quarta-feira, maio 09, 2007

A POESIA DE ANA RUSCHE ( DO LIVRO RASGADA)

CALMARIAS

Antes minha tristeza era afluente dos teus olhos.
Mas ela foi se esvaindo em lençóis,
escorreu pelo pé da cama,
inundou o corredor, molhou as portas,
serpenteou pelas ruas, infiltrou-se pela terra,
pela areia, contaminou as brumas,
diluindo-se em todos os oceanos.
Até que me dei conta que
o triste represado nas águas de meus olhos acabou tingindo todo o mar e todo o céu
de blue.


TEMPO NUBLADO NO CARNAVAL
"eles são dois por engano. A noite corrige"
(Eduardo Galeano. trad. Eric Nepomuceno)

um jardim japonês,
pernas banhadas em veludo,
almofadas de tigre.

o primeiro tato,
a palma liquefazia-se em luz
e vc procurava com calma meu umbigo.

a chuva fina escorria em minhas veias
vc descortinava meu sono em mordidas,
e deflorou de leve minha mnhã.


Lugar Comum 14: Madrugada

teus desejos longe dos meus
gelo e vodka mexidos por entre os dedos
calçadas curvas

queimam mendigos,
acontecimentos estranhos nessa cidade,
jokerman, jokerman,
você continua a rir alto demais

ANA RUSCHE

Um comentário:

Anônimo disse...

caro ronaldo, gosto muito do poema calmarias da ana rusche. na verdade, gosto da poesia dela, tanto que ela faz parte da antologia que vamos publicar por uma editora mexicana, el billar de lucrecia, eu e cecilia pavon, que é argenttina, escritora e tradutora. e gosto muito dos seus comentários no meu abandonado blog (perdi a senha, acredita?). espero que a gente ainda cruze palavras por aí. um beijo, camila.