segunda-feira, maio 07, 2007

A POESIA DE ANA RUSCHE

LIBERAÇÃO


Nunca era
imperativos.
Tampouco
escolhera
os advérbios
de sua vida.
E a semente
sempre ali.
enrolada
no ventre
magrela.
Um dia se
cansou do
adjetivo
mandada e fez
a semente criou raiz,
florescendo com ímpeto,
subindo, tomou o corpo todo,
a boca fechada, a mão calejada,
o pulmão escarrado, a perna torta.
Espumou, amargou a vida besta que
não lhe deu um grande amor, arranhou
e silenciou. Feia, largada, estufada sem
a brancura de um avental por perto.
O Anjo saiu do casulo, do corpo
cansado de ser morada e ficou
na terra, pois lá no céu não
viu menininhas carecas
para proteger daquela
semente louca,
sem cura
e sem
dó.


TIGRE

A mesma velha partida,
o terror das coisas mortas.
Ali ele se fundiu novamente.

A noite escapou pelas duas pupilas reluzentes
e asfixiou com um brilho estranho meus ouvidos.

Então o asfalto flameja, o concreto brilha
e se ascedem todas as estrelas.
Tigre, tigre
me persegue, me possui
me devasta, me rasga
e rasga,
corro, cambaleio e caio
chorando pelo meio da rua deserta.


ETIQUETA E CIA.

Lição de cavalheirismo

Ele espera o meu grito
e só depois procura o dele em meu corpo

Outras lições

Ela espero o grito do outro
e pocurava depois a si mesma nos restos daquele corpo


DRESS CODE

a epidemia começou no tornozelo esquerdo
e logo se espalhou pela coxa direita.
não aguentei

- cravou as unhas na canela e
arranhou o mundo pra cima.

e assim rasgam-se as meias-calças.

POEMAS DE ANA RUSCHE

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Um comentário:

ronaldo braga disse...

para meu blog é uma honra ter os poemas de ana rusche publicados, esse mês de maio todos os dias serão postados sempre novos poemas desta maravilhosa poeta paulista.ana vc é uma pessoa marcante.