terça-feira, janeiro 30, 2007

REZA PROFANA

Bocas carpideiras
oram nas capelas
úmidas do teu corpo

lágrimas de suor gotejam
no olhar dos poros

persigo teu movimento
sou espelho, cópia
luva, alimento

nectar que engravida
o útero da libido

maquina, leve roçadeira
no campo dos teus
espasmos, imã do teu
desejo desafeto, amigo

ferramenta abrindo
fendas mornas, lingua
desatarraxando o beijo

lâmina de amor
abrindo o cofre
de tuas profundezas

onde perdôo meus sentidos
indultos meus pensamentos
e os vigias do recato
estão mortos

LUCIANO PASSOS
(Poeta de Cruz das Almas, já falecido, mas que vivo, presente em sentimentos tantos de suas poesias, de seus atos e mais ainda de sua imensa bondade e capacidade de aceitação do diferente, Luciano poeta nobre, viveu como uma prova de que a vida é tambem doação,e que a vida é apenas um longo bate papo entre a pele e o coração.)

Um comentário:

Nelson Magalhães Filho disse...

Um lindo poema de meu amigo Luciano Passos, que muito cedo foi levado pelos anjos, sempre profanando a mediocridade do Recôncavo.