quinta-feira, junho 28, 2007

A Barca Velha da Linha de Cachoeira

Felisberto Caldeira Brant Pontes,
não estamos mais em mil oitocentos e dezenove
e tua barca de vapor
não vai da Metrópole ao Sertão.
Não sobe mais Paraguaçu...
Dorme num banco de areia
perto da lancha "Albatroz"e seus instrumentos de navegação.
Os motores, que são ingleses,
lá no fundo da Baía naquela imensidão
de algas, sargaços, ferrugens
e o passear da arraia, e ferrão.
Mergulhadores procuram
em meio àquela marola, tempestade com trovão
por tua proa, teu convés
nas águas que vêm de Riachão.
O Jacuípe, porém, corre morto,
desaguando pouco a pouco,
pleno de poluição.
Felisberto Caldeira Brant Pontes,
meus olhos marejados de cegueira,
catarata e solidão...
buscando no porto, em vão,
o atracar da embarcação.
Felisberto Caldeira Brandt Pontes,
dez horas de uma manhã clara
cais do porto Conceição.
Turistas embarcam apressados
aos gritos dum capitão...
Não mais teu vapor velho
e o apito soa-me surdo:
Vou-me embora,
vou-me embora...
Vou-me embora pro Sertão...

Miguel Carneiro

5 comentários:

Braga e Poesia disse...

Tempos de fascistas disfaçados em esquerdistas a Bahia fica mais forte com poema como esse de miguel carneiro

Luciano fraga disse...

Miguel,sempre sensível às injustiças,à brutalidade e insensatez do homem que se auto intitula de pós - moderno.Cumprindo sua missão de poeta - encantador, denuncie os trogloditas das cavernas.

Carolina González Velásquez disse...

Como has estado amigo mio?
Hace mucho no sé de ti...
Te envio un enorme abrazo
Besos

Ruela disse...

Só hoje é que consegui entrar no blogue, ontem dava erro.
Tem aqui um excelente trabalho.
Voltarei mais vezes.
Um abraço.

Ederson disse...

gostei dos videos!!assim como o texto!!