domingo, janeiro 14, 2007

meninas sorriam sexo em aromas de bormélias e café

1

Espinhos adornavam beijos, e
Perdidos, acalentavam esperas.
E luas fugiam com o horror
nos olhos de outros mundos, e
na sala,
ameaças solenes ritmavam medos e
impunham hierarquias de vermes e mortos.
Eu planejava assassinatos
e professoras
mortas
invadiam meu cérebro.
Era junho
e um frio cortava amores e
praguejava sonos deixados.
Lá fora
flores choravam luzes e
meninas sorriam sexo em aromas de bromélias e café.
Recreio triste,
na chuva
irritava dentes
e provocava tédios.
Professoras mortas
vociferavam valores
e glorificavam passados e
seus pés chamuscavam lamas
e podres insetos sorriam delas
enquanto seus cús
olhavam famintos as horas e
desejavam horrores de
preces e rezas.

11

A porta
aberta
invertia sons
e sombras apáticas calavam
corredores de um junho medonho.
As horas cansavam esperas em águas correntes
e luzes azuis faiscavam agruras
de verdades
vomitadas a ferro e fogo
e esquecidas
em babas
e punhetas de mar e
sonhos,
em mulheres impossíveis e nuas.
Espinhos adornavam canções
e beijos de pedras sorriam desgraças e as notas
caiam pesadas nas infâncias
de poeiras e suores.
Enquanto os medíocres
sorriam tijolos e nojos.

ronaldo braga
( poema dedicado a BAIXINHA DA VITÓRIA, A MELHOR RUA DE CRUZ DAS ALMAS)

5 comentários:

luciano fraga disse...

Ronaldo,poema bastante duro,reflete a infância difícil,às vezes até cruel em muitos momentos, numa época em que existia um "apartheid" velado,disfarçado mas descarado, imposto por alguns falsos aristocratas empalhados e espalhados pelo planalto cruzalmense.Agora choram pedras...

Nelson Magalhães Filho disse...

A Baixinha da Vitória era a porta secreta que nos levava para o velho Estádio Alberto Passos, o Cadete e a Tapera. Também era um atalho para Suzana. Esta "infância perversa" seria a matéria-prima de minhas futuras pinturas e imagens do porão, terreno de anjos baldios.

luciano fraga disse...

Nelson,"nada a perder,nada a ganhar,enlouquecer ou delirar,eu ainda insisto em andar onde os anjos não ousam pisar".Você sempre foi um anjo baldio,quebrou as regras, entrou,frequentou,daí o produto que reflete a dor a ânsia dos homens em suas belas telas.Andar na cidade das sombras,precisa-se de uma capa preta...A Baixinha tambem foi nossa casa.Dadack que o diga.

Nelson Magalhães Filho disse...

O Josias Josadack era um grande poeta. Onde andará ele nestas horas sombrias?

ronaldobraga disse...

josadack resvala por entre as sombras imemoriais de nossas vidas e reexiste em todo poema cruzalmense de poetas verdadeiramente caras de escorpião,e insiste na noite azeitada em comicas tragedias de nossos medos, josadack é um recado da vida nos percalços do continuar.onde estiver tem a nossa gratidão.e que se danem os mediocres moralistas de plantão.