domingo, março 30, 2008

beijando o fio-de-navalha

Eu quero o beijo da madrugada
Cantado,
em cortes, por mariposas perversas
e o corpo esquálido
da mais feia morte.

Eu quero a denegação
em mim mesmo
dos sopros suaves na agonia do nascer.

Eu quero o verde-podre
e para sempre me perder
nos sulcos,
e em teu sexo.

E em noites e dias e esperas
eu sou o nada contemplado
nos teus olhos violetas.

Há assim
em mim
a TUA morte.

E a beleza
tua,
apenas uma ofensa
nas turbulentas festas de Baco.


ronaldo braga
Para graciela malagrida
e
fabricia miranda

4 comentários:

grace disse...

pero Gracias!!!!!!!!!!!! que belleza!
sigo leyéndolo por décima vez...voy a intentar la traducción.

Luciano Fraga disse...

Ronaldo,poesia cortante como navalha na carne,como diamante na pele de vidro,corajosa por carregar a morte dentro de si a morte num corpo de mulher.

grace disse...

ya está traducido al español en http://uni-versovirtual.blogspot.com/
beijos

Fulana Miranda disse...

Beleza!!!
E eu que demoro tanto para produzir visitas...

A poesia ofensiva, esta beleza!
Nosso jeito de ternura e fraternidade com o mundo, conosco...
Precisávamos era tecer uma antologia cheia de nossas ofensas belas, rasgadas, poéticas!! Uma coleção do puro aço inoxidável de tantos autores!!

Um abraço e minha amizade!!