sábado, março 31, 2007

CANÇÃO DAS NOITES DE A B R I L

A minha amada
tem olhos de madrugada
como fachos acesos de tição.
A minha amada é inquilina
bem menina
de meu velho coração.

Chama-me pro canto
Fascina-me
faz-se de traquina
em meu templo de celebração.

A minha amada tem a boca de mel
semelhante ao manjar do céu.
De travo tão bom,
espairecida no Jardim das Delícias
E nessa preguiça
permaneço a lhe enamorar.

Minha amada tem um cheirinho
que de longe eu posso identificar
Aquece-me e me cobre
e dorme sempre depois que eu estou a cochilar

MIGUEL CARNEIRO

2 comentários:

ronaldo braga disse...

um poema simples que estabelece um por do sol em minha alma em qualquer hora do dia um poema que remete para momentos onde a calmaria devasta peles em atos de beijos, um poema e o seu duplo impondo calor e mãos em energicos atritos de viver

Alyne Costa disse...

Engraçado o que é criar intimidade com o universo do artista. Um dia eu vi no MAM alguém cuidando, restaurando sei lá o que uma obra de Rubem Valentim e , timidamente, disse: Parece Rubem valentim. O rapaz me olhou nos olhos e disse : E é!
Esta obra d eMiguel eu reconheceria como dele até em Atlântida. Linda, simples. Como esta lua que Nossa Senhora Aparecida resolveu soltar no céu. Lindos versos, poeta!