sábado, outubro 18, 2008

A POESIA DE LUCIANO FRAGA

Silêncio para um Blues

(Ao som de R. Johnson)


Certas noites,
meu orgulho agoniza
com ânsias emprestadas,
pesadelos de uma sexta-feira
fria e assombrosa.
Não tenho idéia
do anônimo porvir
preparado com o frescor
de ave com má vontade
que passeia em meu jardim
fantasiada de gazela.
Vulva de donzela insultada
sob um candeeiro aceso,
teimosia de guardião
que queima no fogo a lenha
e singra o passado
com borras de barcos roubados
debulhando miragens incertas
com alfinetadas raivosas...
Em meu crânio conturbado
imagens em preto e branco
contrastam com sonhos
em cores vivas
até cerzir toda carne
desta vida esmolambada...
Ah, se eu soubesse,
tocaria um blues enlutado...


LUCIANO FRAGA

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