quinta-feira, março 08, 2007

BALADA DA MINHA DOR

Eu sou um cão vadio sobre a face da terra,
Farejando no ar tanto indignação.
Eu lambi as feridas de São Roque,
Levei o seu precioso pão.

Eu fui o cão de caça do palácio de Gotardo.
Transitei num tempo de peste,
e nas colinas ao Leste,
quando me buscaram,
eu estava distante cravejando minha presa no calcanhar do Cão.

Eu estive com São Lázaro,
e testemunhei a sua ressurreição
Por longas décadas andei de pelo caído,
de sardas espalhadas pelo chão.
E nem por isso abaixei o meu focinho,
nem deixei que o carinho,
diluísse nesses tempos de completa podridão.

Eu permaneci ligado,
Algumas vezes travado:
de haxixe, maconha e bom bocado.
Nesse condado repleto por putas, veados e ladrões.

Eu vi a miséria tomar conta de meu país
e nem assim me exilei,
eu aqui fiquei.

MIGUEL CARNEIRO

3 comentários:

RONALDO BRAGA disse...

UMA POESIA QUE ME FAZ PENSAR NOS SENHORES DOUTORES DE AGORA QUE SIMPLESMENTE FORAM EMBORA E HOJE SÃO SALVADORES DA PÁTRIA.CANALHAS OPORTUNIDADES ESSA GENTALHA PRINCIPALMENTE A ESQUERDA .

Miguel disse...

BRAGA,
VOCÊ COM SUA VERVE INCENDIÁRIA,
DE LONGOS TEMPOS.... DESDE QUE NOS CONHECEMOS NA DISTANTE DÉCADA DE 70,
POR FAVOR,
NOMEIO OS BOIS DESSA BOIADA NOJENTA...
MEU ABRAÇO

Miguel disse...

PS: ONDE SE LÊ "NOMEIO", LEIA-SE "NOMEIE"