sábado, junho 28, 2008

a poesia de Graciela Malagrida

Epitáfio del renuevo

Te dedico la aurora
el color de los pétalos
el perfume que expelen
los jardines
en las noches


Te dedico el aleteo
de los bichos insomnes
y la sed de los ojos
que advierten el rocío
o cada gota nimia


Te dedico madrigales
en la pausa del júbilo
e el desenfado de la luz
que acaricia las sienes
del crepúsculo


GRACIELA MALAGRIDA
Epitáfio del Renuevo
TRADUÇÃO DE ronaldo braga

Te dedico a aurora
as côres das pétalas
o perfume que explode
dos jardins
nas noites


Te dedico o esvoaçar
dos bichos insones
e a sede dos olhos
que encontram
o orvalho
e cada gota minima


Te dedico sonhos musicais
na pausa do jubilo
e na distração da luz
que beija as temporas
do crespúsculo.

GRACIELA MALAGRIDA
tradução
ronaldo braga

quarta-feira, junho 18, 2008

São suas as botas velhas.

Não suportaria usar as suas botas, acho que seria quase o mesmo que trilhar os seus caminhos.
Acredito que estas velhas botas registram os tempos mais remotos de um andarilho urbano, sempre urbano, embora não seja cosmopolita. O seu mundinho é tão resumido que quase chega a fechar-se em um círculo com raio igual a sua própria altura.
Voce viveu esismemado todos estes anos, cuidando das banalidades absurdas, das composições incabadas, das chamas que se apagavam a todo instante. Tenho que ser justa: se ainda mantemos esta chama acessa, com certeza, isto é mérito seu, eu não teria me empenhado tanto.
Eu nunca tive muita paciência para coisas pequenas, miscelâneas, miudezas: acho mesmo que são inversamente proporcionais ao grau de aborrecimento que proporcionam ao incauto que se presta a lhes direcionar alguma atenção...
Voce deve, mais uma vez, estar criticando este meu lado racional, matemático, no entanto, devo confessar: é nesta racionalidade que expresso todo o meu amor. Falo do amor impossível, aquele que extrapola os limites da razão, da racionalidade...
Falo ainda da nossa última conversa, ou melhor, do meu monólogo, pois, se não me engano, você não só não compareceu ao nosso encontro, como também, não apresentou qualquer justificativa.
Desde então, rodei três noites sem parar, em minha própria casa, ironicamente, o nosso ninho cigano...
Você morreria e tenho certeza que o seu instinto de sobrevivência, mais uma vez, manteve este fio de vida, este trapo de acontecimentos em forma humana...
Eu sei por que voce não veio, sei que estou a dez quadras da sua altura... estou também, a mil anos do seu tempo presente e, muito provavelmente, muito arraigada a sua forma passada...
Mas, ainda assim, não tirei o vestido vermelho... era o meu ódio expresso em forma de amor... era um desafio: voce não entendeu, como sempre, mas eu mantive minha postura cigana... dancei a noite inteira ao redor da fogueira, a mesma que voce manteve acessa todos este anos...
Cinco vezes bebi, sete vezes senti cambalear, mas não caí, posso jurar, embora não tenha testemunhas. Eu digo e assumo, eu não caí e dancei como nunca...
Não rejeito as suas botas, nem o seu mundinho... simplesmente não acredito nesta limitação que voce me apresenta, sei que é falsa....
Sei que voce não pode acessar os meus pensamentos, voce é limitado, mas eu penso em voce...
Eu penso em voce dormindo, chorando, na chuva, correndo e sempre de botas, sempre em círculo, com o mesmo raio.
Eu busco voce na rua, na terra, na praia, no muro infinito que edifiquei para te deixar do outro lado... é o meu “Muro de Berlim” que ainda não caiu...
É a minha guerra, que não tem nada de “fria”....
Eu tenho os pés pequenos, proporcionais à minha estatura, e, claro, suas botas são imensas, têm o tamanho suficiente para me manter afastada da sua jornada diária, repetitiva, única e incoerente.

Maria Branco
16.06.08

segunda-feira, junho 09, 2008

The stupidity of dignity ( a estupidez da dignidade)

Texto de Steven Pinker
publicado no Ney Republic
Traduzido por Marcelo Leite


Isso explica por que a dignidade é moralmente significativa: não deveríamos ignorar um fenômeno que faz uma pessoa respeitar os direitos e interesses de outra. Mas isso também explica por que a dignidade é relativa, fungível [que se consome no ato] e amiúde danosa. A dignidade é superficial: é o chiar da grelha, e não o filé grelhado; a capa, e não o livro. No final, o que interessa é o respeito pela pessoa, não os sinais perceptivos que tipicamente o desencadeiam. Com efeito, o fosso entre percepção e realidade nos torna vulneráveis a ilusões de dignidade. Podemos nos impressionar com os sinais de dignidade sem mérito subjacente, como no ditador de meia-tigela, e deixar de reconhecer o mérito numa pessoa que tenha sido destituída dos sinais de dignidade, como o miserável ou o refugiado.

Steven Pinker

CORDEIROS

Entrei em rota de colisão
com minha memória
de verme.
Ela,
gera em mim
mundos
que não passam
da primeira camada
periférica,
limitada
de minha epiderme.
Espero um alinhamento
dos astros,
um eclipse,
algo que transforme
o meu juízo
que não tem sido
um bom juiz.
Apenas uma lei
invisível
a nos separar...
Não vou caminhar
sobre minhas apagadas
brasas,
e deixar pegadas
serpenteadas
como fazem os vermes
antes do juízo final,
eis o mistério
porque não creio...

LUCIANO FRAGA

domingo, junho 08, 2008

VIGÉSIMA LEVA revista cultural DIVERSOS AFINS

Querido leitor,


A Vigésima Primeira Leva da Revista Cultural DIVERSOS AFINS confirma quão válido é o caminhar pelas palavras e imagens. Nossos espaços abrigam, dentre outras expressões:

- A viagem ao Belo pelas telas do artista plástico paulista Canato.

- Uma conversa com o escritor Moacyr Scliar.

- Trilhas sensíveis da poesia em Carlos Trigueiro, Jorge Vicente, Sandro Ornellas, Mônica Montone, Antonio Naud Junior e Floriano Martins.

- Uma carta à Clarice Lispector nas linhas confessionais de Luciano Bonfim.


www.diversos-afins.blogspot.com


Sua visita é uma honra para nós!

quinta-feira, junho 05, 2008

Este blog merece uma olhada

http://fucsiahq.blogspot.com/

olhe e comente.