sexta-feira, março 02, 2007

CALO DE SANGUE

"...há bons,por não poder ser insolente..."
G. de Matos

A vida é um disparate
o aperto...
O alicate
nos dedos do alfaiate
que costura a dor
com agulha do tricor
na pele de tomate
no couro do tambor
no lombo da crioula
doida que apanhou...

Vida: triste doçura
nas janelas da amargura
na casa de botão
das varandas do senhor.
Na visão do desperto
não há caminho incerto
ou contradição
entre o bobo e o esperto
o banido
e o ladrão...
Perdi o sono,
no derradeiro beco,
sem saída,
caído
vou tangendo
a agonia das flores,
pulsando
entre os trastes
e o turbilhão de contrastes
de quem me cerca de amores.
Golpeando a noite
sigo,
lapidando esta vida,
entre os de horas contadas
sem sorrisos na chegada
com a ânsia desesperada
nas sombras da partida.
Estou de volta à caverna
como um urso que hiberna
sem saber
onde pisar...?


Para: Giordano Diniz (vovô)

LUCIANO FRAGA

3 comentários:

Braga e Poesia disse...

é preciso golpear a noite e continuar golpeando madrugadas. luciano seus poemas são traduções instantaneas de passados nos presentes emocionados de cada momento vivido e apreendido e mais ainda: engolido

red boy disse...

é no gogó nenezinho, no gogó meu bem que eu bato bem forte e com uma risada!

Anônimo disse...

Giordano disse...
Minha arma é um velho bacamarte
cheio de pregos,bolinhas de rulimã,
pedaços de vidros
e outras quinquilharias
para esburacar
o chiqueiro das madames
e dos velhos coronéis...
Obrigado pela lembrança LF