quinta-feira, janeiro 04, 2007

Minha alma tornou-se
amiga do meu corpo
e já não sei o que desejo de ti
pois meu desejo
comove minhas veias
e se acasala
e raízes, flores e florestas

Esse roçar de lábios
em meus cabelos
essas mãos que não se
acanham
esses lagos...
e tudo o que não dizes
já escuto
pois é o melhor de ti e estremeço

Recoheço o teu refúgio de arbustos
e o som do búzio em meus ouvidos
Maré de março

Beijar-te no olhar
o nó das lágrimas
e o compromisso secreto
do não dito
pois já conheces
o mistério da palavra
e a luz de um
poema morre
quando escrito

Patrícia Mendes

3 comentários:

Anônimo disse...

Sempre a doce Patrícia com seus poemas estranhos regados a um bom vinho chileno e olhos despovoados...

Anônimo disse...

A luz de um poema morre... para que surjam outras luzes para outros poemas.Muitas vezes é preciso muita escuridão para o nascimento de certos poemas.Muito belo seus poemas.

ronaldo braga disse...

o nó da lágrima desata toda compostura imposta no falso jogo social e denuncia os refúgios, simulacros em arquetipos repetidos por toda estupidez humana, numa recorrencia infelizmente constante.
obrigado pat por esse poema.