quarta-feira, junho 27, 2007

OPUS - VIL

“...como se renovar sem primeiro se tornar cinzas...”
Assim Falou Zaratustra


Gentilmente
o desencanto
arrebatou-me
ao cair da tarde...
Eu caminhava
por uma impiedosa lacuna
vadia
nem percebi
a profunda anemia
no seus olhos
de nevoeiro...
Não sou de guardar
lembranças
por ser franco
atirador
disparo nervosamente
sorrateiras mentiras
simulo
fobias artificiais
antes que seja tragado
pelo amargo beijo
das tarântulas
radioativas
que pelejam
para escalar as paredes
de minha aorta
entupida...

Luciano Fraga

2 comentários:

Braga e Poesia disse...

UM POEMA COM UMA ANDADURA BELA E AGIL. UM POEMA BRILHANTE.

Miguel disse...

Luciano Fraga encanta nossos olhos quando faz canta a fragilidade que é o zanzar do ser humano na terra. Estamos aqui só passando uma chuva, mas o testemunho poético do poeta de Cruz nos remete a refletir:
"vale a pena viver sem perceber que do nosso lado, há o outro", Luciano Fraga, num comovente brado, faz dos seus versos, testemunho da contemporaneidade...
Miguel Carneiro