segunda-feira, abril 09, 2007

O CACHO PERDIDO DE TEU CORPO

VARIAÇÃO SOBRE UM TEMA DE PABLO NERUDA:
SONETO XCIII – UMA PARÁFRASE MINHA.
à minha sempre, Lucifrance Castro,
por não ter outra razão para amá-la senão amá-la.
Así establecidas mis razones de amor te entrego esta centuria:
sonetos de madera que sólo se levantaron porque tú les diste vida.
PABLO NERUDA

(Tema)

Si alguna vez tu pecho se detiene, si algo deja de andar ardiendo por tus venas, si tu voz en tu boca se va sin ser palabra, si tus manos se olvidan de volar y se duermen,
Matilde, amor, deja tus labios entreabiertos porque ese último beso debe durar conmigo, debe quedar inmóvil para siempre en tu boca para que así también me acompañe en mi muerte.
Me moriré besando tu loca boca fría, abrazando el racimo perdido de tu cuerpo, y buscando la luz de tus ojos cerrados.
Y así cuando la tierra reciba nuestro abrazo iremos confundidos en una sola muerte a vivir para siempre la eternidad de un beso.


(Sonetos gêmeos – variação em tom memor)

Se alguma vez teu peito se detém,
se algo deixa de arder em tuas veias, se a tua voz se esvai sem ser palavra, se tuas mãos, no delírio, adormecem, Amor, deixa teus lábios entreabertos,
porque este beijo durará comigo... ficará para sempre em tua boca,
e me acompanhará também na morte.

Morrerei nesta louca boca fria,
abraçado à lembrança de teu corpo,
buscando a luz de teus serenos olhos.

Assim, receba a terra o nosso abraço,
e, confundidos numa mesma morte,
viver, num beijo, a Eternidade, mas...

(Em tom maior)

...antes que esse torpor de nós se encante
busquemos, Minha Amada, a cor ausente
de nossa vida em chamas, a roubar da dor
seu território... quantas coisas puras

se farão tão longínquas e sombrias, qual teus olhos fechados a esta luz
a eles consagrada, Alma Minha,
beija-me, antes que te desabitemos

a humana parte desta terra fria,
para sermos um só entre os silêncios
do barro, dos insetos... das raízes.

Permita-me dizer-te: “Eu te amo”,
para que a treva que roubou teu sonho
não arranque de mim a tua essência.

Candeias, 18 de março de 2007.

SILVÉRIO DUQUE

Um comentário:

Braga e Poesia disse...

silvério duque seja bem vindo ao bragas e poesia estarei sempre publicando os trabalhos que me agradarem não importando os autores e não afirmo isso como democratico, pois eu não sou, antes afirmo pela necessidade de sempre selecionar os trabalhos que eu venha a receber e sem me importar qual seja o autor.
muito obrigado pelo texto.