segunda-feira, março 31, 2008

Querido leitor,


Março encerra seus signos juntamente com a Décima Nona Leva da Revista Cultural DIVERSOS AFINS. Nossos destaques atuais trazem:


- Uma entrevista com o jornalista e escritor ZUENIR VENTURA.

- O universo feminino visitado pelas ilustrações da artista plástica Juliana Moraes.

- A poética de Genny Xavier, Ronaldo Braga, Edson Pielechovski, Gildo Jr. e Ana Peluso.

- As linhas sensíveis de Hélio Pólvora, Rodrigo Melo e Constança Lucas.


Seja bem-vindo à leitura!

Fabrício Brandão


www.diversos-afins.blogspot.com

domingo, março 30, 2008

beijando o fio-de-navalha

Eu quero o beijo da madrugada
Cantado,
em cortes, por mariposas perversas
e o corpo esquálido
da mais feia morte.

Eu quero a denegação
em mim mesmo
dos sopros suaves na agonia do nascer.

Eu quero o verde-podre
e para sempre me perder
nos sulcos,
e em teu sexo.

E em noites e dias e esperas
eu sou o nada contemplado
nos teus olhos violetas.

Há assim
em mim
a TUA morte.

E a beleza
tua,
apenas uma ofensa
nas turbulentas festas de Baco.


ronaldo braga
Para graciela malagrida
e
fabricia miranda

o pensamento de Baudrillard


pintura de nelson magalhães filho


Se o ser em si tem a sua hitória, a singularidade, por seu lado, tem o seu vir a ser. E se a história está ligada a um fim ultimo, a singularidade, por seu turno, está ligada ao Eterno Retorno. A história é somente a diferencial da mundança, o Eterno Retorno é a integral do vir a ser.
Não se trata de "se tornar o que não se é" - só nos tornamos justamente o que não somos, assim como só somos o que não temos. Se a singularidade está ligada ao vir a ser é porque não é nada em si mesma.
"Bis Gottes Fehl hilft", nos diz Holderlin ("Até que a ausencia de Deus venha nos socorrer"). Deus é o equivalente geral, em nome do qual tudo muda e se troca. Na ausencia de Deus, tudo pode se tornar e se metamorfosear livremente. Nesse sentido, toda essa história de moeda viva, de fetichismo radical e de vir a ser integral é mesmo uma prestação de contas com Deus. Pois se a própria hipótese de Deus desapareceu, se Deus está morto, como dizia Nietzche, temos ainda que encarar, e por muito tempo, a sua fantasia e suas metástases.

Jean Baudrillard
( a troca impossível.
Editora Nova Fronteira, 1999, pag 135.)

quinta-feira, março 27, 2008

a poesia de Luciano Fraga

FRAGMENTOS DE UM COVARDE


Depois de engolir
a ração púrpura
para ratos,
não pretendo me perdoar,
nem alimentar sentimentos
de culpa,
mas,
peço desculpas
por mais esta cançãozinha
de ninar
o meu lado puta...
Sendo assim,
não sinto mais saudades
de mim...

LUCIANO FRAGA

quinta-feira, março 20, 2008

a poesia de Charles Bukowski( DO LIVRO O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS)

uma aposta perdida



ela não é pra você, cara
não faz o seu tipo,
ela foi maltratada
foi usada
adquiriu todos os maus
hábitos,
ele me disse
entre um páreo e outro.

vou apostar no cavalo 4,
eu lhe disse.
bem, é que eu gostaria apenas
de tentar tirá-la
da correnteza,
salva-la, pode-se dizer.

você não conseguirá, ele disse,
vocÊ tem 55, precisa de gentileza.
vou apostar no cavaloi 6.
você não é o cara para
salva-la.

e você pode? perguntei.
não acho que o 6 tenha
chance, prefiro o 4.

ela precisa de alguém que lhe desça a mão,
que a jogue na parede, ele disse,
que lhe chute o rabo, ela vai adorar.
ficará em casa e
lavará a louça.

o cavalo 6 vai estar na
disputa.

não sou bom nesse negócio de bater em mulher,
eu disse.

então tire ela cabeça, ele disse.

não é facil, respondi.

ele se levantou e foi no 6
e eu me levantei e fui no 4.
o cavalo 5 ganhou
por 3 corpos
pagando 15 para um.

os cabelos dela são ruivos
como relâmpagos vindos do paraíso,
eu disse.

tire ela da cabeça, ele disse.

rasgamos nossos bilhetes
e olhamos para o lado
no centro da pista.

aquela ia ser
uma longa tarde
para nós dois.


charles bukowski
( eu, ronaldo braga, ofereço esse poema do grande velho buk a:
nelson magalhães filho;
mario bortolotto;
luciano fraga e
a ana rusche.)

a poesia de zeca de magalhães

A MEU PAi


Um homem nu
De olhos pretos
Sonhava

Queimava na brasa
Um simples silÊncio
O tempo

Matava num gesto
Um simples poema
O ato

E às vezes
Chorava
Sem nem saber por quê

ZECA DE MAGALHÃES o eterno

sábado, março 15, 2008

bob dylan Blowin" in the Wind

A POESIA DE ZECA MAGALHÃES

ELEGIA PARA CHARLES BUKOWSKI
Ele dizia
que um poema
eram poetas
egoistas, amargurados
traduzidos
em loucos recados.

Nove de março
eu tomava um porre
saudando outros
que tomastes
em vida.

Vomitei luas impossiveis
fui de tudo
e fiquei sem nada
a madrugada crescia
na rua teus passos
desapareciam de nós.

Vários porres
pelo porre
enquanto
Bukowski
morre.


ZECA MAGALHÃES

quinta-feira, março 13, 2008

sábado, março 08, 2008

a poesia de LUCIANO FRAGA

ÁS DE COPAS






Aqui,
a majestade
é a palavra,
tiro certeiro,
selo nas mãos do carteiro,
espero tudo dela,
flor solitária
do canteiro
aguardando a caravela
para a grande viagem...
Repouso inflamado,
sono ao volante
de um carro,
grito de notívagos
saqueando a riqueza
dos deuses,
sussurros, libertinagem.
Não preciso que estendam
os tapetes,
antes, sim
com sua licença,
meu verso
pede passagem...




Luciano Fraga

quinta-feira, março 06, 2008

a poesia do eterno zeca de magalhães

Sonhos
não morrem


Sonham
sombras

assombram

Sonhos
São sons
somem..



...........................



Você tem uma boca
linda incomparável
entre bocas.

Com a mão
emoldurando o queixo
retratas a imagem
de uma gueixa.

Repentina
qual o vento de verão
surges da espera
o esperar em vão.

Você tem na boca
certo, o beijo
que, ora, a mão
não deixa.

ZECA DE MAGALHÃES
( poemas do livro 0 NOME DO VENTO: Empresa Grafica da Bahia, salvador, 1998)

segunda-feira, março 03, 2008

a cegueira de sião

Um grito
e
uma seta:
veneno e decepção.

Um move-morre
que não morre nem move
no translado.

Uma,
duas e
muitas, e
unica dor
já não sentida.

Um caos no céu
Desmoronado.



ronaldo braga

para o poema
" OLHOS DE CIPRIÃO"
DE LUCIANO FRAGA

A POESIA DE SAMANTHA ABREU

Meio Ser


Por que me chamo ser,
se outros são mais
e não são?
Sou apenas o meio
do caminho,
dos sentidos,
da lucidez.

O meio-ser
que está em cada um
que vejo.
De metade em metade
tento me fazer inteira.
Tento, luto, arrisco,
mas resulto apenas
nessa tentativa
de ser o que não sou.


Samantha Abreu
(Escrevo para ser outras tantas, para fingir,
fantasiar e, no final das contas poder sair
da festa sem ser vista)
encontre mais de Samantha EM:

http://www.mulheressobdescontrole.blogspot.com/

http://www.samanthaabreu.blogspot.com/

sábado, março 01, 2008

a poesia de graciela malagrida


AS BELAS



Jemina, uma pomba solta no deserto
me tem convidado aos sonhos de seu pico
Cesiah, deliciosa especiaria, galhos de canela
sem petalas, nem pompas
tem perfumado suavemente as manhãs.
E uma
que se chama "fragância"
a cara lavada
ainda é a mais bela entre as belas


Posso dizer que a colheita
terna e serena, fresca ou moída
ou colhida no precioso instante
que a lua dorme sobre o vento
já não cheira a limão
senão à alegria
quando as filhas de JOB
despertam com setas
a musa das musas
poesia.

GRACIELA MALAGRIDA
(TRADUÇÃO: ronaldo braga)


Las bellas


Jemima, una paloma suelta en el desierto
me ha convidado los laureles de su pico.
Cesiah, exquisita especia, ramita de canela
sin pétalos, sin ornato
ha perfumado suavemente los albores.
Y una más
la que lleva por nombre “colorete”
a cara lavada
aun es reina de bellezas entre las majas



Puedo decir que la verbena
tierna y serena, fresca o molida
o recogida en el preciso instante
que la luna enmudece sobre el viento
ya no huele a limón
sino a alegría
cuando las hijas de Job
despiertan con saetas
a la musa entre las musas
Poesía.

Graciela Malagrida

fracassoFRACASSOfracassoFRACASSOfracassoFRACASSOfRaCaSsO

O FRACASSO É A MINHA CONQUISTA



Perdido em sonhos e perdido acordado e com a velhice que agora já era uma realidade em mim e eu avaliando a minha vida, bem sabia do sucesso dos meus fracassos e não podia reclamar nem da vida nem de ninguém. Tudo que eu alcancei eu joguei fora rapidamente e de uma forma tão contundente que impossibilitava qualquer retorno, era realmente a minha vitória: fracassar.

Em alguns momentos eu até aceitei algumas verdades de outros e as coisas começaram a andar de uma forma razoável, mas aos poucos eu percebia que aceitar aquelas verdades era em mim bem pior que a pobreza e então a minha capacidade de destruição era acionada e tudo voava pelos ares e eu era de novo o fracassado número um e a felicidade plena me tomava por inteiro e por alguns dias as pessoas podiam falar comigo e eu era bastante amigável e numa mágica meu azedume tinha desaparecido.


Ronaldo braga
Para todos os meus inimigos e também aos meus falsos amigos