quinta-feira, março 08, 2007

ECLIPSE DE FLÔRES

Chove nos paralelos
sob o céu de Jamb
enquanto
mantenho uma relação
promíscua
com a arma
púrpura
da madrugada...
Apavorados
meus pensamentos
de harpa
fenecem
enfileirados nas galés
até perderem
os últimos fios
dos cabelos
pelo açoite
da insônia crônica.
Meio encolhido,
encalhado
transpiro
e trituro este mundo
pardo
como prostituta
que sobra
e afunda
quando acorda
nas horas vagas
mastigando vidro
percebendo que não dublava,
que é presa dócil
Rosa fácil
quando cercada
por ruínas de arame
elétricas e farpadas
na surpresa
da noite
mareada...

Autor: LUCIANO FRAGA

2 comentários:

judite castro disse...

esse agronomo é um poeta e tanto, utiliza das palavras como sonhos e transcrevem sentimentos por cores

ronaldo braga disse...

o poeta lf é realmente um pintor com as palavras, que ele usa e abusa, transtornando os significados em formas transpiradoras de alma