quinta-feira, dezembro 27, 2007

DIVERSOS-AFINS COM SUA DÉCIMA LEVA

No desfecho de mais um ano de celebrações pela palavra, entra em cena a Décima Sexta Leva da Revista Cultural Diversos Afins. E os sentidos apontam para caminhos como:
- A poesia em Carlos Henrique Leiros, Líria Porto, Fabio Weintraub, Oswaldo Begiato e Romério Rômulo.
- Uma exposição fotográfica com Sérgio Luiz Pereira da Silva.
- Os talentos musicais de Isabela Moraes e Celso Fonseca.
- A intensidade de signos no filme A Via Láctea, por Cláudia Rangel.

www.diversos-afins.blogspot.com

segunda-feira, dezembro 24, 2007

a poesia de charles bukowski

Poesia

é
preciso
muito

desespero

descontentamento

e

desilusão
para
escrever

alguns
bons poemas.

Não
é
para
todos

nem

escreve-los
ou
mesmo

lê-los.

charles bukowski

trad.
j.j. pereira

domingo, dezembro 23, 2007

a poesia de miguel carneiro

breve recado a um amor longinquo.



Relembre-me, por favor,
Que eu lhe peço de coração
Encharcado de candura...
Quem usurpou nossa ternura?
Em que vão da casa escura
Encontra-se aquele amor que tanto procuras?
Ficou por um acaso no quarto entre os lençóis
Manchados com o almíscar de nossos desejos
A nossa doçura?
Noite de lua branca na Baía de Todos os Santos
E meu amor zanzando no mundo
Com suas pernas roliças e seu olhar de brancura
Reviro meu leito nessa busca insegura
E neste silêncio de cachorros latindo no breu
Pássaros noturnos voando sobre meu lar
Meu amor agora não está
Desacostumei-me de dormir só
Relembre-me meu amor
Que o momento é de pura fissura...

In inédito, Verão de 2007.

MIGUEL CARNEIRO

segunda-feira, dezembro 10, 2007

teatroteatroteatroteatroteatroteatro

Esse grupo teatral é da cidade de cruz das almas e com a direção do artista nelson magalhães filho fizeram no ano passado uma peça que antes de mais nada buscava nos gestus, nos sentimentos e na geoagrafia cenica discutir a realidade humana, tendo como arma somente a capacidade interpretativa dos atores, sem cenários que criam ilusões. Somente emoção e intenção, em movimentos esteticamente organizados.
No fundo da foto está o ator Gabriel Marques que agora faz parte da peça GENTES, direção de Ronaldo Braga, apresentada pela primeira vez no dia 07 de dezembro na cidade de São Felix. A peça vai fazer uma temporada por varias cidades da região. Espere e confira Gentes uma PEÇA produzida e apresentada pelo Centro Cultural DANNEMANN, São Felix- Ba.
En breve fotos e video da peça.

domingo, dezembro 09, 2007

UM VÔO


Moringas. acrílica sobre tela de Alyne costa, 2003





O meu lema não busca uma frase única,

minha busca não procura verdades perfeitas,

olho o olho do meu irmão na rua,

será sua dor amiga da minha?

Os meus versos não procuram acalantos.

Minha sina é minha senda, minha paisagem.

Olho a luz acesa na casa de um igual, será sua luz chama da minha?

O meu passo não tem ritmo sozinho...

Meu passarinho voa livre no azul do céu.

Olho a boca do sorriso alheio, será sua alegria hemorragia da minha?

Os meus dias são regrados em intervalos.

Minha disciplina se edifica aos poucos.

Olho o gesto do irmão ao meu lado serão nossos guias cavalos alados?

As minhas dúvidas são frescas e serenas,

minha fé uma fonte e um quintal.

Olho a incerteza na fronte do vizinho,

voamos juntos para dar as mãos e abraçar o mundo!
ALYNE COSTA

terça-feira, dezembro 04, 2007

o nada repleto de nadas

O nada repleto de nadas.

Eu sou um cara que passa por aí, invisível e impermeável. Eu passo e ao meu redor pessoas são estranhas e nada se parecem comigo, e eu sempre penso: E por que não  deveria ser assim?  Existe uma outra realidade paralela a realidade existente? Ou algumas pessoas chamam fugas de utopias e se deturpam no engôdo intelectual e depois choram no travesseiro, no escurinho do silêncio solitário e mórbido.
Eu busco o prazer, sim, eu busco o prazer sempre, mas como saber encontra-lo? O que é mesmo o prazer? Ou qual prazer se quer, ao se procurar o prazer? E é mesmo prazer o prazer encontrado? Com a vida eu vou firme rumo ao infinito e pago pra isso: não guardo remorsos nem sentimentos, apenas trabalho o corpo e alimento minha alma em gozos livres. Não me interessa a busca da felicidade, percebo os acontecimentos soltos, sem desencadeamentos, apenas fatos isolados construindo uma rede por uma fatalidade da própria existência da vida.
Eu sou um cara que passa por aí e sabe que é preciso reinventar estruturas, não confundir  mundos e que isso só é possível com pessoas que aceite este mundo como um único mundo, onde reina os encontros e os desencontros , é, desencontros, só assim pode ser, é o desencontro uma imposição saudável, vital.
Eu sou um cara em busca de pessoas estranhas, tristes e taciturnas, bom, devo repetir: triste. Mas é bom salientar, triste mas não derrotadas, eu sou um cara que não gosta de derrotados.
E às vezes, é lá nos escombros da minha memória, que eu encontro o caminho para as minhas trânsfugas em um contínuo corte do passado, em um confuso e constante estado latente com a dor, com o prazer, e a sonolência, pois afinal é na indiferença e no sofrimento, que eu encontro força, não como algo que eu conquiste, ganhe por ser bondoso, mas algo que está lá na vida, e é a vida.
Eu sou um cara que olha o passado sempre em imagens surrealistas, e esse fantástico recorte do meu passado, numa estrutura nova, é um sistema apodrecendo o sistema do meu dia a dia, pois o dia a dia tem que ser real e lógico, o sistema é fácil e todos podem compreender, mas eu não entendo essas coisas simples, eu não as entendo, pois eu sei, eu sei da dor nos sorrisos cínicos, eles sempre estão depositando no amanhã toda a sua fortuna, e eu sou um cara que sei que o devir não é o sucesso garantido, e eu só posso dar um sorriso amarelo e chama-los de tolos, eu sou um cara que olha por cima.
É eu sei que existe uma calada realidade, uma calada limitação, uma litúrgica e fúnebre morte imanente  em cada ser, e que cresce com ele e desaparece com ele e mais ainda, existe também,  como uma praga negando a minha impermeabilidade, em algum lugar da minha vida, como uma covardia, alguma esperança, que me mata lentamente.
E eu sou um cara que sei do meu devir: o nada. 
O nada restaurado e em sua plenitude, um nada repleto de uma longa vida depois de uma mais longa não vida. O nada que é um restabelecer. 
Nascemos para morrer e vivemos em busca deste sombrio e eternamente assustador nada.


http://www.grupoatoresdosol.blogspot.com.br/
R.B.Santana