sábado, julho 12, 2008

SEU VESTIDO VERMELHO NÃO MOLHA MAIS O MEU CORAÇÃO

Usar as minhas botas velhas?
Você?
Eu não estou surpreso pela linha de raciocínio que você se me entrega, eu sei que sempre foi assim em suas intermináveis conversas, tudo começava com uma calça ou mesmo uma camisa e até uma meia, e aquele cueca era típica de homens menores ou você descobria de repente que aquela minha bermuda predileta não era roupa de uma pessoa de bem e que as mentes vazias, não possuem uma classe pra se vestir, e depois de soltar todos os seus fracassos em minhas roupas, a senhora continuava a falar, falar e falar.
A senhora nunca mudou, toda sua festa resume-se em anunciar ao mundo, a descoberta da existência de um lado escuro em mim, como você me dizia, antes de recusar o almoço.
Mas na verdade depois dessas aparências, a real intenção surge em seu horizonte: viver pra me difamar.
Mas como diz o seu texto, as minhas botas velhas, desnudam, não um andarilho, antes, um corredor, uma pessoa que buscou o tempo todo fugir das desilusões dos cosmopolitas do terceiro mundo e que não teve medo de silenciar diante da pequenez dos que se acharam gigantes.
Sim é bom você reconhecer, eu vivi esse tempo todo embrutecido pelo caldo vicioso de suas veias e ainda cuidando de suas banalidades, e mesmo sabendo de seu estado doentio, eu tudo fiz pra lhe manter digna, ignorando conselhos até mesmo de sua família.
Outra vez surpreso, não sei a que chama você se refere.
Na verdade, a senhora nunca teve paciência com nada além dos elogios à sua beleza ou aos seus belos vestidos e acessórios, você sempre foi fútil, exatamente isso: superficial.
Racional?
Você?
Delirando como sempre, toda vez que você faz alguma feitiçaria você se autodenomina de racional, e de amante. Saiba que seu amor impossível é realmente totalmente impossível, uma vez que amor em sua pessoa é um engodo, ou uma brincadeira de terror, só a senhora é que não sabe disso e continua a cantar o amor como tempestade, e depois cansada, deprava o mundo com suas lamentações reativas.
As nossas conversas sempre foram as ultimas e não há nada nelas que mereça ser recordada. È essa sua mania por símbolos, eu já lhe informei que novos encontros se tornaram improváveis, não por seu vestido vermelho, ou mesmo pelos seus sapatos azuis, não, mas sim pelas fechaduras de sobrepor dos pobres, com seus cuidados para entrarem em suas casas e não ferirem o ombro. Você sabe que sou sentimental e que a presença de um pobre me faz chorar e lembrar, até hoje não sei por que, das fechaduras de sobrepor.
Você pensa que eu me importo com suas bebedeiras ou danças ou orgias, o meu pequeno mundinho conhece a verdade dos seus sonhos, toda a sua fantasia se reduz em me destruir, em repetir sua canção de morte por toda a minha beleza, que você não limitou em diminuir, e agora pretende fazer crer que nunca houve.
Eu sempre soube da sua busca incansável ao meu outro lado e dos seus rompantes como esse de me perguntar se é repetitiva? A sua musica sempre foi de uma nota só.
Eu estou no único lugar pra onde você nunca olha: dentro de você, e seu vestido vermelho apenas é a sua esperança de me afastar pra sempre, de me fazer ir, sair de você e finalmente você poder me encontrar lá dentro de sua guerra suja, indolor, inocente e silenciosa.
Há dias que acordo e vejo sua sombra encardindo meu sorriso e sei então de suas dobras e espero o vir a ser de suas dores, com a certeza dos cortes resistentes das minhas memórias.
Nada espero senão encontrar-te em tua ausência.

ronaldo braga
patrocinio
BAHIA TERRA DE OS NÓS
E NÃO FAZ CULTURA

5 comentários:

Luciano disse...

Ronaldo,belo texto,a vida sendo renovada,"no presente a mente,o corpo é diferente e o o passado é uma roupa que não nos serve mais...",vestidos,botas,gente,passam.

Braga e Poesia disse...

porra luciano vc é um genio. entedeu o recado.
vestidos, botas, gente, passam.
o pior é carregart a merda dentro de nós.

megcoelho_vaz disse...

Ronaldo, belo texto, renovar é preciso, mas... as máscaras!!!velhas máscaras que passam, novas máscaras que colocamos no teatro da vida para simplesmente sobrevivermos porque na verdade não temos coragem de sermos o que somos ou as máscaras são reflexos do nosso interminável desejo de ser?
O seu texto me fez pensar isso.

Braga e Poesia disse...

que bom lhe achar aqui.
meg volte sempre.

Luciano Fraga disse...

Megcoelho,verdade,as máscaras quando caem,são terríveis,piora para os que tem medo do espelho,a vergonha mata,mas apenas os dignos.