quinta-feira, julho 10, 2008

SOU UM PORCO OBSCENO

Sou um porco obsceno.


Luzes congelam estradas embalsamadas
nas memórias tristes das meninas mortas
e o
poeta avestruz nos festins das comadres
chora
caluniado,
por verdades agudas.

E instintivamente eu recuso
os porcos falantes das medusas enviuvadas
e não choro
nas noites das especulações carentes.

Mas fujo
das casas tristes onde a falta de luz congela
cada sorrir dos poetas.

E nas horas amargas
faço crescer em mim o assassino
E me descubro
O único porco obsceno,
Pois eu sei as luzes cansadas
não cansam
a cara dos sem cara.


ronaldo braga


poesia resposta
ofereço esta poesia à poesia de nelsom magalhães filho,
publicada no www.anjobaldio.blogspot.com/

3 comentários:

ronaldo braga disse...

pra quem se interessar as casas tristes são as casas de cultura e especificamente a casa de "curtura" de cruz das almas.
um abraço aos ofendidos.

Fabrício Brandão disse...

Abstraindo quaisquer discussões sobre pontos de vista divergentes, meu caro Ronaldo, a beleza de seu poema supera a corrente do mal.

Bravo!

Abração e Vida Longa às palavras!

ronaldo braga disse...

fabricio muito obrigado por sua presença e parabens pelo seu espaço, seu blog. não só pela qualidade mas tambem pela diversidade de ideias.