segunda-feira, junho 04, 2007

MALUNGOS

Nasci nas caatingas de Riachão,
e pela beira do Rio Jacuípe,
que descia leve para alcançar o Paraguassu,
aprendi o nome dos peixes e dos bichos.
E entre tantos companheiros que se foram
levados pela enchente do implacável tempo,
ficou apenas um, pelejando contra a Besta:
Foi Manoelito de D. Dora,
que nas manhãs azuis jacuipenses,
recitava para mim os Salmos de David.
Fui ficando sozinho no ermo da estrada.
Meu pai que me presenteava com livrinhos,
e minha irmã que me cobria de carinhos.
Se perderam pelos caminhos.
Sou agora um carneiro perdido,
Desgarrado do seu rebanho,
Pastando sozinho nesse Vale de Lagrímas.

Ad majorem dei gloriam,
No 151º da proclamação do dogma da Imaculada Conceição de Maria.
Salvador, Bahia de Todos os Santos, 2005.

MIGUEL CARNEIRO

2 comentários:

Deusdete de Almeida disse...

Poema de uma sinceridade incrivel e que destaca os caminhos do homen do sertão em sua lida.

ronaldo braga disse...

Miguel esse poema desnuda sua alma em um processo de criação e de crescimento do menino Miguel em um homem bondoso e demonstra a base familiar que vc teve, lindo poema e acima de tudo mostra seu amor à sua terra.