sexta-feira, abril 11, 2008

a poesia de LUCIANO FRAGA

Imagens e conflitos


Na primeira vez
que encontrei Brando
na tela do Cine Ópera,
dom Corleone
exigiu minha pele
de cordeiro
como recompensa,
lembro,
meu personagem recebeu
um beijo na testa
e àquelas alturas
o meu funeral
já estava caminhando.
Deixaram-me tão só,
entregue aos abutres...
Eu não imaginava
que daquela profusão de imagens
nasceria um banquete
de conflitos:
entre a moral e a carne,
entre o crente e o cético,
entre o sério e o político,
sou ético,
“um homem chamado cavalo”.
Quando do lado de fora,
as figurinhas carimbadas
de super- heróis
passavam de mãos em mãos,
trocadas,
o meu final foi
uma natureza morta...
Sempre desobedeci as ordens
do padrinho
mas,
nunca recusei as iguarias
do cardápio mundano...


luciano fraga

2 comentários:

ronaldo braga disse...

quem teve infancia e é do interior, sempre teve um cine ópera na mão. Mas isso é coisa do passado, o cine não opera mais no interior e don corleone hoje só negocia não encomenda funerais. o mundo ficou pastel e no final do filme todo munda dança o créu...
sinais dos tempos a mediocridade avança a passos largos, até um mediocre operario chega ao poder e roubar é a unica saida que lhe resta.

Ruela disse...

fantástico...