segunda-feira, julho 09, 2007

sobre o livro Borges e os Orangotangos

Escribe, y recordarás. Assim Vogelstein inicia o romance. Professor universitário e tradutor de inglês, Vogelstein, um jovem solitário cujas únicas companhias constantes são seus livros e seu gato Alef, é levado (força do destino?) a vivenciar um crime envolto por mistérios e teorias fantasiosas. As duas mortes que permeiam a história se mostram, através do discurso do narrador, como fios condutores, elementos que permitem o desenrolar do enredo. Nada mais apropriado, para a cena de um crime, do que um seminário internacional sobre Edgar Allan Poe, precursor do romance policial. Mais apropriado ainda, que o seminário acontecesse em Buenos Aires, abrigo de Jorge Luis Borges, escritor latino-americano de literatura fantástica. A fim de reconstruir a memória do episódio, e assim poder compartilhá-la com Borges, interlocutor direto de Vogelstein no enredo, este escreve a história, que começa como uma pretensa carta e que resulta num romance inacabado. Escrever é justamente a possibilidade de reviver o acontecimento. Mas o curioso é que o narrador, no ápice da história, no momento em que o mistério está para ser desvendado, sai de cena e cede seu lugar a outro personagem que, através do recurso da carta, elabora uma teoria que, de certa forma, deixa em aberto o desfecho da história. É no limite entre fantasia, ficção e real que Veríssimo escreve Borges e os Orangotangos Eternos.

Ruth Trindade Braga Santana

* Trecho de um ensaio escrito por Ruth Trindade sobre o livro Borges e os Orangotangos Eternos de Luís Fernando Verissimo

Um comentário:

Ruela disse...

Obrigado pela visita e pelo sentido comentário.