terça-feira, abril 17, 2007

PORTA RETRATO

Meu pai foi soldado da Cavalaria
e herdamos de suas bravatas
apenas aquela fotografia fardado,
de quepe, coturno e sabre,
num porta-retrato
que minha irmã Angélica
conserva com grande alegria.
Meu tio Lazinho quis ser profeta
e pelo mundo vagou
de Bìblia na mão.
No seu sermão
misturou tarot
e a sua própria dispersão.
Morreu em busca de um porto,
pobre e esquecido,
num rancho em Riachão.
Minha avó Judite louca,
então,
blasfemava, blasfemava,
chamando o Cão.
Me tornei poeta
por força da ocasião,
faço versos, não minto,
fico feito uma bestade dedo em riste,
no meio de tanta esculhambação.

MIGUEL CARNEIRO
Que acaba de lançar na Bienal do Livro um novo trabalho de Poesia, um livro junto com um CD, breve esse CD vai estar postado aqui para os leitores do blog possam desfrutar da maravilha desse novo trabalho de Miguel.

5 comentários:

Alyne Costa disse...

Isso caiu feito poeira mágic das asas de um anjos.
Que todos os salmos por ti sejam entoados, Miguel.
Parabéns! Este eu ainda não conhecia...

Zinaldo Velame disse...

Ronaldo, parabéns pelo blog. Prossiga divulgando a poesia e as pessoas como Miguel Carneiro. Abraço!

anjobaldio disse...

Falou Miguel, belo poema, grande abraço.

Braga e Poesia disse...

MIGUEL ESTE POEMA ÉPICO TRADUZ TAMBEM TODA A SUA VIDA EM PROL DA POESIA E DO TEATRO, NUMA TRAJETÓRIA RECONHECIDA NÃO PELOS PUXA-SACOS DE PLANTÃO MAS POR AQUELES QUE SABEM DA SUA QUALIDADE E DA SUA LUTA EM PROL DE UMA LITERATURA A FAVOR ANTES DA VIDA.

Artur de jacobina disse...

o miguel canta o sertão e o sertão é família, é história seca em entes deixados., o miguel desse interior da bahia, rasga o chão em plantio dionisíaco.