sábado, fevereiro 23, 2008

a poesia de luciano fraga

TARANTULAS URBANAS


Na rua e numa folha de papel
aberta,
tudo cabe:
o zoom de uma nuvem
encoberta,
um código mortal,
um alerta,
um aviso aos navegantes:
sejam mais tolerantes
neste universo
de arestas...
Tal um conto de fadas,
bandeiras são desfraldadas,
para comemorarmos o que?
Meu amor, não resiste
às tuas palmadas...
Quando desabar do andaime,
saberei
por que se morre de fome.
Tal um rito,
de passagem
sinto-me feto
morto à pauladas,
numa corda bamba
espero o golpe de espada
numa roda de samba...
Uma armadura
seria um bom artefato
para consolar-te;
um cartucho
uma armadilha
para minha memória de flandres
que exige riqueza
em detalhes,
como colher em oásis.
Mas,
trago uma fome de faquir,
surpreendo feitas serpentes.
Minhas unhas perversas
vagueiam
em teus seios
salientes.
Aí,
danço em círculos
para controlar anseios,
aguardo na linha,
impaciente
como um cão
doente
desejo cada grama
de tua carne donzela
numa balança,
de precisão...
Antes do julgamento,
rejeito seus abraços,
mas,
aceito teus centavos minguados
e gorjetas
para seguir matando a fome
de viver,
mesmo sabendo,
Ser
na delicadeza da sarjeta...



Luciano Fraga

3 comentários:

ronaldo braga disse...

a poeia de luciano tem uma dimensão maior que as palavras juntas.
tem um ar irrespirável, uma musica inaudivel.
tem aquilo que eu chamo de um mundo proprio e que está acima das letras, ela é não somente intolerante como antes ela é sofrida e desevela dores de antes de tudo, dores ontológica.

Anônimo disse...

Luciano Fraga é a grande revelação da "nova" poesia do Recôncavo. Poesia essa, forjada e criada sob o signo da luta, de quem tenta entender a alma humana.De quem já sorriu de dor e chorou de alegria.De quem sabe que o cotidiano é matar um leão por dia para sobreviver.De quem já não cai em qualquer conto e se vende por uma promessa qualquer.
Termino meu breve comentário lembrando dos versos da Nobre Portuguesa de Alentejo, Florbela Espanca:
...Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas...

Giordano Diniz

Chico Vermelho disse...

Esse Lúcio é mesmo retado!