quarta-feira, fevereiro 28, 2007

JOSÉ NARCISO DE MAGALHÃES CARVALHO DE MORAES

PARA EMBALAR KZÉ EM SEU DELÍRIO NOTURNO
EM MEMÓRIA DE JOSÉ NARCISO DE MAGALHÃES CARVALHO DE MORAES, ZECA DE MAGALHÃES, (1959-2007)
"Aliás não temos aqui cidade permanente, vamos em busca da futura"
Hebreus 13-15

Numa sexta feira,
em pindorama,
quando a folia momesca
reinava na velha provincia da baía de todos os santos e
inevitaveis Demônios.
Entre a cana,
e o colosso dos camarotes da Barra
e a falsa alegria,
e o temPo com sua traíragem
que resolveu te tirar de campo
te descendo do telhado.
Deixou os teus,
orfãos de tua amizade
e de tua poesia.
Não era ainda
nem segundo tempo
e nem havíamos ganhado o jogo
mas,
Em memória de ti
poeta Leminskiano,
abominador da mediocridade poetica baiana de igrejas e
confrarias cafonas.
Não recolheremos nossas bandeiras,
Nem meteremos nossos rabos entre as pernas
Nem ficaremos desiludidos
Nem abaixaremos nossas frontes,
para os chacais da palavra.
Ficamos, sim,
aqui,
todos os teus
que te foram ternos
passando uma chuva
com teu verso clandestino na memória
e aquela certeza absoluta
que a tua luta
não foi em vão.
Ficaram poucos...
Mas teu nome NARCISO
ficará eterno em meu coração.

MIGUEL CARNEIRO

12 comentários:

luciano fraga disse...

Miguel,num mundo tão conturbado,insensível a saída de um poeta do nosso convívio significa a abertura de uma lacuna,um buraco,a falta de um porta voz dos sonhos,daquele que nos aponta as trilhas em direção ao oasis de nosso coração deserto.

Braga e Poesia disse...

miguel sempre preciso e falar de zeca vc popde pois além de poeta vc não só foi amigo como o respeitou sempre.

Antunes Maria disse...

o kazé merece muitas homenagens

Geraldo Marques disse...

o zeca nos marcou com seu ritmo de palavra arisca, o zeca teve a vida como a coisa mais importante.

Manoel junqueira disse...

há de se lembrar daquele que não teve medo de ser feliz

Carlito Nogueira disse...

há dias que a gente não aceita as verdades e zeca estava lá para dizer palavras de incetivo e nos lembrar que a vida tambem era tragédia

Cássio Rilke disse...

fico feliz pelo poema dedicado a vida, porque eu sei que o autor dedicou a zeca muitos sentimentos positivos e boas ações para ele em vida.

Carlo Marito disse...

palavras . o zeca era mestre em dizer e escrever palavras e para um mestre eu só posso dizer vou ler muito o que vc escreveu zeca.

Josias Barreto Gomes de Araujo disse...

miguel,
zeca falava de vc como falava de um deus, para ele vc era o poeta representante do sertão da geração dele, o poeta que cantava a seca em doces amargas palavras, ele te admirava e te respeitava, esse poema que vc escreveu deve ter sido doloroso pra vc, pois é uma criação que só foi feita porque tua vida perdeu um porto que era o zeca para todos os bons poetas

Armindo Cerqueira Alves disse...

obrigado miguel estaremos atentos para os falsos amigos do zeca

Carine Araujo disse...

Miguel, meu anjo

Só você poderia escrever um poema assim sobre o Zeca...reparou nos outros poemas que só agora lhe são dedicados? Você, não, meu anjo pequeno, você falava dele em seus contos, escreveu uma crítica belíssima ao "A oeste de meu coração". Jamais me esquecerei do dia lá no grande sertão em que vocês, mesmo inimigos do ditocujo lá, permaneceram para me ouvir recitar...essa, inclusive, é a única foto que tenho do Kzé...e não posso deixar de me orgulhar dela...e de você, meu querido.
Teu texto, tão preenchido da ausência do Zeca, me faz sentir o quanto devo estar do teu lado nessa hora, não para suprir a falta, mas para sentir contigo, tão sempre junto a mim em tudo...Te adoro muito, muito.

Anônimo disse...

Que maravilha Miguel que voce está aqui para traduzir em versos os sentimentos que Kse deixou em nós. Te amo por isso. Beijos Jina.