quinta-feira, maio 31, 2007

terça-feira, maio 29, 2007

AMANTE MEU

Quando estás ausente
amante meu
repetirei em voz alta
para que escute o universo
os versos que eu te ensinava

Meus lábios sedentos
se perderá
nos frutos
do passado
que fincaste em mim

Brotam as lágrimas
de uma despedida
que nunca chegou

Cresce os sorrisos
que ocultamos nas neves
dos maus agouros.

Quando estás ausente
amado
amante meu
te levarei atado
no invisível laço do meu coração
em minha mente.

Quando não estás
e não exista azul primavera
e em mim prolongar o inverno
e o verão seja certa quimera
em minha pele
em meus lábios
sempre
sempre
amante meu
estarás presente.


POESIA DE – Carolina Gonzalez Velasques
Tradução de - Ronaldo Braga

segunda-feira, maio 28, 2007

VOLTA ÀS AULAS

Todos amontoavam na porta para verificar suas salas, garotas e garotos barulhentos, sorridentes, solícitos e atentos. Eram sete horas de uma manhã cinzenta; fazia muito frio, mas quem se importava. Eu, taciturno, esperava o fim da aglomeração para conferir a minha turma e observava calmamente na esperança de rever RC, pois estavam todos se revendo, se cumprimentando e colocando em dia todos os acontecimentos reais e imaginários.
Os ricos contavam suas férias em locais distantes e realçavam as maravilhas que passaram, falavam de garotas belas e mostravam como troféu de viagem os novos catecismos que adquiriram na capital, que logo os fizeram mais populares ainda entre os garotos. As garotas com seus risinhos histéricos falavam de garotos, de roupas e da novidade daquela idade: namorar. Eu, em um canto, não falava com ninguém. Esperei a algazarra terminar e confirmei, estava na turma g, e RC também. Estava nas nuvens! Verifiquei o meu número, coloquei um caderno velho que eu tinha em cima da minha carteira e fui em busca da minha turma. Nós éramos o lixo, a escória do Colégio Estadual Alberto Torres e agora estávamos todos separados. A minha turma especial que foi separada pela direção do colégio, se reunia antes e depois da aula e era heterogênea: tinha pobre, classe média e um rico, sendo que eu, Jorge e Onça éramos os pobres, Inha, Val e Jalé eram classe média e João era o rico. Éramos amigos, batíamos babas juntos, esculhambávamos, bebíamos vinho, fumávamos cigarros sem filtro e depois cada um ia para sua casa. João morava em uma casa grande e com um campo de futebol ao lado, e sempre nos fins de semana era lá que o nosso baba era jogado.
Naquela manhã de março, os encontrei eufóricos com o novo catecismo do João e foi uma festa; eu era o poeta da turma, e João tinha um catecismo que além de novo era diferente, e não era somente mulher nua, havia sexo de verdade, que foi logo passado para mim.
- Veja que mulher!
- Eu quero emprestado!
- De jeito nenhum, só daqui a uma semana. - todos falavam e olhavam para aquelas belas mulheres transando... aquele tinha a transa... era demais!
-Olha a cara de R.. Vai babar R., não pode comer o catecismo!- foi tanta agonia que João, o mais forte e mais alto e dono do catecismo, tomou de um pulo e disse:
- Chega! Hoje estou indo pra casa mais cedo, vou viajar com meu pai pra Itabuna e volto à noite. Amanhã vocês poderão dar mais uma olhada.
O João foi embora e nós fomos direto pro banheiro.
Um tempo depois, cada um foi pra sua sala e aí a minha alegria aumentou, porque eu esperava encontrar RC, a sua carteira era logo a frente da minha. No banheiro, foi ela que eu imaginei e quando olhei o catecismo era o seu rosto que eu via. RC era uma garota de 13 anos, magra, loura e bem queimada de sol, ela sempre viajava para salvador ou ia pra ilha, ela era rica e seu irmão João era meu amigo, ele sabia que eu era apaixonado por ela e sempre me dizia:
- R, RC lhe acha um tremendo babaca, acha a sua poesia horrível, e ela tem um namorado que é de Conceição de Almeida.
- João, eu ainda vou me casar com sua irmã. Você não perde por esperar.
E então João dava uma risada e me abraçava e me passava um garrafão barato de vinho.
O ano de 1972 começava bem, a única pessoa da minha antiga turma a ficar junto comigo era a minha garota, eu sabia que ela não concordava com isso, mas logo, logo ela me aceitaria. Abri o meu caderno de poesia e arrisquei:

“ Um gosto de RC invade a minha boca,
e o seu beijo é beijo da noite
e o seu corpo é convite
e o seu olhar me implora estrelas,
e suas mãos são frutos macios.”

Nada mais saía, e eu dei por encerrada a poesia e me achei um gênio e amado. Aos 13 anos aquela era a terceira garota que eu me apaixonava, mais RC parecia ser a definitiva.
Fui pra casa, meu primeiro dia de aula fora excelente mesmo sem ter visto RC. Uma amiga dela me informara que ela só chegaria três dias mais tarde, estava em salvador, eu estava nas nuvens. Passei em um bar e sozinho tomei meio litro de um vinho barato, e de volta à rua eu não ouvia as pessoas e andava dançando e cantando e ao chegar em casa tomei um sopapo de minha mãe que berrou:
- Tá maluco!? Bebeu de novo?! Quando seu pai chegar ele te acerta. Meu Deus, você quer me matar!
Aquilo agora era menor, eu tomaria duas dúzias de bolo do meu pai, mas RC era da minha turma.
Comi feijão e arroz com farinha e carne como um sonhador, e feliz saí para os babas e roubos de jaca e outras frutas com os amigos da minha querida baixinha da vitória, a vida continuava sorrindo para mim.

ronaldo braga

quinta-feira, maio 24, 2007

CARLOS PRONZATO


FRIEDRICH NIETZSCHE

Agora porém a ciência, esporeada por sua vigorosa ilusão, corre, indetenível, até os seus limites, nos quais naufraga seu otimismo oculto na essência da lógica. Pois a periferia do círculo da ciência possui infinitos pontos e, enquanto não for possível prever de maneira nenhuma como se poderá alguma vez medir completamente o círculo, o homem, nobre e dotado, ainda antes de chegar ao meio de sua existência, tropeça, e de modo inevitável, em tais pontos fronteiriços da periferia, onde fixa o olhar no inesclarecível. Quando divisa aí, para seu susto, como, nesses limites, a lógica, passa a girar em redor de si mesma e acaba por morder a própria cauda-então irrompe a nova forma de conhecimento, o conhecimento trágico, que, mesmo para ser apenas suportado, precisa da arte como meio de proteção e remédio.(p. 93)
Friedrich Nietzsche
O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA
Tradução: J. Guinsburg
Ed. Companhia De Bolso S.P- São Paulo

segunda-feira, maio 21, 2007

NO CORAÇÃO DA PEDRA

“...o que amo em minha loucura é que
Ela me protegeu desde o primeiro dia...”
Sartre.


Quando baixar o fogo
dos seus olhos
de lavas
assim penetrarei
nas sombras
de minha vida
troncha, ilustrada
pelas gotas
da chuva que tudo
lava
minha alma
ofegante
com a cabeça calva
arrasta-se pelos cactos,
em noites de trovoada...
Acho que isso tem
tudo a ver
com carregar fardos
pesados de vexames...
Todos querem um herói,
a fortuna
a pedra lapidada
sem saber como construir
a própria estrada
ou cruzar a fronteira
sitiada
entre o desespero
e a loucura
sustentada
por um fio de pentelho
na ponta da espada...
Como um velho músico
rebusco
a negra melodia
de um dia
na melancolia
de um sax
que arranha
o coração de lajedo...


Autor: Luciano Fraga

quinta-feira, maio 17, 2007

O SAPATO DO MEU TIO

(foto de manú dias)

O SAPATO DO MEU TIO
DIREÇÃO - JOÃO LIMA
COM:
LUCIO TRANCHESI
e
ALEXANDRE LUIZ CASAL
PRODUÇÃO- SELMA SANTOS PRODUÇÕES
INGRESSOS:
INTEIRA - 14.00(reais)
MEIA - 7.00(reais)
TEATRO XISTO BAHIA - BARRIS
DE SEXTA A DOMINGO ATÉ O DIA 17 DE JUNHO 2007
imperdivel IMPERDIVEL imperdivel Imperdivel
Não perca este belo espetaculo com um cenario lindo, uma produção competente e uma trilha sonora precisa.
O SAPATO DO MEU TIO É UMA POESIA.

(foto de manú dias)
Esta foto é do belo e comovente espetaculo taetral O SAPATO DO MEU TIO, UM TRABALHO INTELIGENTE, poetico, e antes uma peça teatral capaz de levar a plateia a uma viagem atravês do sentimento, realizando uma critica ao comportamento humano partindo da relação de um palhaço e seu sobrinho aprendiz, criando uma atmosfera de sonho, de riso e fundamentalmente
divertindo com seriedade e leveza: Um espetáculo teatral maduro e que lava a alma de quem assiste, além é claro de ser um espetáculo premiado com melhor ator, melhor direção. Você merece assistir essa peça. O sapato do meu tio para quem gosta do humor inteligente.

terça-feira, maio 15, 2007

CoNTaMiNaÇõeS


A POESIA DE ANA RUSCHE ( DO LIVRO RASGADA)

LUGAR COMUM 5: DE BEIJOS E FOFOCAS

O mundo gira na boca das mulheres.

LUGAR COMUM 2: PONTO DE FUGA

os dois olhos pequenos arrepiados
ainda molhados pelo jumento do sonho.

os dois bicos de seio assustados
nas tramas do tecido grosso.

dos quatros pontos faiscavam paralelas
que se cruzavam muito longe.

paralelas que se cruzavam muito longe,
onde o arco-íris fincava suas cores,
onde as calcinhas rosas se fundiam aos lençóis,
de onde todos os desejos desenhavam perspectivas.

LUGAR COMUM 1: A EXCLUSÃO

Cidade de Deus- às vezes o casulo é tão
apertado
que as lagartas morrem
sem sonhar que podiam ser borboletas.

VERTIGENS

Falecendo em luz
reminiscências dum nunca
quase um gato ao sol.

rústico

nos teus calos
beijos brutos
minhas asas

eu vou te pagar

isso é um fato,
o resto é futuro.

POESIAS DE ANA RUSCHE

NONA LAVA DO DIVERSOS-AFINS

Olá, meus caros amigos!

Já está no ar a nossa Nona Leva. Espero que gostes do resultado.

Abraço todo especial,

Fabrício -- www.diversos-afins.blogspot.com

domingo, maio 13, 2007

POEMAS DE LINALDO GUEDES

Armadilha

ainda tive tempo
de fingir indiferença
aos teus olhares

tive tempo
mas não arrisquei
fugir ao círculo de fogo
que teus olhos desenhavam no calendário.


Pássaro

um sexo
espreguiça-se dentro do jeans:

quer liberdade
para ser aprisionado
por tuas mãos frágeis.


Boato

dizem
que a saudade
repousa inquieta
no ombro esquerdo
da lua apática.


Perfume

entre
serras
cercas
e cenas mudas
repousa
o hálito
barroco
de teu corpo.

Abismo

você foge de mim
(não
como o diabo da cruz)
-enquanto
cultiva pétalas de ferrugem na alma.


Neblina

noite

tempo exato
para renovar a solidão

(e você
que continua
secando seus desejos no sertão).

Tédio

na lua
criou-se
uma teia de aranha

a culpa foi sua

que não quis esperar pelo amanhecer.

LINALDO GUEDES

quarta-feira, maio 09, 2007

A POESIA DE ANA RUSCHE ( DO LIVRO RASGADA)

CALMARIAS

Antes minha tristeza era afluente dos teus olhos.
Mas ela foi se esvaindo em lençóis,
escorreu pelo pé da cama,
inundou o corredor, molhou as portas,
serpenteou pelas ruas, infiltrou-se pela terra,
pela areia, contaminou as brumas,
diluindo-se em todos os oceanos.
Até que me dei conta que
o triste represado nas águas de meus olhos acabou tingindo todo o mar e todo o céu
de blue.


TEMPO NUBLADO NO CARNAVAL
"eles são dois por engano. A noite corrige"
(Eduardo Galeano. trad. Eric Nepomuceno)

um jardim japonês,
pernas banhadas em veludo,
almofadas de tigre.

o primeiro tato,
a palma liquefazia-se em luz
e vc procurava com calma meu umbigo.

a chuva fina escorria em minhas veias
vc descortinava meu sono em mordidas,
e deflorou de leve minha mnhã.


Lugar Comum 14: Madrugada

teus desejos longe dos meus
gelo e vodka mexidos por entre os dedos
calçadas curvas

queimam mendigos,
acontecimentos estranhos nessa cidade,
jokerman, jokerman,
você continua a rir alto demais

ANA RUSCHE

CAROLINA GONZÁLEZ VELÁSQUEZ

A poetisa CAROLINA GONZÁLEZ VELÁSQUEZ, do Chile, recanto de bons poetas e onde a poesia é muito popular. Carolina já foi publicado nesse blOG e na próxima semana mais uma poesia dela estará aqui neste endereço.

POR TRÁS DA PORTA

Um homem
minha outra mulher escura de distancias
aqueles lábios alheios
e porque não
obscenos
A vida por viver
é o que nos dá medo.

Poema de Marcela Predieri
trad- ronaldo braga

segunda-feira, maio 07, 2007

A POESIA DE ANA RUSCHE ( LIVRO RASGADA)

POSSESSÃO

Ás vezes aquele corpo não era meu
- um outro me possuía todo.
A noite é lenta, escura e difícil
e aquele meu corpo rude já fora de muitos.

Ele tinha ódio desses passados,
esfaqueava fantasmas nos lençóis
num círculo em volta da cama.

Dizem que o amor era a entrega.
A ampulheta escorria,
ele iria me perder rápido como tantos outros.
A noite é lenta, escura e difícil.


MINHAS AMIGAS

Não tinham a mínima idéia do futuro.

Mas descobriram
que a vida - por si só -
bastava
e era imensa.

A rara sabedoria
das gatas cochilando ao sol.


ORIENTAR - SE

Seus olhares de soslaio
me inquietavam como o estorvo
de uma grande pedra larga no
meio do mar da plantação de arroz.

Mas enfim nos meus se centraram
e era uma pedra tranquila
como um único ponto fixo
no meio de todo aquele aguaceiro.


ORIENTAR - SE ll

nua, olhos puxados de sono,

que os ventos novos que acariciam o leste
não enlameiem a flor de lótus
com esse nosso charco de imundície azul.

ANA RUSCHE

http://peixedeaquario.zip.net

A POESIA DE ANA RUSCHE

LIBERAÇÃO


Nunca era
imperativos.
Tampouco
escolhera
os advérbios
de sua vida.
E a semente
sempre ali.
enrolada
no ventre
magrela.
Um dia se
cansou do
adjetivo
mandada e fez
a semente criou raiz,
florescendo com ímpeto,
subindo, tomou o corpo todo,
a boca fechada, a mão calejada,
o pulmão escarrado, a perna torta.
Espumou, amargou a vida besta que
não lhe deu um grande amor, arranhou
e silenciou. Feia, largada, estufada sem
a brancura de um avental por perto.
O Anjo saiu do casulo, do corpo
cansado de ser morada e ficou
na terra, pois lá no céu não
viu menininhas carecas
para proteger daquela
semente louca,
sem cura
e sem
dó.


TIGRE

A mesma velha partida,
o terror das coisas mortas.
Ali ele se fundiu novamente.

A noite escapou pelas duas pupilas reluzentes
e asfixiou com um brilho estranho meus ouvidos.

Então o asfalto flameja, o concreto brilha
e se ascedem todas as estrelas.
Tigre, tigre
me persegue, me possui
me devasta, me rasga
e rasga,
corro, cambaleio e caio
chorando pelo meio da rua deserta.


ETIQUETA E CIA.

Lição de cavalheirismo

Ele espera o meu grito
e só depois procura o dele em meu corpo

Outras lições

Ela espero o grito do outro
e pocurava depois a si mesma nos restos daquele corpo


DRESS CODE

a epidemia começou no tornozelo esquerdo
e logo se espalhou pela coxa direita.
não aguentei

- cravou as unhas na canela e
arranhou o mundo pra cima.

e assim rasgam-se as meias-calças.

POEMAS DE ANA RUSCHE

http://peixedeaquario.zip.net