terça-feira, junho 19, 2007

esquivos e ausentes beijos

Esquivos beijos reincidem momentos martelados em olhares surdos,
E cortejos imemoriais insistem desejos, antes tão secretos, tão desconhecidos.
E um vir teimoso nos chama. Pra onde?
Esquivos monstros persistem na carne tremula,
E arrogantes algas trancam sorrisos em beijos sofridos.
Você passado em ausentes segredos funestos e secretos,
E você presente em dispositivos legais.
E medos ocultos afloram inflexões agudas em imanentes remanências outonais,
E você futuro sorrindo rejeições de uma fatal fuga das flores,
Com suas noites irrefragáveis, e seus suores afogando peles e agitando sonhos,
E acordando meus pesadelos de águas cansadas,
Gritando e gritando saudades de afogados.
E você - você ali como um nada - tudo material e cisão de mundos.
Cisão de carne e dentes dantes sorrisos e livres.
Agora Esquivo tempo caução de tudo.
E cruel, nas nuvens pesadas de minhas noites lembranças,
Numa intensa dissimulada diminuição assintótica do condenável viver,
E sorrir condenável e ser condenável.
Bailado numa dança de mortos.
Realidade imposta nos corações outrora difratados em indiscretos beijos.
E você fragmentando calmas para sempre esquecidas
E você ausente em perigosas interrogações,
Jurando interditos amores passados – presentes e perdidos nos sentidos frívolos, Enquanto incessantes vazios e culpabilidades produzem cortes nos destemidos horrores matrimoniais.
E nas noites preconcebidas,
Deleitam sutis perversões
E povoam medos e traduzem certezas infelizes de transgressões.
E estratégia é fuga na homogeneidade formal de uma vida.
Principio e instancia:
Das luas;
E chuvas;
E sonhos;
E beijos buscados nos desesperos dos encontros inadvertidos e não censuráveis.
Você água, diluindo tempos e cantando gerânios em raios caiados.
Você musica ritmando um mundo de cores brutais em oscilantes precipícios.
Você pontes de caladas gerações.
Você, apenas, você.

Poesia de - Ronaldo Braga
Poesia traduzido para o francês por
Pedro Vianna e publicado em:
http://poesiepourtous.free.fr/
e clique em poème du mois

Um comentário:

Braga e Poesia disse...

esse poema desabafo, é tambem um grito de solidão a dois.