sábado, março 17, 2007

MONÓLOGO DE CÃO

Quando você lança
um olhar
de céu sujo
com sinistras nuvens
de carrancismo
carola
sobre minha carcaça
rebelde,
a poesia que emerge
de dentro do estalo,
escapa pelo ralo
como o suor
que exalo
quando eclodem
execráveis segredos
desatinados enredos
para a morte das sereias.
Nas latrinas dos cubículos
o silêncio dos fetos,
em velhos caramanchões
pestanas imploram
debalde
o beijo avermelhado
na vagina depilada
durante o féretro
do dia.
Com vozes de barbárie
a cantilena dos bêbados
prossegue
escapando do tropel
de nostálgicos poemas
necessários
como a mágica de bordel
revelando
que seu rabo de olho
não me deixa
mais amolado...


Autor: LUCIANO FRAGA

3 comentários:

ronaldo braga disse...

a poesia que encanta e desencanta, a poesia que pretende marcar território e não para ser dono mas para fincar nas brumas as certezas delimitadas pelo sentimento e antes impor vida nos atoleiros do medo, a poesia dor porque vida, a poesia carinho porque guerra e por outro lado a poesia sonhos porque cores.L.F. é assim que eu acompanho calmamente a sua poesia: como um escavador.

Miguel disse...

Poeta Luciano Fraga
me encanta sobretudo teu verso "noir",teu lirismo encharcado de urbanidade, tua verve cortante como lâminas afiadas em esmeril, teu cantar de um mundo que os caretas torcem a cara, tua poesia certeira na cara dos homens,
versos como os teus, fazem com que os dias não apodreçam, parabéns!
Miguel Carneiro

Alyne Costa disse...

Me apaixonei pela poesia de Luciano Fraga.
Uma vela para cada aborto.