossos amigos pegou a carteira timidamente, sem olhar para a senhora, mas fez um sinal expressando negatividade logo após uma outra pessoa do grupo ter dito algo pra ele, algo que era inaudível pra mim.
Ela tinha nos esclarecido que era pra comprar leite, leite para as crianças dela, e se algum de nós estava duvidando, que fosse comprar para ela, então. Eu ainda disse que não, que não precisava desse ato de incredulidade.
Ela se foi. Eu fiquei meio que indignado, talvez fosse essa palavra certa. Foi instantânea a minha falação: “Isso me deixa...” Não completei. Uma amiga minha tinha complementado com um “eu também”. Eu já não pensava “no algo” que eu tinha a fazer – cabe dizer aqui que eu penso demais, e essa questão me tirou do foco que eu tinha – e foi quando ouvi um comentário que me deixou mais indignado: “ Olha gente, não fique assim, não, porque ela sempre faz isso. Ó, ela mexe no olho pra forçar a lágrima a sair!” Uma outra pessoa, a qual tinha falado com o amigo que tinha tirado a carteira do bolso confirmou o comentário. A amiga que tinha dito o “eu também” esclareceu que um olho dela estava meio que doente, era o “catarateado”, então a primeira que nos esclareceu quem a senhora era disse que supostamente o olho dela estava assim pelo fato de tanto mexer no olho para que forçasse as lágrimas. Ainda brinquei dizendo que ela era uma boa atriz e tinha me convencido.
Parei e pensei, me controlei para que eu não pensasse alto. De fato, se eu precisasse de comida, tanto para mim quanto para os meu filhos, eu usaria desse tipo de convencimento, ou até mesmo se eu precisasse sustentar os meus vícios, independente do que sejam esses vícios.Parecia que nenhum de nós tinha ciência se ela era uma pessoa que tinha o propósito de pedir dinheiro para os filhos ou para qualquer outra coisa.
A verdade é que estamos sempre nos policiando, sempre na sombra, por isso não encarem esse texto como uma crítica aos meus amigos, mas uma crítica à sociedade que fizeram de nós pessoas desconfiadas e de escura compreensão.


Diego Pinheiro