terça-feira, julho 29, 2008

segunda-feira, julho 28, 2008

interditado 2



na proxima segunda-feira no interditado 3
a poesia da poeta fabricia miranda. imperdível.

domingo, julho 27, 2008

Critica ao quadro DO ARTISTA PLÁSTICO nelson magalhães filho, SÉRIE DOS ANJOS BALDIOS 2008




O trabalho do artista plástico Nelson Magalhães Filho, nomeado por ele de série dos anjos baldios 2008, tem já em sua nomeação uma decisão estética, ato de um artista que não somente preza a técnica, mais maduro, pode compreender todo o valor de uma composição, uma vez que a intitulação nos leva para uma caminhada, uma serie começa, mas, quando termina? E o que busca? O que caminha? E pra onde caminha?
Tem a composição Nelsoniana já esta busca pela verdade, e não o encontrar de uma verdade, uma vez que são anjos, mas baldios que mesmo nos ignorando, dos seus olhos nos implora dor. Nos beijam com e na sua dor. Olhar o quadro da série é beijar a minha dor mais guardada.
O trabalho do artista plástico Nelson Magalhães Filho, intitulado de série dos anjos baldios, tem um estranhamento, que somente os grande artistas possuem, sua obra um corpo sagrado numa sinfonia de acalentos, onde um crime foi praticado, um crime perfeito, e a perfeição é que é o próprio crime, porque elimina a vida, e é contra essa perfeição que o mundo dos anjos baldios se volta, pois eles sabem que o crime é mostrar o real, e realizar o real, é fechar o viver nesse pretenso real, reduzindo a vida ao meu entendimento dela. Pra ser perfeito o crime tem que eliminar a perfeição, portanto não há crimes, há dor e sombras sofrendo por entre dedos e prosas em ninhos, onde é a vida que escondida repousa para sempre.
No quadro que agora eu olho, não vejo medo nos anjos baldios, mas gestuais míticos nos doando a vida como um presente e não como uma cobrança, é a vida que escapa dos quadros de Nelson para aquele que o olha de frente, é a vida que não existe em mim que me olha de lá me dizendo: veja o meu sangue, o meu sangue é derramado na vida, na caminhada, nos encontros, nos desencontros, e tudo isso é dentro, é a vida inteira dentro e você sabe que é a vida que lhe olha por que você não pode olhar a vida.
E todo esse diálogo, quadro versus platéia, assusta aquele que olha pela primeira vez uma obra deste artista. Nelson tem que ser digerido lentamente e sem medo de sentir medo, é a minha vida que treme dos quadros dele.
Toda a geografia desta obra nos remete em cada detalhe em direção a um mundo cru, estranho e único.
Eu não vejo mais a obra do autor, eu vejo a minha dor, a minha vida fora das telenovelas, fora da meta – narrativa. Aquilo que eu vejo, não é o que o artista pintou, o artista pintou meu intestino, meu coração pesado, e minhas lembranças-lambanças. Finalmente eu abro os olhos e tomo coragem: estou agora de frente para o quadro, que por sua vez não me olha, parece olhar para uma platéia maior, como um personagem trágico do teatro grego com suas mascaras, com suas dores e sua sofrida dignidade. O quadro me mostra duas figuras que se entrelaçam e pode parecer uma única pessoa, por outro lado nos trás uma imagem que tanto pode ser a figura do pai e do filho, como do opressor e oprimido, mas essas informações são primárias, elas não estão ali, é a minha limitação que dita a minha leitura, depois o quadro começa a falar, e meu corpo como o corpo da obra sente a presença de um algoz e vítima de si mesmo simultaneamente.
Faz-se importante salientar na série dos anjos baldios alguns pontos: primeiro que não encontramos ali a dor em demasia, a composição se completa em uma economia da dor, a obra tem na sua tragédia mais que um sofrimento e sim uma vontade de expressão que explode em um grandioso espetáculo trágico.
Também se faz importante destacar a produção do conhecimento, é o conhecer que a todo custo o quadro quer, insiste e perpassa toda a sua potência, potência de conhecimento, exalando no viver, o caminhar.
Para minha visão, se destaca entre cores fortes que mais parece meu grito, duas figuras humanas, uma de pé e outra ligeiramente à frente e com o pescoço contorcido para trás, parecendo protegido pela figura maior. Há duas informações se afirmando, uma figura parece segurar a outra com um braço que gigante desmorona uma possível cordialidade, mas também se revela uma mancha por trás deste braço ameaçador, um outro que se esconde insinuando uma possível inutilidade, e uma outra figura que olha sem linçença direto pra minha ausência.
Nelson não pinta aparências, e neste seu quadro não há pessoas, antes sombras que teimam em um não viver, é a denegação da vida em murmúrios doces, presentes em cada gestual da cor.
Sustentando um blues, Nelson nos acalenta com a firmeza da mãe que balança nos braços, cantando musicas de ninar pra dormir o filho morto, mas por outro lado, Nelson não busca a catarse, ele não aceita continuar embalando o filho morto, e essa imagem é superada no braço que inútil se esconde entre os corpos e no algoz que é vitima e na vitima que é algoz.
É no corpo que Nelson grava a sua história, e é no corpo daquele que ver o seu quadro que é definido no sofrimento uma meta, pois os olhos das sombras olham pra fora do quadro, olham pra frente e pra bem longe de ambos,eles olham a vida, e a vida ta lá fora é só lá fora que tudo ou nada pode acontecer, pois a vida não está no quadro, a vida pertence a quem olha o quadro, e é só lá fora que pode haver interesse no quadro, os personagens se tocam, mas se ignoram, não existe relação, há exclusivamente "um estar ali", "um não estar no mundo", e tanto pode ser uma brincadeira do meu próprio mundo, como uma lição tardia. Nada ta no quadro e sim tudo está fora dele. A vida esta fora dele, a morte está fora dele.
E inutilmente eu brigo com essa sombra o tempo todo a me não olhar, e perversamente sempre a me ver e insistentemente a me dizer: você não me olha, você olha você. É em você que reina tudo o que você pensa que vê aqui, é apenas você como realmente você é.
Venha, se olhe e viva.

Ronaldo braga

terça-feira, julho 22, 2008

Interditado 1




o blog do poeta luciano fraga
http://www.versos&perversos.blogspot.com

a poesia de charles bukowski

Poesia

é
preciso
muito

desespero

descontentamento

e

desilusão
para
escrever

alguns
bons poemas.

Não
é
para
todos

nem

escreve-los
ou
mesmo

lê-los.


ofereço este poema as medusas enviuvadas e seus porcos falantes.
o velho buk não perdoava.

sábado, julho 19, 2008

chavela vargas

En el último trago




ouvir e sentir a beleza de um canto com a alma.
e um pouco da sua vida.
Chavela Vargas
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Chavela Vargas

Concerto de Chavela Vargas em 2006, Madrid (Espanha)

Informação geral
País: México
Origem(ns): San Joaquín Flores (Costa Rica)
Gênero(s): música mexicana
Isabel Vargas Lizano, conhecida como Chavela Vargas, (San Joaquín de Flores, Costa Rica, 17 de abril de 1919) é uma cantora da tradição ranchera mexicana. Teve grande evidência nos anos 1950´s no México quando enamorou-se da artista plástica Frida Kahlo. Após uma carreira bem sucedida no gênero, e posterior decadência pela idade, foi redescoberta pelo cineasta Pedro Almodóvar, que resgatou seu talento agora em provecta idade, apresentando-a em seus filmes. Publicou sua autobiografia em 2002 em livro intitulado Y si quieres saber de mi pasado, onde revela suas predileções, inclusive adição ao alcool.

Atualmente vive na Espanha, recuperada socialmente e artisticamente.


[editar] Discografia
Piensa en mí, 1991
Boleros, 1991
Sentimiento de México (vol. 1), 1995
De México y del mundo, 1995
Le canta a México, 1995
Volver, volver, 1996
Dos, 1996
Grandes Momentos, 1996
Macorina, 1996
Colección de Oro, 1999
Con la rondalla del amor de Saltillo, 2000
Para perder la cabeza, 2000
Las 15 grandes de Chavela Vargas, 2000
Grandes éxitos, 2002
Para toda la vida, 2002
Discografía básica, 2002
Antología, 2004
Somos, 2004
En Carnegie Hall, 2004
La Llorona, 2004

o texto e a resposta

o texto




Você não fala e eu continuo te escutando.




O seu silêncio me instiga, me provoca verdadeiras alucinações contemplativas. Este é o ponto mais inerte em todo o processo: você não fala e eu continuo lhe escutando, ao meu modo, com o seu timbre de voz oculta, e com as palavras que eu coloco em suas falas. Isto é muito louco, é mesmo insano, pois se tenho todas as respostas, qual o motivo do questionamento?

Não falarei da minha, ou melhor, da nossa insanidade, acho que este fato já foi discutido e, sem dúvida, pouco tenho a acrescentar. Digo isto de forma conceitual, sob o ângulo das teorias psicológicas, afinal, todas as horas dedicadas ao estudo da sua forma de encadear os pensamentos, bem como, das suas ações, foram recompensadas de forma magnífica.

Hoje, mais que ontem, posso falar do que aprendi neste estudo milimétrico com o qual tracei o seu perfil. Foi assim que construí a nossa história de amor. Eu te amo hoje, ainda mias que ontem, e nem por isso posso deixar de matá-lo. Retomarei a minha vida tão logo estejam resolvidas estas banalidades de vida e morte.

Na verdade, venho lhe matando durante estes últimos doze anos, confirmando o início do período da eclipse lunar. E, de forma surpreendente você continua muito vivo. Tão vivo como o meu amor cigano. Você no alto da sua postura, tão belo, tão distante, de botas e insano.

Você invade o meu ser em todas as horas vagas, fico repleta do seu cheiro, impregnada das suas palavras, das frases construídas em versos, no tempo em que você falava.

Você falava e sua voz soava como um cântico barroco, com aquele sentimento de culpa egresso da religiosidade negada. Era você falando e eu pecando voluptuosamente, nos meus pensamentos ateus, em contraste com o seu lirismo barroco.

Confesso hoje que construí, sem culpas, um mundo de pecados onde você desfilava na minha frente enquanto eu lhe devorava com os olhos. Era um mundo mágico, onde nunca deixei que você adentrasse fisicamente. Você sempre foi desastrado, imagine se eu consentiria em você pisar, de botas, neste universo tão limpo, tão cheio de pecados, tão meu que não ousaria dividir com ninguém.

Construí muitas coisas nestes últimos anos. São mesmo tantas que já não cabem mais na caixinha de outrora. Tudo ficou imenso diante da minha pequena capacidade de armazenamento. Hoje preciso descartar os supérfluos, embora reconheça que tenho extrema dificuldade em classificar qualquer item como tal.

Você é o que sobra em mim, o que não mais cabe nos meus processos. Por isto resolvi matá-lo. Não se assuste ainda, isto é apenas o início das minhas decisões após o eclipse lunar.

Sinto que neste momento provoco a sua fala, você se revira tentando se colocar de forma imperativa, mas, penso eu, se não o fez até então, por que faria agora?

Neste ato percebe-se que ela finalmente se revela, é a mais pura declaração de amor, construída sob a imobilidade oral da outra parte. Ato de egoísmo, melhor dizendo, de domínio extremo. Ela rouba a cena e dança, vestida com o traje cigano exalando a cor vermelha. Você continua perdido, minimizado, inerte, contido na sua própria nudez, embora calçado com as velhas botas.

Eu venho tentando abrir as portas e janelas, provoco a sua fuga, mas você continua imóvel. Eu cresço enquanto danço e você se esvai na sua mudez.

Este ato deve continuar por mais duas noites, é dado como certo a próxima eclipse lunar, quando ela, exaurida, se permite alguns momentos de reflexão, o que possibilita uma previsível revisão dos processos.

Confesso que ainda não estou preparada para o fatídico descarte, ainda mais com você agarrado à ponta do meu vestido. Você tenta se segurar e mais um elo se rompe. Você, ainda num ato de desespero, tenta tirar o meu sapato e eu piso ruidosamente em sua mão.

Este instante mágico deste último contato, mesclado de dor, resume toda a busca deste tempo que passei, ao seu lado, sozinha como nunca havia sentido antes, até o dia em que fugi de casa.

Maria Branco
02/07/2008



a resposta


São minhas as botas velhas


A sua loquacidade desarticula minha alma, me faz ver a toda hora o desespero em cotas reguladas e despachadas de acordo com o seu próprio interesse e medida, pois exatamente, este nunca foi o ponto inerte em nenhum processo, você não me ouve, e o tempo todo fala por mim, e claro que você sempre teve pronta e arrumada, todas as respostas, e não é só por demência, fuga ou razões familiares, mas sim, por sua incapacidade para a vida.
O tempo todo você quis tudo muito limpo, brilhante e qualquer barulho ou mesmo tentativa de mudança, era pra você um ato reacionário ou anarquista, você nunca trabalhou bem os conceitos.
Portanto não me venha com essa de sua ou minha insanidade, é você a paciente, é você que vive a maior parte do dia a ver demônios em meus sorrisos e cobras em todas as coisas verdes. E eu sei de seu fanatismo recorrente, eu sei sim que você passa seu dia a estudar as minha não falas, o meu não pensamento, a interpretar todos os meus gestos a partir da premissa da minha não realização, e também sei de seu livro, e sua formidável teoria sobre a minha possível não existência. É essa a sua recompensa: este seu livro?
Qual meu novo perfil? O que a senhora no passado arranjou pra mim? Ou aquele que você inventava quando falava em novos tempos. Querida, os tempos não mudaram nem hoje e nem ontem, mas eternamente meu perfil foi mudado a cada atrocidade que a senhora achava mais adequado para fixar à minha estrada, e foi assim que você destruiu não o nosso amor, mas a possibilidade de você poder receber carinho e atenção, uma vez que esse seu ódio, vem separando você, de você mesma.
O seu espelho sempre virou a cara para não lhe olhar de frente, e não deu bola a suas ameaças, por que, além de repetições, são apenas novas preocupações para a família. Saiba que sua vida é uma verdadeira atrocidade para todos os que transitam sua órbita. Mate-me e eu serei feliz.
Sua mania de assassina e de traição continua mesmo depois do tratamento, outros se sentem traídos, mas você gosta de falar, gritar e anunciar amantes e luxúrias, que todos sabem inexistentes, mas você sabe que não pode amar e nem ser amada, pois seu modo de ser impede qualquer tipo de relação amistosa, você foi feita para o sofrimento e para fazer os outros sofrerem.
No passado já sofri com suas “traições”, eu lembro muito bem de suas noites e noites em completo devaneio, onde você se dizia grávida, e de um porco falante e obsceno, além de buscar imaginários parceiros em meus amigos ou até mesmo em um possível irmão, meu ou seu.
Hoje meu amor nada disso me comove e seria antes uma agradável surpresa se de repente eu soubesse que você de verdade tem um amante ou um simples amigo. Essa sorte eu não tenho.
Seu ser é invadido sim, não por minha pessoa, mas por urtigas e escorpiões, uma vez que você, mesmo não sabendo, é uma cabra voadora que perdeu as patas e agora rasteja em meu mundo pequeno, pesando para sempre as minhas velhas botas.
Eu não falo com a senhora e já faz dez anos que não lhe dirijo a palavra, venho lhe ouvindo por educação e por covardia, nisso concordo com você, sou mesmo um covarde. E quanto ao barroco, o que lhe sobra são as dobras, todas redobradas e multiplicadas por você mesma.
Sua mente suja, sempre me incomodou, com seus pecados impronunciáveis e rastejantes, e ainda me incomoda, pois sinto o seu passado e pior, como se fosse hoje. Lembra? Todo entardecer, você orava diabos em hebraico enquanto me acusava de esconder as montanhas sagradas, e em sua fantasia débil você declarava a impossibilidade de me amar, só por que você me amava demais.
Na verdade você é a única coisa a sobrar em você mesma, você é obscena, fora da cena e eu espero ansiosamente por esta morte e nada de você fará com que eu volte a lhe falar. Agora quanto aos seus secretos encontros comigo, pelo que eu sei sempre aconteceu sem a minha presença, lembra? Suas conversas longas comigo ausente resultaram em ótimas lembranças para você e como você mesma disse, a minha ausência permitia a você ouvir de mim as falas adequadas e bem estudadas, que serviam perfeitamente ao seu plano infalível de provar que me amava.
Eu sei que agora, a sua nova loucura consiste em se ver exatamente como outra pessoa, e você descreve, o que pra você deveria ser a minha vida e não a sua. Ora minha cara e muito cara amiga, o seu vestido vermelho nunca foi vermelho e muito menos vestido, são as minhas botas velhas que você empunha e empunhou anos a fio como uma arma.
Eu venho tentando manter fechadas as portas e as janelas, para evitar não a sua fuga, isso é impossível em seu estado, mas a piora do seu precário sistema respiratório em meio a este inverno rigoroso, todos temem a sua morte.
Agora vendo você aí sentada, em sua cama, eu lhe olho e percebo de qual fuga você está se referindo, a fuga de sua própria vida, de seu próprio instante, e saiba que a senhora calçou soluços e dores e vestiu tolamente passados vermelhos e hoje caminha numa solidão de horrores, onde velhas desdentadas cantam e choram seu destino.
Confesso também que ainda não estou preparado para o fatídico descarte, ainda mais com você agarrada à ponta do meu sapato, seja velho ou novo e tentando se manter doente e segurar um elo que há muito se rompeu e o mais desastroso é esse seu ato desesperado e inútil em insistir tirar os seus sapatos, quando há muito você perdeu suas pernas, e junto com elas foram os pés. Então é neste momento que eu ruidosamente choro em meu silencio. Este instante não mágico deste maldito e constante contato, mesclado de dor, resume toda a sua busca pelo inaudito tempo que passei ao seu lado, sozinho como nunca havia sido antes, até o dia em que você morrer.


Ronaldo braga

quinta-feira, julho 17, 2008

TVCULT71

Soy un cerdo obsceno

Luces congelan carreteras embalsamadas
en las memorias tristes de niñas muertas
y él
poeta avestruz en fiestas de comadres
llora
calumniado,
de verdades agudas.

Instintivamente rechazo
los cerdos charlatanes de medusas viudas
y no lloro
en la noche carente de especulaciones.

Pero no voy
a casas donde la falta de luz congela
la sonrisa de cada poeta.

Y en las horas amargas
hago crecer en mí un asesino
Y me descubro
El único cerdo obsceno,
Pues sé que las luces cansadas
no cansan
la cara de los sin cara.


poesia de ronaldo braga
tradução para o espanhol de
GRACIELA MALAGRIDA
www.gracielamalagrida.com
uni-verso virtual
http://www.uni-versovirtual.blogspot.com

segunda-feira, julho 14, 2008

sábado, julho 12, 2008

SEU VESTIDO VERMELHO NÃO MOLHA MAIS O MEU CORAÇÃO

Usar as minhas botas velhas?
Você?
Eu não estou surpreso pela linha de raciocínio que você se me entrega, eu sei que sempre foi assim em suas intermináveis conversas, tudo começava com uma calça ou mesmo uma camisa e até uma meia, e aquele cueca era típica de homens menores ou você descobria de repente que aquela minha bermuda predileta não era roupa de uma pessoa de bem e que as mentes vazias, não possuem uma classe pra se vestir, e depois de soltar todos os seus fracassos em minhas roupas, a senhora continuava a falar, falar e falar.
A senhora nunca mudou, toda sua festa resume-se em anunciar ao mundo, a descoberta da existência de um lado escuro em mim, como você me dizia, antes de recusar o almoço.
Mas na verdade depois dessas aparências, a real intenção surge em seu horizonte: viver pra me difamar.
Mas como diz o seu texto, as minhas botas velhas, desnudam, não um andarilho, antes, um corredor, uma pessoa que buscou o tempo todo fugir das desilusões dos cosmopolitas do terceiro mundo e que não teve medo de silenciar diante da pequenez dos que se acharam gigantes.
Sim é bom você reconhecer, eu vivi esse tempo todo embrutecido pelo caldo vicioso de suas veias e ainda cuidando de suas banalidades, e mesmo sabendo de seu estado doentio, eu tudo fiz pra lhe manter digna, ignorando conselhos até mesmo de sua família.
Outra vez surpreso, não sei a que chama você se refere.
Na verdade, a senhora nunca teve paciência com nada além dos elogios à sua beleza ou aos seus belos vestidos e acessórios, você sempre foi fútil, exatamente isso: superficial.
Racional?
Você?
Delirando como sempre, toda vez que você faz alguma feitiçaria você se autodenomina de racional, e de amante. Saiba que seu amor impossível é realmente totalmente impossível, uma vez que amor em sua pessoa é um engodo, ou uma brincadeira de terror, só a senhora é que não sabe disso e continua a cantar o amor como tempestade, e depois cansada, deprava o mundo com suas lamentações reativas.
As nossas conversas sempre foram as ultimas e não há nada nelas que mereça ser recordada. È essa sua mania por símbolos, eu já lhe informei que novos encontros se tornaram improváveis, não por seu vestido vermelho, ou mesmo pelos seus sapatos azuis, não, mas sim pelas fechaduras de sobrepor dos pobres, com seus cuidados para entrarem em suas casas e não ferirem o ombro. Você sabe que sou sentimental e que a presença de um pobre me faz chorar e lembrar, até hoje não sei por que, das fechaduras de sobrepor.
Você pensa que eu me importo com suas bebedeiras ou danças ou orgias, o meu pequeno mundinho conhece a verdade dos seus sonhos, toda a sua fantasia se reduz em me destruir, em repetir sua canção de morte por toda a minha beleza, que você não limitou em diminuir, e agora pretende fazer crer que nunca houve.
Eu sempre soube da sua busca incansável ao meu outro lado e dos seus rompantes como esse de me perguntar se é repetitiva? A sua musica sempre foi de uma nota só.
Eu estou no único lugar pra onde você nunca olha: dentro de você, e seu vestido vermelho apenas é a sua esperança de me afastar pra sempre, de me fazer ir, sair de você e finalmente você poder me encontrar lá dentro de sua guerra suja, indolor, inocente e silenciosa.
Há dias que acordo e vejo sua sombra encardindo meu sorriso e sei então de suas dobras e espero o vir a ser de suas dores, com a certeza dos cortes resistentes das minhas memórias.
Nada espero senão encontrar-te em tua ausência.

ronaldo braga
patrocinio
BAHIA TERRA DE OS NÓS
E NÃO FAZ CULTURA

quinta-feira, julho 10, 2008

A MUSICA DE GERVASIO MALAGRIDA " FUERA DE LUGAR"




A bela musica do argentino Gervasio malagrida.
outras musicas serão postadas mais adiante.

SOU UM PORCO OBSCENO

Sou um porco obsceno.


Luzes congelam estradas embalsamadas
nas memórias tristes das meninas mortas
e o
poeta avestruz nos festins das comadres
chora
caluniado,
por verdades agudas.

E instintivamente eu recuso
os porcos falantes das medusas enviuvadas
e não choro
nas noites das especulações carentes.

Mas fujo
das casas tristes onde a falta de luz congela
cada sorrir dos poetas.

E nas horas amargas
faço crescer em mim o assassino
E me descubro
O único porco obsceno,
Pois eu sei as luzes cansadas
não cansam
a cara dos sem cara.


ronaldo braga


poesia resposta
ofereço esta poesia à poesia de nelsom magalhães filho,
publicada no www.anjobaldio.blogspot.com/

terça-feira, julho 08, 2008

Graciela Malagrida no clarin

A escritora e poeta Graciela Malagrida agora tem o seu blog
www.uni-versovirtual.blogspot.com
no clarim.com
veiculo informativo na internet do jornal o clarim de Buenos Aires Argentina
parabens
Grace.




La elfa del golf


Por lo menos 1 vez por semana me toca seguir de cerca los pasos de Alejandro. Así cargo agua en el termo, yerba, yuyos, repasador...y en la cartera van los infaltables anteojos de sol y los libros. En




clarin.com 06 Jul 2008
> Ir a la nota