quarta-feira, agosto 08, 2007

sob a perspectivas das Chilenas

Sob a égide silenciosa
do precipício mais absurdo
desenterro palavras
para que encontrem no pêndulo
da meia luz
formas elétricas
para escoarem
claras,
mutiladas palavras...
Ó! Encanto de pistola
dispara agora
o silêncio de bala
38 no peito
do cordeiro-de-deus
aloja os pecados do mundo
tão vulneráveis
quanto teus olhos de fera
chapada
ante a rebelião da presa
fácil
não é conluiar
em túmulos de deuses
com crise de asma
embargados,
sob efeito das tais palavras...
Afinal o que te agrada?
O penhasco das meninas?
O rebuliço do coito
no cortiço?
A fé jogada nas poltronas
sobre fraldas mijadas?
O Livro aberto de Allen
no primeiro capítulo?
De Kaddish:
"...mais nada para ser dito
e mais nada para ser chorado...
Só seres vendendo pedaços
de fantasma..."
Não sou tão piedoso.
Como pensas?
Ando forrando meus jardins
contra- ataques
de afiadas fuligens.
Quando o assoalho brilhar
intenso
nos melhores momentos,
não sou eu quem vai
lustrar teus sapatos...

Luciano Fraga

3 comentários:

Nelson Magalhães Filho disse...

Mais um poema-de-ferro-fundido do velho Buenas LF. O Allen Ginsberg é um dos meus preferidos. Grande abraço.

Ruela disse...

Muito bom!

cafundó disse...

Viva o blog de Ronaldo!
Este poema me remete a uma nostalgia urbana...
De trilhos que perfuram a alma.
Luciano, poeta vivo, Viva!