terça-feira, maio 13, 2008

a poesia de luciano fraga

LENDAS DO MISTER NEKKO

"este poema e sua horrivel estupidez
será uma hedionda música espirutual"
A. Ginsberg


Farejava lendas
quando recebi o coice
monumental
da codeína .
No canto do vagão quente,
no fundo das tendas,
sobre espúrios balcões,
o fedor,o fedor,
aguardentes e loções,
baratas que transam nas prateleiras
de um boteco apertado
parece que fui sepultado
sob um orvalho lunar...
Num pardieiro
vermes me comem
por dentro,
uma locomotiva movendo-se
lenta
sobre a cremalheira
desfilo
em grande estilo
minhas insatisfações...
Deveria aceitar certos conselhos!
Ocorreu-me de tomar
uma xícara de chá
das mãos de um esmoler,
exímio masturbador...
Admito:
muitos erros não possuem nomes,
como o próprio esmoler,
destilo a papoula
apalpando estrelas
em meio ao clangor
de trincados cristais,
ouço o estalido do fogo
sobre a clave:
a partitura
com sobras de notas musicais,
da marcha fúnebre
para mim
e para meus mitos
ancestrais...

LUCIANO FRAGA

Um comentário:

ediney disse...

tua poesia me fez imaginar entre esses coices,marchas fúnebres e meus ancestrais...gostei mesmo