quinta-feira, janeiro 04, 2007

Meninos dos Quintais - Nos tempos do Cerejão

Inquieta-me reler o céu
debruçado
sobre épicas máscaras,
quando a tarde cai.
Impacienta-me rever o tempo
com a fome dos labirintos
nas estrelas ausentes,
quando a noite adentra.
Nunca mais;
beijos platônicos,
masturbados,
cravejados de punhais,
vazados,
por debaixo das mortalhas
das paixões etéreas e mortais.
Os olhos,
de pérolas sem conchas,
refletem
inexploradas marés,
virgens continentes,
assolados
por lendários girassóis
que perpetuam
medrosas saudades,
vertidas
das pedradas sombrias,
desFERIDAS
contra a pupila das árvores,
dos comedores de sonhos.
Nunca mais;
constelações de amigos,
pequenos dilúvios,
peripécias nos muros...
Nunca mais;
olhamos pelas janelas
dos desaparecidos quintais.
Nunca mais;
doces cerejas acesas...
O tempo apagou...??

Luciano Fraga
Para:NMF

2 comentários:

Anônimo disse...

O velho LF (F de Furioso e F...), com seus poemas de ferro fundido e baladas de fogo...................

ronaldo braga disse...

cerejas acesas nem sempre doce. as vezes ocre, as vezes chumbo, as vezes esquecimento, as vezes amores. L.F. rasgando passados em um presente desfumaçado em brasas delirantes