terça-feira, abril 08, 2008

a escrita de MARIA BRANCO

Não voltarei a falar sobre este assunto, portanto, é de bom tom que você esteja atento. Se bem que, não sei se o melhor seria você estar atento, ou a tempo, uma vez que o nosso bom e generoso tempo não anda mais ao nosso lado. Tenho a nítida sensação que o tempo acelerou os passos, nos deixando visivelmente para trás, ou ainda, correndo contra ele.

Volto a te perguntar, de forma irônica, o que nos fez deixar o tempo passar? Por que perdemos mais uma vez o trem da história ? Por onde você andava quando eu lhe procurava em todas as estações da vida?

Volto a te perguntar, de forma doce, por que eu não estava com você durante todo este tempo? Por que eu não estava, eu não era, eu não? Por que a sumária exclusão?

Chega de perguntas, uma vez que não quero ouvir as respostas... não quero ouvir... não quero...

Chega de lembranças, de fotos, de mágoas, de dores, de cheiros, de cachaça ou fogos de artifício ...

Vamos encarar, de cara, este novo lado do tempo, onde não temos mais tempo para recuperar o tempo perdido.

Você me olha de forma mansa e eu procuro lhe irritar, de forma única e intensa, com o objetivo de provocar a explosão dos seus sentimentos, de provocar, de dizer que não estou prestando atenção em você...

Eu quero muito, eu quero sempre e luto para assegurar que a cadência dos desejos se enquadre em seqüência progressiva.

Eu ando em roda viva para impedir que você siga os meus rastros, esta sua forma infame de dizer que está do meu lado. Eu não quero esta seqüência, eu vou alterar os quadrinhos, de trás para frente, para identificar como será o final.

Eu quero, eu preciso aprovar o final da história em quadrinhos, em pedacinhos de retalho que não se encaixam. Eu quero o prumo certo, eu não acredito que ainda tenha paciência para recomeçar uma história.

Não venha com palavras doces, não preciso deste mel que não me convence. Eu quero algo mais forte, um cognac, uma cachaça da cana que você roubou para adoçar as palavras.

Eu vou seguir a sua rotina, só para poder fugir dela, como uma forma de saber estar onde você não está, saber pensar o que você não pensa, saber sentir o que você se nega a perceber que passa pela minha mente.

Eu vou me lembrar de cada pedacinho da nossa história para que eu possa editar as imagens, sem o seu consentimento, sem ouvir a sua opinião, sem os seus olhos que insistem em me espiar.

Volto a lembrar para você não adote a velha fórmula de me ligar quando o sono está se instalando na minha mente, este momento de relaxamento e comunhão não mais lhe pertence. Eu assumi o comando da sua interferência, você não pode mais me surpreender.

Volto ainda a falar que todos estes pensamentos, verbos em tons imperativos, adjetivos, artigos e negativas contundentes representam uma nova tentativa de negar a sua forte presença em minha vida...

...Ou ainda, uma louca tentativa de negar os sentimentos mais nobres que retomam sempre no exato ponto onde um dia ousamos parar...



Maria Branco

Um comentário:

Guhn disse...

See Please Here