terça-feira, julho 17, 2007

tiro de misericórdia

Um sonho cálido
dependurado
num candelabro
avança prodigioso
contaminando
minha vida
adentro.
Bárbaros perfumes
grávidos de orvalho
anestesiam meu sonho
urbano
antes, por ser pedante
pelo odor que exala
após, repugnante
pelo ambiente
em que preparo
as balas
para a roleta
em que arrisco
na cabeça
um blues
tão tenso
quanto os punhos
de um caudilho
tão eterno
quanto o instante
de ferro
quando ponho as luvas
e aperto o gatilho...

Luciano Fraga

3 comentários:

ronaldobraba disse...

um poema de folego e vida propria, uma obra de arte, musica e cores em palavras doces e densas.

anjobaldio disse...

Grande Buenas LF com seus poemas perversos.

Ruela disse...

Explosivo!