sábado, janeiro 05, 2008

requiém para bois


Pintura de Nelson Magalhães Filho
" ... eles me enojam
o modo como esperam pela morte
com tanta paixão
quanto um sinal de transito..."(Bukowski)


Abrir mãos,
aceitar
sim,
rejeitar!
Submeter-se?
Jamais,
ajoelhar-se
aos pés de outrem.
Mesmo que estes joelhos
não suportem mais
não dobrem-se,
mesmo que pareça
para seu bem...
Deixe doer,
grelhar,
como no cinzado carpete
que usas para trepar.
Espaçamentos,
desdobramentos,
labutam
no mofo dos papéis
que as traças
traçam
e perdem-se
nos mapas do tempo
dos coronéis.
Como um boi,
avança, avança,
estupida-mente
para dar de cara
com o farpado
das crenças
e sorrir, sorrir,
com um mugido,
de Amém...


Luciano Fraga

Homenagem ao poeta Ronaldo Braga

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