quinta-feira, março 01, 2007

QUANDO NASCEMOS

"quando nascemos,choramos por estarmos chegando a este grande palco de bufões..."
Shakespeare-Rei Lear

Olhos perecíveis
despejam faíscas
nas lâminas das facas
que amolo
para recortar
efêmeras mortes
com as quais decoro
crepúsculos monótonos
que ejaculam
fecundando meu quarto,
lambendo a melancolia
que goteja
na estranheza
da carne muda
que maltrato.
Sem que ninguem veja
faço delas entulhos
que desidratam com pétalas
que acumulo
sobre móveis sem verniz.
Ouço quando alguem diz
com a voz em falsete:
- as artérias não suportam
nem mais um alfinete.
Agônico,
ainda rabisco
um obsceno bilhete
com o próprio sangue
narrando meu breve fim:
prematuro...

LUCIANO FRAGA


(Crua Cruz das sem almas, limite das possibilidades de viver, o poeta LF vem com a sua poesia criando e mantendo jardins de sonhos e flores em cruz das almas, uma cidade de cultura branca e assassina, onde corromper, puxar saco e ser preconceituoso são qualidades premiadas todos os dias em um concurso macabro para ver quem gosta menos de si, e cruz tem mediocres demais, por isso esse concurso é sempre concorrido. Mas por outro lado poetas de verdade vem regando com carinho as almas e cantando a carne na sedução do desejo e do viver, luciano, nelson, patricia: vem com um trabalho por demais penoso carregando o fardo de manter as almas nos corpos cruzalmenses, enquanto houver poesia, haverá céus nessa cidade das sombras. obrigado poetas.(ronaldo braga))

2 comentários:

red boy disse...

esse luciano gosta de rir de minha cara e de escrever poemas bonitos e dificeis.

Chico "boy" vermelho disse...

O Luciano é um amigo da porra. Além de grande poeta.