quarta-feira, janeiro 31, 2007

PRELÚDIO

"quando nascemos, choramos por estarmos chegando a este grande palco de bufões..."
Shakespeare-Rei Lear

Olhos perecíveis
despejam faíscas
nas lâminas das facas
que amolo
para recortar
efêmeras mortes
com as quais decoro
crepúsculos monótonos
que ejaculam
fecundando meu quarto,
lambendo a melancolia
que goteja
na estranheza
da carne muda
que maltrato.

Sem que ninguem veja
faço delas entulhos
que desidratam com pétalas
que acumulo
sobre móveis sem verniz.

Ouço quando alguem diz
com a voz em falsete:
- as artérias não suportam
nem mais um alfinete.

Agônico,
ainda rabisco
um obsceno bilhete
com o próprio sangue
narrando meu breve fim:
prematuro...

LUCIANO FRAGA

Um comentário:

Anônimo disse...

PUTA MADRE buenas!