segunda-feira, março 12, 2007

DE MIM

Uma serpente me incomoda a noite
Dançando dentro de mim
Um baile atônito
Entrelaçada entre minhas feridas
Degusta minhas entranhas e me faz mansa
Assobia os meus segredos aos quatros cantos
Revira todos os meus mundos
Intestinos, gota, apêndice
Lustra o sótão da minha alma
Me desnuda sobre estradas e avenidas
Me traz lembranças, ira...
Soterra meu ego e me mostra crua
Uma serpente dança um tango argentino
Pisa de salto nas minhas angústias
Me atira facas
Me oferece maçãs
Ri das minhas preces
E depois ganha asas e voa
Me sobro em várias
Desmascarada e histérica
De quantas faces são feitos meus sonhos?
Quantos caminhos para os meus ais?
Uma moto passa...
Um trem-de-ferro apita...
Uma fumaça bruma a cidade.
Nua em frente ao espelho
Eu quase sou
Eu quase vou
Quase serpente
Quase em frente
Eu quase esqueci –
De mim!



Alyne Costa

Um comentário:

ana rüsche disse...

gostei desse poema! bem forte.

e no mais, obrigada por não me deixar sozinha nessas contra o imperialismo. ;)

beijo grande