quinta-feira, dezembro 28, 2006

UM DEZEMBRO

NÃO SEI ATÉ QUANDO ESPERAR,
COISAS DO TEMPO...
ESPERARVEJO-ME SENTADO EM DEZEMBRO
E OUTROS DEZEMBROS SE FORAM
E DA JANELA DA MINHA CASA EMPOEIRADA
ADMIRO A CRIAÇÃO DIVINA
AS ARANHAS A TECEREM SUAS TEIAS ENFEITADAS
ENQUANTO AS CRIANÇAS DORMEM...
BEM DISTANTE,
CONVERSO COM UM JOVEM SONHADOR QUE PASSA NA MINHA RUA,
ESTÁ FICANDO DISTANTE,
DIFERENTE
A PELE NUA
O SOL A PINO,
NA MINHA BOCA, O GOSTO DE CARNE CRUA,
UM SENHOR COM CARA DE TRISTE SE APROXIMA,
PÁRA, E ME DESEJA BOA TARDE,
RECLAMA DAS DORES,
VAI EMBORA insosso,
ACHO QUE É O OCASO,
O DIA IMITA A VIDA,POR ACASO...
E O QUE DIZER DA NOITE?
JÁ É NOITE EM DEZEMBRO,
FECHAM-SE AS CORTINAS
ACABA O ESPETÁCULO,
ESPERO PELOS APLAUSOS,
MAS...
VEJO SOMENTE UM A ME IMITAR
NÃO HÁ MAIS NINGUÉM
SOMENTE EU A ME MIRAR
NO ESPELHO QUE REFLETE,
ESTÁ AMANHECENDO,
ABRO A JANELA,
MAIS EMPOEIRADA QUE ONTEM,
E O TEMPO ME DIZ UMA NOVIDADE
COM A AUTORIDADE CELESTE,
QUE O SOL DE JANEIRO
ESTÁ COM A ROUPA DE ONTEM,
SINTO OUTRA VEZ O GOSTO DE CARNE CRUA
ENQUANTO UMA ARANHA,
SERENAMENTE TECE

Vinicius Benevides

2 comentários:

Nelson Magalhães Filho disse...

É isso aí Vinícius, o doce-amargo amanhecer entre carnes cruas nos dentes sujos pelo tempo, que não pára nunca.

ronaldo braga disse...

nelson o vinicius nos traz um poema com crueza nos dentes evidentes de toda perdida certeza.