quinta-feira, outubro 09, 2008

A POESIA DE DANIEL LOPES

TRÊS

Já aprendi a ir embora
O que não quer dizer que não doa
Eu empresto meus pés ao vidro
Eu empresto meus olhos aos punhos
Eu empresto meus dentes ao caos
Eu ofereço dez mil faces novas a dez mil mãos espalmadas
Não é por bondade
Nem é por maldade
É por ser gente

Há muito
Deixei de entoar cantigas de guerra
Mas invento novos impérios vermelhos
E crio línguas outras
E faço as religiões que me convém.

Não sei se é já esta a minha hora
Quem sabe?
Mas enquanto as borboletas,
De asas dadas, vêm trazendo a primavera
Deixo um conselho simples às lebres
- Não se metam com a fúria do Leão.


DANIEL LOPES.

3 comentários:

Braga e Poesia disse...

vou ler essa poesia no interditado 11, junto com uma outra, ambas eu gosto de uma maneira completa:
corpo e intelectualmente.

Luciano Fraga disse...

Ronaldo, este poema do Daniel é enfático e preciso,já tive oportunidade de comentá-lo de outra vez, aguardo agora na versão Interditado, abraço.

Zinaldo Velame disse...

Bom poema, com força, sensacional! Valeu, Ronaldo! Valeu, Daniel!