segunda-feira, outubro 22, 2007

Visite o blog Diversos-Afins

Querido amigo e leitor,
A Revista Cultural DIVERSOS AFINS convida a um novo caminhar pelas alamedas da Literatura e da Arte.
Entre os destaques de nossa Décima Quarta Leva, estão:

- O olhar que une memória histórica e afetiva pelas lentes do fotojornalista Evandro Teixeira.
- Poesia visual em Constança Lucas.
- Uma conversa com o palhaço brasileiro Rodrigo Robleño, integrante do Cirque du Soleil.
- Paulo Autran rememorado nas linhas do dramaturgo Paulo Atto.

www.diversos-afins.blogspot.com

a poesia de fabricia miranda

Parce que vous êtes la femme, l'Eden de l'ancienne tendresse oubliée (Paul Claudel)

Ai de nós, mulheres feias!
Ai de nós, mulheres tortas!
(Rita Santana)***
A Rita Santana, Vanessa Buffone, Adelice Souza, Renata Belmonte, Cássia Lopes


Atrás de mim,
Camille grita por seus abortos.
Tento juntar minhas três faces
De modo que eu pareça ainda mais desumana
Criatura abissal de profundos oceanos
Peixes esquizóides pinçando as córneas de todos os náufragos.
Quero a confusão para os que me olham
Porque são muitos os que não me sabem.
Em minha cabeça majestosa de demoníaca trindade
Camille ainda grita, de cócoras sobre a noite,
Erguendo a mim suas mãos metalizadas.
Adiante, além da noite que se desenrola
No destrançar das tramas da minha cabeleira de possessa
De onde despencam os sonhos e os pesadelos,
Aquela dos olhos grandes toma um conhaque barato;
Como saído de contos de fazer dormir, Um leão cochila acorrentado a um de seus punhos
Em seu pêlo de poeira e ouro, marcas de pernas fêmeas
Um arreio de fios de seda pende,
Como um adorno singelo,
Do largo dorso de besta.
Avanço na lamacenta escuridão do entre-sono
Com o meu rosto distorcido pelo alinhavar das agulhas.
Há um baque oco contra as pedras,
Sei que são ossos
Uma cabeça de pai
Coagulando silenciosas ternuras.
Fazendo dobras em papéis
Recorto homens de mãos dadas,
Numa ciranda de infinitos herdeiros das coisas profundas
E ofereço à mulher que, ao fundo de muitas salas,
Balbucia premunições onomatopaicas.
No centro de tudo, no centro da noite,
Treze cavalos suportam seus labirintos de Creta.
O que fora feito de Camille? Pergunto
Articulando em cadência bizarra minhas três bocas.
De dentro do manicômio, espasmos de eletro choques
Um coro de mulheres loucas, nuas, usadas,
Repete em convulsões as letras trágicas de sua loucura:
- Ai de nós, mulheres tortas...

Fabricia Miranda
(Poema de um tal livro inédito e inacabado " O Cirandeiro das Facas")

quarta-feira, outubro 17, 2007

For Anjo Baldio
“Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo”.
Nelson Magalhães Filho
Postado por Ruela em seu blog NEO-ARTES
Veja mais de suas maravilhosas imagens
CLICA AQUI:
http://neoartes.blogspot.com/
Ruela, publicou e eu achei a verdadeira tradução do mundo nelsoniano. e para muitos a arte de nelson é apenas figuras tristes e diabolicas e na verdades não deixa de ser figuras triste e diabolicas mas não é só isso, é antes a leitura do nosso tempo que é triste e diabolico.
e nelson traduz o seu tempo e não reproduz o que os bovinos gostam de olhar e comprar.
Nelson o artista filtro do seu proprio tempo.
www.anjobaldio.blogspot.com/
(ronaldo braga)

domingo, outubro 14, 2007

a poesia de nelson magalhães filho

À véspera do inverno estranhos dias virão
nas pálpebras da noite que flor desbota.
Com a avidez do oceano à véspera do inverno
que aflora estrelas cadentes,
dormente beijo de lânguida mulher
beija-me almíscar,
uma aflição pela ampulheta da fome
um arfante desejo afunda-me no mar
e sempre deixamos rastros de sangue que se fundem,
carnes tecidas sobre a carne viciosa.
Contemplo as nuvens pelas estradas sedutoras
sob o peso de esmaecido sonhar acordado
beija-me narciso perfumado
beija-me almíscar
anjo nu cortando meu coração.
Silenciosos devaneios de um anjo decaído
a tua ausência impregnada de estonteante perfume,
em asas selvagens prazeres inflados
visitaremos a obscura melancolia da paixão,
em doce de amêndoas a lua selvagem
navega sua negra borboleta de tédio,
a ausência queimando à véspera do inverno.

nelson magalhães filho

sexta-feira, outubro 12, 2007

a poesia de alyne costa

Teço tranças e rasgo fios
Vejo luas e rabisco navios
Febres
Odores
Calafrios
E se me calo, verbos flutuam
No parapeito do que hei de ser
Pertenço a qualquer lugar que me comporte
Minh`alma é crespa
Cultuo vendavais de toda sorte
Tensa
Suturo incertezas de um destino que rompe tardes
Arde
Atritos sobre o magma adormecido de um vulcão
Vertente
Poesia é o meu espelho oculto em erupção.

Alyne Costa
www.docafundo.blogspot.com